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setembro 29, 2008

ENTRE UM CHOCOLATE E UMA MAÇÃ BRAVO ESMOLFE

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Will Kramer

Entre um chocolate e uma maçã bravo esmolfe, opto pela última. Nem é pela história da variedade que dizem nada há duzentos anos na aldeia de Esmolfe, no concelho de Penalva do Castelo. Talvez a produtividade mais baixa que média e o amadurecimento completado na segunda quinzena de Setembro a tornem raridade apetecida. Talvez associe Outono a roer fruto aromático, manchado de carepa, com polpa branca, macia e sucosa. Talvez seja vício herdado da infância pela remessa, chegada em cabaz a Coimbra, dos terrenos familiares da Beira Alta. Seja pelo que for, dispenso chocolate, bolachas e doçuras empacotadas. Não prescindo de cheiroso fruto da terra. Manias!

Dei por mim a louvar antepassados pelos gostos simples que herdei. Razão: corre notícia da Cadbury, marca afamada, ter mandado retirar ontem, em Hong Kong, 11 tipos de chocolate fabricados na China. Da Indonésia veio o alerta de elevados níveis de melamina encontrados nas bolachas Oreo, chocolates M&M's e Snickers também produzidos na China. A empresa responsável pelas bolachas Oreo apressou-se a garantir que a produção oriental não chega à Europa. À letra: os europeus estão a salvo, os asiáticos que se avenham. É reconfortante para os viciados em doces prêt-à-porter desta banda do mundo saberem que a contaminação dos produtos lácteos não os atinge. Os seres outros, que a longitude remete para além-ocidente, podem engolir melamina - assim, como assim, julgam os de cá, entre cães, gatos e ninhos de andorinha, não será um químico a afligi-los, mesmo quando 54.000 crianças são intoxicadas e algumas se despedem da incipiente vida.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
Manuel S. Fonseca

"A morte anunciada do facto político" - "O facto político andava adoentado e decidiu consultar um especialista.(...)"

Publicado por Teresa C. às 10:23 PM | Comentários (2)

setembro 28, 2008

QUEM EXIGE DEUSES QUE OS FAÇA

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Autor que não foi possível identificar

Ontem, o nosso Primeiro, José Sócrates, completou a meia-maratona da Grande Alface em pouco mais de uma hora. Está em forma, conquanto afirme que, apesar de só treinar duas vezes por semana, está “com ganas, com força”. É bom sabê-lo.

O Homem comete erros, mas tem ideias e coragem. Já tardava alguém que tivesse tudo no sítio e não se acobardasse pelo aceno da reeleição com maioria absoluta. Ajoelhados perante os lobbies instituídos, temos abundância. Medidas eleitoralistas são comuns no último ano do mandato. O partido de governo, que do mesmo não está inocente, pela certa não adiantará um pé para se acusar.

Queixam-se alguns-muitos, também caí no lugar-comum, dos governantes não serem deuses, isentos de tentações e fragilidades comezinhas. Podemos pedir aos que nos dirigem a conduta rectilínea que a nós, aos amigos e à família não exigimos? Por outras palavras, o mesmo escreveu Manuel S. Fonseca aqui ou ali. Registei, ao ler, o bom senso e a justiça. Quem governantes-deuses exige é bom que na família os eduque para a nobreza no ser e estar. Daqueles que, actualmente, dirigem o país, uma coisa é certa – são portugueses como os outros, tiveram pais, irmãos e avós. Sendo requisito a elevação na tarefa de governar, que hoje se inicie o futuro.

CAFÉ DA MANHÃ
Teresa C.
Mauro Castro
MESTRE FIGUEIREDO SOBRAL e MESTRE ALBINO MOURA

O MAC (Movimento Arte Contemporânea) convida para a Exposição de Homenagem ao Mestre Figueiredo Sobral que inaugura no espaço MAC, Rua do Sol o Rato, 9C, em Lisboa, pelas 19 horas do dia 30 de Setembro. Esta mostra estará patente até 31 de Outubro de 2008.

Publicado por Teresa C. às 10:24 PM | Comentários (3)

setembro 27, 2008

AS ÁRVORES DA MINHA RUA

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Autor que não foi possível identificar

As árvores da minha rua são frágeis. Penosamente, crescem fustigadas pelo vento que sopra neste corredor. Não era o Outono chegado, e já as folhas extremavam castanhos. Folhas largas que antecipam a luxúria comum ao viço dos plátanos adultos. Contra ventos e securas, os troncos esguios e despenteados continuarão a caminho dum céu rasando o terceiro andar. Por ora, as folhas tombam na calçada.

