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agosto 04, 2008
OS PRIMOS LIMA

Steve Hanks
Fátima e António. Irmãos. Ele mais novo do que eu um par de anos, ela nascida quatro anos depois. Nas férias grandes da infância e adolescência, partilhámos tropelias e enredos; merendas de fábula servidas pelo meio da tarde. Abundando imaginação, o tédio não era conviva. Monopólio, loto, jogos de palavras e números, cantoria e passeios entretinham-nos até ao banho que precedia o jantar. Quais cabritos monteses, cabriolávamos encosta acima da Estrela até aos frondosos parques dos Conventos de São João Baptista - um masculino e seminário, outro feminino e lar de alunas da região. A ordem religiosa alemã fornecia às obras sociais apoio por homens e mulheres “consagrados” (peculiar esta concepção!). Eles e elas altos como cruzeiros de granito. Os centímetros a mais e os bondosos olhos azuis depressa afeiçoarem desvalidos e os nativos em geral.
Na época da crescença decisiva, a Fátima, o António e eu seguimos caminhos diferentes. Ela escolheu Medicina, ele optou por Direito. Passei-me da Coimbra de sempre para Lisboa e, por isso, desencontrei o António que, pela mesma época e mais a irmã, rumou à utopia estudantil do Mondego. Houve casamentos, separações, filhos e progressão nas carreiras. Cada um se ajeitou como pôde à benevolência da fortuna. Conto anos sem ver o Tó.
Soube hoje que a Fátima Lima é directora do centro de saúde. Aberto dia e noite, há quase uma semana recorri à urgência com um familiar muito querido. Assistência exemplar da entrada à saída. Humanidade na fala e nas atitudes. Edifício novo e bem equipado. Uns dias atrás, encontrei a Fátima. Elogiei o serviço e as mudanças. Discreta, sorriu e nada acrescentou.
Publicado por Teresa C. às agosto 4, 2008 08:54 AM