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agosto 14, 2008

O PÊNDULO DAS MULHERES

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Sorayama


«A própria identidade, o clube e um emprego para a vida eram os vestígios da tradição conservadora, hoje desmantelada e substituída pela precariedade dos afectos, dos compromissos, dos projectos, da vontade, dos ideais.»

O ser e o clube permanece intocado para a metade XY da humanidade. No genoma da fracção marialva, está escrito: “muda de fé, de carro e de mulher, nunca de clube!” E assim é, com acentuada relutância para o automóvel e alguma displicência para a mulher.

As mulheres são pendulares – mudam bem de quase tudo, excepto de marca de fond de teint. Por princípio, rendem-se ao que é novo e mais sedutor. O clube depende. Iniciam as lides futebolísticas por via paterna. Sendo o pai castrador, mudam para o inimigo fidagal que reuna maior consenso no «grupo». Já adultas, o percurso clubístico depende da meteorologia amorosa - amor em alta e o clube dele é o máximo, se nublado é o “que se lixe!” Volúveis, neste particular, não raras convicções femininas.

As mulheres fieis a um clube diferente daquele que anima o parceiro é, normalmente, tributo a um outro amor: o pai, o irmão, o primeiro namorado, um amante. Se românticas, ficarão tão apegadas ao Nuno Gomes e à águia como à memória do perfume que o homem de referência usava. A qualquer deles reservarão suspiro mascavado. As adúlteras, em vez de datar ou nomear factos e amores, dirão com um sorriso enigmático: “Ah!, isso foi quando eu era da Académica...” Para elas, datação inequívoca equivalente aos automóveis neles. Referências sexistas que perduram e revelam o esconso dos estereótipos.

CAFÉ DA MANHÃ
A ler: Madalena Palma e Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às agosto 14, 2008 10:23 AM