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agosto 11, 2008
ALVURA RENTE À PELE

Will Kramer
Nunca bastantes. No perfil em que as alinho, escandaliza o excesso. O arco-íris está inteiro, porém, as brancas dominam o resto do pelotão. Refiro-me à alvura tentadora das camisas que prefiro. Cetins, sedas engelhadas, algodões translúcidos. Trabalhados ou lisos. Punhos dobrados, simples ou com atilhos. Se viajo, são as que primeiro dobro e emalo.
Jeans, saia e casaco ou qualquer base outra serve para complementar a finura branca do tecido da camisa. Permito-me envaidecê-las com acessórios improváveis. Favorecem arrojos, que, de resto, nunca abdico. Alguns só eu entendo, que à excentricidade ostensiva, rude, digo não. São os discretos, aqueles das subliminares mensagens dos quais retiro maior prazer. A lingerie, destacada levemente e em harmonia com a virginal camisa, é um deles.
Imaculadamente passadas é regra. No engomar nem sou maníaca, salvo nas camisas. Ao vesti-las, é o cheiro da infância que regressa. Lembro as férias de verão e os linhos cheirosos que forravam camas. De ver roupa a corar para que o branco não fosse perdido. Como estendal, o alecrim em sebe - assim recomendava a avó. E, ao colar a pele à macieza do tecido, é paz que visto. O perfume, como nuvem em que antes penetrei, não é o do alecrim, contudo, é deste o símbolo e dele o cheiro. Como antes.
Publicado por Teresa C. às agosto 11, 2008 09:06 AM