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agosto 10, 2008

BOTÃO DESPEJADO DA CASA

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Olívia de Berardinis

Bijutaria – "pequena obra destinada a enfeite ou adorno. Do francês bijou." O dicionário não se alarga, mas qualquer mulher diria mais - enfeitiça pela novidade e pelo frívolo. Missangas, pedra, osso, flores, conchas e plumas, tudo serve. Basicamente um acessório certeiro a par da fenda na saia ou do botão despejado da casa, como armas poderosas que Patton não renegaria. Estratégia que pode ser mais avassaladora que a blitzkrieg.

Camisa entreaberta e lenço curto de algodão rematando o pescoço, sugerem resistência partisan; emboscada, esperança na “França Livre.” Colar de pérolas, recortado no colo despido pelo decote de um tailleur, é batalha de Stalingrado – início de capitulação.

Jeans justos alcandorados em saltos, sem colar ou brincos étnicos, ficam tão desprotegidos como o Afrikakorps de Rommel. Já os bordados duvidosos nas honestas gangas são kamikases (espatifam o requinte sem apelo nem agravo) conquanto o recheio dos jeans seja tão decisivo quanto o talento do Montgomery. E é simples – existe ou não! Quando as curvas traseiras rematam pernas longas coladas ao tecido, lembram resposta ao ataque japonês à base havaiana de Pearl Harbor: declaração de guerra ao Eixo. Masculino para começar.

As que pecam por excesso nos enfeites, se por um lado lembram abeto natalício, por outro são rés do julgamento «nuremberguiano» das suas pares. Implacáveis, mas justas!

CAFÉ DA MANHÃ
A ler: Marta Botelho

Publicado por Teresa C. às agosto 10, 2008 08:31 AM