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agosto 08, 2008

NAMOROS ALFORRIADOS

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Greg Horn

Quem não namora está out. Namorar deixou de ser coisa de donzéis mal iniciados nos arrepios eróticos e tornou-se imperativo em qualquer condição. Namoram casados, amantes, adolescentes e serôdios. Namora quem vive uma relação de cariz sexual. Quem não o faz por ausência de parceiro, por estar pelos cabelos com o que tem, ou por desprezar lamechices de gestos e palavras, está fora da onda namoradeira onde é suposto submergir.

A conjugação do verbo namorar nunca foi tão transitiva - basta reunir disponibilidade, atenção, partilha e proximidade. Envolvendo registos tão diferentes quanto a natureza dos afectos. Onde cabe, também, o amor romântico. Ou a paixão. O flirt, é limbo picante, solução quimicamente concentrada em «onas» e «inas». Adrenalina para o vulgo, que de fórmulas e estruturas moleculares pouco reteve além do H2O e H2SO4.

Muito antes do século passado finar, foi alforriado o namoro. Porém, os portugueses ainda pintalgam de ferrugem o olhar quando a mulher se adianta ao homem na idade. No inverso, quem observa reparte-se entre a lisonja ou aceitação, dependendo uma ou outra de quão vistosa é a namorada. Com a mulher é injusta a diferença. Apresente-se ela como brasa candente, ou ele como tição inflamado, não se livram da estupefacção alheia - “Tem mais que idade para ter juízo!” Ela, está visto, que dele dirá a eloquência coscuvilheira: “Que verá ele nela, Santo Deus?” E eles vêem, elas também, e, sem detença, namoram a bom namorar.

CAFÉ DA MANHÃ
A ler: Rititi e Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às agosto 8, 2008 08:30 AM