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julho 20, 2008
UM BACH LIDO COM DEDOS

Chernova Viktoria
Planeio um domingo feliz. Não me importa o que acontece na cidade em brasa. Que as torres se esvaziem debitando condóminos para filas na procura de outras margens. A minha chega. Serena, silenciosa, saudável no ar que me dá para respirar. O perfume conhecido, a luz coada por musselinas dançantes. O desjejum alegre de quem sabe certo um dia extraordinário. Música e sabores que chegam novos. Pele sem atavios. Pés libertos de saltos e atilhos. Talvez um vestígio de seda daqui a pouco. Ou não, porque o dia irá deslizar num vaivém íntimo que dispensa enfeites e relógios. Os telefones ligados por que sim – os outros amados estão bem e no news, good news. Nada a temer. Aqui, entre o fúcsia e o verde-lima, a essência do que entendo por vida boa corre fluida. Um Bach desconhecido será lido com dedos. Noite dentro, talvez o calor e a dolência de um bolero. Do mais não entendo ou quero saber.
Publicado por Teresa C. às julho 20, 2008 10:45 AM