As árvores da minha rua não desmentem do ano a estação: os rebentos miúdos desdobraram-se em tecido vegetal sedoso. Depois, o brilho do verde iluminou os passantes atentos, também os meus olhos que o vigiaram ao debruçar-me na sacada. Precário, como é próprio dos vivos, tinha sumido no regresso de férias. Curta existência para a fome de beleza do “sentir muito”…

Do Paul Newman conhecemos o talento que o cinema divulgou. Sabemos como preservava as paixões: pela mulher (Joanne Hoodward), pelo cinema, pelo acelerador, pela filantropia. Teve o mundo cinematográfico, os outros também, aos pés. Homem lindo e sedutor pelos dons, entrega e pureza no estar. Tal como as folhas das árvores da minha rua, caiu à terra cedo demais.

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho
João Moreira de Sá
"Sucker Love" - Cat on a Hot Tin Roof

Publicado por Teresa C. às 08:36 PM | Comentários (0)

SARAH PALIN, BRUXARIA E O «GIRAÇO» DE SERVIÇO

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Autor que não foi possível identificar

Comentador de futebol «giraço», elegante, discurso fluente e isento de arrogância, é raro. Dos olhares enviesados que me mereceu – outros interesses se erguiam -, foi o que retive da espera pelo “Expresso da Meia Noite”. Ecrã recheado com um espécime daqueles é digno de ser visto. Fatiota bem escolhida para quem não dispensa ou é obrigado ao equivalente às fardas colegiais - fato cinza antracite, camisa branca, gravata de riscas brancas e azuis em tom vivo. João qualquer coisa de seu nome – a incerteza advém de evitar atafulho dos ficheiros da memória com menoridades

Antes, arregalara o olho ao assistir à comovente convicção de Sarah Palin, quando em Outubro de 2005 foi protagonista de um ritual de bruxaria. Pelo uso do termo não se escandalizem puristas da língua portuguesa. Nos dicionários, consta que bruxaria pode ser entendida como feitiçaria, sortilégio, coisa que não se sabe explicar, ou parece obra de algum poder sobrenatural.

Mais do que a propriedade da palavra interessa a atitude da candidata conservadora à vice-presidência dos Estados Unidos. Ter sido miss Alasca não lhe deslustra o currículo. Em contrapartida, é incompatível com o pragmatismo, rigidez moral e ética que apregoa buscar auxílio nos fazedores de milagres, no caso o sacerdote queniano Thomas Muthee.

O facto não terá relevância na votação para as presidenciais americanas: mulher que também é frágil, acredita num «além» atapetado de vermelho, pode ser mais-valia para os cidadãos que se revêem nas fraquezas alheias e não desdenham a quiromancia ou as cartas quando a vida os aflige. Porém, mesmo uma incoerente como eu ficou perplexa pela contradição. Da “Dama que Veio do Frio” esperava melhor.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz
Desde Ontem

“Não é o Magalhães de Sabrosa” – “Não anda nas bocas portuguesas o Magalhães nascido em Sabrosa, Alto Douro, corria o ano de 1448 (…)”

“Ai solidão” – “O que é que Greta Garbo queria dizer quando disse: "I want to be alone"? Ou melhor, (...)”

Palin Witchcraft
Aniversário do SPIN
Agradeço ao excelente "Foleirices" a lembrança.

Publicado por Teresa C. às 12:06 PM | Comentários (0)

setembro 26, 2008

PALAVRA DO DIA: FDP

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Elvgren

Buscava dicionário online quando o Google me assinala um: “Dicionário informal”. Pela novidade do nome, entrei sem bater à porta como é próprio da informalidade virtual.

O conceito subjacente ao dicionário surgiu logo abaixo. Reza assim: “O dicionário de português gratuito para internet, onde as palavras são definidas pelos usuários. Uma iniciativa de documentar on-line a evolução do português. Não deixe as palavras passarem em branco, participe definindo o seu português! O Dicionário inFormal é do caralho! Ali não existem definições certas ou erradas, mas definições da vida real para o português.”

Respirei fundo e fui por ali dentro. Primeiro esclarecimento obtido: “Palavra do dia: fdp. Abreviação para Filho da puta. Amplamente difundida na internet. Quase que estritamente utilizada na forma escrita. Exemplo - Foi aquele fdp que roubou meu celular!”

Já conhecia «semesses» para «sms», «gênêrrês» como abreviatura alternativa dos agentes fardados de cinza, membros da honrada e antiga instituição Guarda Nacional Republicana. Aumentei o pecúlio de siglas. Em vez de palavras, abri mundo novo para a escrita - “ñ fosse aquele fdp q tv venha e o fds tb seria mt bom.” Um mimo de economia.

