« O PÊNDULO DAS MULHERES | Entrada | O INSONDÁVEL MISTÉRIO DOS «Vs» »

agosto 15, 2008

RAMELOSA PELA MANHÃ

sorayama_332.jpg
Sorayama

À parte a nata que habita casarão de família em pleno centro urbano ou prédio da zona histórica, airoso, remodelado e, por isso, luzidio como brinco acabado de comprar, a espuma social vive em condomínios fechados. Na ausência de estrelas classificativas, distinguem-se por parâmetros difusos, se bem que consensuais: é diferente habitar no Alcântara Residence ou no Massamá Place.

Quem olha de fora os portões e gradeamentos dos guetos ajardinados, pode ser ingénuo e julgar os de dentro com vidas desafogadas. Abastança não raro fictícia - sabido é que calotes e preço por metro quadrado são directamente proporcionais. Condómino pontualmente pagante das mordomias mensais, é raro. Lugar de venda de frutas e legumes levando a casa a encomenda, é bom que se rodeie de cautelas – as empregadas recebem, a «senhora» nem vê-la e, semana após semana, a «continha» cresce como pico da Estrela.

As empregadas são o lado picaresco. Na negociação do contrato, indagam se têm lugar na garagem, já que “estacionar foi um inferno.” A meio da tarde, as «babás» empurram cadeirinhas e vigiam querubins loirinhos e de olhos azuis. Cada uma reclama para a respectiva patroa maior (des)mérito social – “É como te digo, Zulmira, «hádes» ver ela na revista que te falei. Ninguém diria que aquela é a ramelosa que encaro pela manhã quando lhe entro em casa!”

A coisa chegou a tal ponto que, estando aqui a «piquena» partilhando limpezas profundas com a Cila - no momemto empoleirada num escadote -, fui abrir a porta ao novo funcionário do talho. O homem mirou-me e, antes de entregar a encomenda, perguntou: “a Senhora está?”

CAFÉ DA MANHÃ
A ler: Rita Barata Silvério e Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às agosto 15, 2008 09:08 AM