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agosto 13, 2008

AMORES COMO ARABESCOS

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O dia nasce, trepa ao cume previsto, suaviza-se pela tarde e põe-se de mansinho. Há dealbares impetuosos nos estios excessivos e ocasos precoces quando a tempestade arriba. Uns e outros chegam com maior majestade que fragata no Tejo. O mesmo com os amores – paixões súbitas e amores intrincados como arabescos. Crescendo e finando como o dia.

É pelo meio da tarde que, normalmente, tudo acontece. Ida a madrugada e o cume do meio-dia, o tempo é de sossego e pode calar o desejo. A previsibilidade ronrona, as cigarras teimam na melopeia, o outro parece milho maduro do qual conhecemos os grãos. É conhecido o pisar no restolho que forra o chão. Mal lembramos a brisa das glicínias elevando-se à janela pelo começo da manhã. Na moleza da tarde, há o conforto do certo e a nostalgia do incerto latejando na fundura íntima.

Apetece “sol na eira, chuva no nabal.” Conservar o histórico de um amor e aumentar a liberdade que promete colheitas novas e encantos viçosos. Talvez prescindir da doçura do entardecer e fantasiar apenas e só madrugadas. Espalmar o dia entre o nascer e o zénite solar. Dos amores, somente começos. A metade de sobra jazida no desdém.


CAFÉ DA MANHÃ

A ler: Paula Capaz e SAntónio Costa Santos

Publicado por Teresa C. às agosto 13, 2008 09:00 AM

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