CAFÉ DA MANHÃ
Carlos Amaral Dias

Agradeço, penhorada, os presentes recebidos pelo quinto aniversário do SPNI – a sigla que o dicionário me sugeriu para "Sem Pénis Nem Inveja", suaviza a crueza do pénis que tantos maldizem.

Obrigada “Apenas um gajo”, Dobra do Grito, Edgar, “J.”, JoãoG, Justo, Leonor, Luna, Madalena, Paulo, Shark e “VdeB”.

Desde Ontem

“Resposta a um comentário” – “O leitor Alberto Nogueira comentou a minha última crónica e tenho uma resposta (...)”

“O sainete do PÚBLICO” - Com chamada à primeira página, o PÚBLICO de ontem (23 de Setembro) (...)”

Publicado por Teresa C. às 12:50 PM | Comentários (3)

setembro 24, 2008

CARA DE METE-NOJO

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Michel Gourdon

Acordei com a cara de mete-nojo habitual, daquela agravada por escassas quatro horas destinadas ao dormir. A condição de bicho nocturno não vai comigo – prefiro a ancestral sabedoria do “deitar cedo e cedo erguer” que me satisfaz a exigência biológica de oito horas de sono. Programa matinal: ser testemunha num processo de divórcio litigioso.

Estacionei onde pude. Depositei dois euros no sarcófago do parquímetro – ante mais do que menos e à cautela, dada a eficiência dos reboques e o imprevisível regresso à lata viária. Antes, suportara fila de trânsito inaudita para quem, sobre rodas, soe estar a menos de dez minutos da Praça de Espanha. Tive tempo para ruminar na insana atitude que leva um adulto (homem, no caso) a rejeitar pedido de divórcio. Pior: permanecer dois anos e meio no domicílio conjugal, sujeitando mulher e filhos a um clima de violência física e psicológica. A ela partiu-lhe um osso, continua refastelado na cama ex-conjugal, frui do quarto “ensuite”. A candidata a «ex» dorme no sofá num recanto do salão. Ele vigia quem há vinte anos sustenta a família. Dos filhos faz marionetas. Invade a precária privacidade da mulher seja enquanto ela dorme, ou no veste-e-despe. Ambiente de terror que, sabiamente filmado, eriçaria os pêlos a qualquer.

A escrivã mandou-me às malvas hora e meia após a chegada. Em Novembro, lá estarei. Que por mim nem um dia mais continue o ambiente malsão naquela casa.

CAFÉ DA MANHÃ
Madalena Palma
Rui Pelejão
MEMORANDO VIRTUAL

1. “A propósito do caso da destruição dos painéis da Maria Keil, pelo Metropolitano de Lisboa, está no ar uma petição para pedir ao Conselho de Gerência desta empresa que procure obter os desenhos originais e mande executar de novo os painéis destruídos.

Se quiserem subscrever esta petição, está neste sítio. Pior que o crime cometido, será o silêncio...”

2. Agradeço aos leitores os mimos de ontem. Amanhã, enunciarei um a um. Arrecadei cada palavra com infinita estima.

Publicado por Teresa C. às 09:11 PM | Comentários (2)

HAPPY BIRTHADAY Mr. “SEM PÉNIS NEM INVEJA”

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O “Sem Pénis Nem Inveja” completou ontem cinco anos. Dei conta há pouco. Parabéns, OK!... Que conte muitos. Porque o dia foi diferente, em vez de palavras e pintura há fotografias duns instantes magníficos. Em simultâneo, sacámos armas dos coldres; todavia, foi telemóvel empunhado por mãos amigas e mais diligentes do que as minhas a capturar os momentos.

CAFÉ DA MANHÃ
Paula Capaz
António Costa Santos

Marilyn Monroe - Happy Birthday Mr. President

Publicado por Teresa C. às 01:30 AM | Comentários (10)

setembro 22, 2008

ARRIBA O LEITE PORTUGUÊS!

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Autor que não foi possível identificar

Não gosto da espanholada. Distingo-os dos espanhóis a quem reconheço qualidades e hábitos culturais que nos faltam. Porque o fado se virou contra mim e durante uma semana tive a companhia de alguma espanholada, relembrei as razões que desde miúda até ao alvorecer da idade maior me tinham afugentado do nosso parceiro ibérico. A espanholada cacareja sem detença, é (in)dignamente pirosa, e no regime “tudo incluído” enfarda, bebe, refastela-se para, de seguida, recomeçar a sequência. A "portugesada," neste detalhe, é semelhante.

Pois ontem, os hermanos de quem lhes atribui o estatuto não estiveram com meias-medidas: entornaram o leite português, pretextando concorrência desleal com os «leiteiros» donos das vacas fronteiriças. Um descaro! Como se alguma vez lhes tivéssemos pisado a fruta que nos impingem ou deixado apodrecer o “pescado” nos congeladores dos supermercados. Não o fizemos por sermos os bravos do pelotão europeu, dispostos a sacrificar a economia nacional para que a União dos vinte e muitos tenha significado e consistência.

No Verão que o Outono chegado desalojou, cometi a veleidade de me aventurar pelas terras de “Don Quijote”. Em vez de passeio, diria tortura pelo calor e pela mania dos «hermanos» satisfazerem o ritual nacionalista da «siesta» que tudo cerra até depois das cinco e meia da tarde. Tive de aguentar a secura até, lentamente, devagar, devagarinho, abrir portas o comércio. Pelas ruas, nem viv’alma que por mor dos antepassados me antecipasse “botella” de água.

Quando o Torrente Ballester publicou “Crónicas do Rei Pasmado”, de imediato percebi que, como sempre, sabia de que falava.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
Manuel S. Fonseca

Publicado por Teresa C. às 11:32 PM | Comentários (7)

setembro 21, 2008

ONDE SE FALA DE “EX” E FRANGOS ROUBADOS

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Mark Blanton

A esperteza é a arma do momento. Nas relações homem-mulher, por exemplo. Por saberem frágil a argumentação perante uma mulher cuja despedida pretendem, as sms dispensam os dez mandamentos de um amigo de muitos anos que os respeitava escrupulosamente. Um cavalheiro, enfim!, que cuidava de deixar a ex-amada com o ego inchado e a ilusória convicção de ter sido Mulher de mais para o pobre coitado. Que não era. Um homem e tanto, um tição capaz de incandescer o mais protegido coração feminino. Ainda falam da suposta frigidez da Governadora do Alasca, Sarah Palin! Nem no igloo estaria protegida. O meu amigo derreteria ambos em menos de um suspiro. De bom grado, assistiria de bancada ao tempo de fusão da respeitável e rígida senhora. Os candidatos a ex-namorados, queixam-se elas, numa mensagem arrumam a brincadeira que os entreteve. Cobardes, rosnam. E dou-lhes razão. Afinal, onde fica a valentia quando se trata de conferir voz, rosto e corpo ao “the end” pretendido? Nem me deterei, por não ser este detalhe ridículo que me traz aqui.

Foi descoberto, na semana que findou, um cartel que reunia empresas de catering. Forneciam refeições a hospitais, escolas, prisões e vários serviços públicos. Entre elas combinavam preços a concurso, rotação de modo que a cada uma coubesse, vez-à-vez, o seu quinhão. Mais: estabeleceram pactos de não agressão. As agências noticiosas adiantam que os membros do cartel obtiveram lucros superiores a 170 milhões de euros. A Autoridade da Concorrência afirma terem incorrido numa multa de 38 milhões de euros. Em números redondos, 130 milhões foi a maquia arrecada. Malvado sistema que penaliza o desgraçado cuja fome leva a roubar um frango no supermercado de bairro, e permite aos especialistas no conto-do-vigário lucros faustosos! O Olimpo tem de andar louco.

CAFÉ DA MANHÃ
Teresa C.
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 10:25 PM | Comentários (4)

SANGRAR ESTÁ PELA HORA DA CP

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Autor que não foi possível identificar

Uma mulher sai do trabalho. O dia inteiro incomodada por uma hemorragia imparável que nada conseguia absorver. Mete-se no comboio a caminho de casa. A meio do percurso, o derrame é tal que telefona à filha para a ir buscar ao destino. Mal se tendo em pé, sai com a vaga consciência de ter a roupa encharcada. Dali, levam-na para o hospital. É operada nessa mesma noite.

Após a convalescença que não prolonga, regressa ao trabalho. Quando julga o pior passado, eis que lhe chega uma “cartinha” da CP. De início, pensa haver equívoco no destinatário. Mas não - o nome era o dela sem tirar nem pôr. Abre, entre o perplexo e o suspeitoso. Do limbo de emoções passa à estupefacção: a CP exigia-lhe o pagamento de 2000 euros pelos danos que causara em dois assentos. Compreensiva, a empresa deixava alternativas: a mais benévola permitia que pagasse os estragos em três vezes.

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho
A primeira crónica do João Moreira de Sá no PNET Homem
Desde Ontem

“Rosa em botão” – “A falta de liquidez, o encerramento de bancos de investimento à míngua de depósitos, o estigma (...)”

Publicado por Teresa C. às 01:06 AM | Comentários (2)

setembro 20, 2008

"GAJO” MODERNO

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Pax Nidorf

Enviada por comentador mui atento e assertivo, obtive esta saborosa descrição de um “gajo”. Reservá-la somente para mim, seria venialidade que não cometo – reservo-me para outras das quais prezo contar muitas. Aumentar o meu pecúlio pecaminoso somente com inefáveis prazeres outros.

“Namoram
Vêem futebol
Trabalham
Bebem cervejas
Namoro
Futebol
Trabalho
Docas
Ir Namorar
Ir à Luz
Ir Trabalhar
Ir às docas
O CCB!
Gajas
Bola
Escritório
Bjecas
Gajos
Bola
Trabalho
BairroAlto
AS FÉRIAS!
Namoro
Futebol
Trabalho
Docas
Namorar
Alvalade
Trabalhar
Docas
Gajas
Bola
O Chefe
Bjecas
Gajos
Bola
O Chefe
Caipirinhas”

Subscrevo a síntese, excepto nas caipirinhas.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz
Desde Ontem

“O gigante bancário sentou-se à mesa daquele restaurante de luxo. Pediu a lista, e depois (...)”

Alfaiates de aforismos - “Os aforismos são como os fatos, assentam bem quando são feitos à mão e o (...)”

Desde Hoje

Tanto Barulho Por Causa De Um Aspirador? – “Devido ao comentário do Rui Pelejão - “O Bosão de Higgs, homessa! Tanto barulho por causa de um aspirador?” – cumpre-me esclarecimento que busquei: (...)”

Publicado por Teresa C. às 12:00 PM | Comentários (2)

setembro 19, 2008

EM VEZ DA SIERRA MAESTRA

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Tom Albert

Foram quinhentos mil euros. Em potência de base dez e notação científica, 5x10 elevado a cinco. Maquia de respeito. Enrique Duran surripiou-a a várias instituições bancárias em Espanha. Não deixou rasto na segurança social, tão pouco no sistema fiscal espanhol. Constituiu uma empresa de prestação de serviços que classificou como produtora. Munido de fotocopiadora, papel cola e tesoura conseguiu o objectivo. Começou por por pedir crédito, argumentando que necessitava de obras em casa, de comprar um carro e material audiovisual para a produtora. Isto após três anos de estudo do sistema bancário. Vulnerável, como fez prova ao denunciar-se na revista Crisis. Não tivesse soprado o trombone e ainda os lesados estariam no pomar de Jesus.

Das verbas arrecadadas afirma não devolver um cêntimo – segundo ele, destinou-as para acções de alerta da crise do sistema de que padece a sociedade actual afundada na globalização. Ao desvio de meio milhão de euros chama-lhe desobediência civil. Um Che Guevara contemporâneo – em vez da má vida na Sierra Maestra, confronta o estabelecido recostado numa cadeira frente ao computador. Rica vida!

CAFÉ DA MANHÃ
Carlos Amaral Dias
Desde ontem
Aos assaltantes das Finanças de Sacavém. Quando puderem, devolvam os meus pagamentos por conta. Aceito cheque. Resposta ao nº 100. Anos de Perdão.
NA GRANDE ALFACE
O MAC-Movimento Arte Contemporânea, em parceria com a Niram Art Magazine, inaugurou a exposição de Romeo Niram Brancusi:E=mc2, fundador daquela publicação.

A mostra está patente na Rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa, de segunda a sexta das 13h às 20h, aos sábados das 15h às 19h, e aos domingos por marcação. Encerra a 30 de Setembro.

Publicado por Teresa C. às 09:51 AM | Comentários (0)

setembro 17, 2008

DA FNAC QUEIMAVA 90%

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Alberto Vargas

De um conhecido ouvi dizer que ter um blogue é o mesmo que gemer em público. Mais dizia: para diário falta a privacidade, para soltar vagidos é de mau-gosto fazê-lo em público, como copy/paste do que “está a dar” é inútil, para trampolim a mais altos voos carece de credibilidade e talento. Era o mesmo que afirmava que se lhe ofertassem a Fnac ficava com dez por cento e queimava o resto. Um pedante, em suma! Até fraseava bem, obedecendo em tudo à semântica e ao estilo próprio da escrita criativa. De tão enigmático, raramente o entendia. Textos para intelectos superiores ao desta humilde escriba.

O saboroso da blogosfera é vê-la partilhada por gentes públicas e notáveis, que, lado-a-lado convivem com dislates e registos avulsos de anónimos como eu. Um caldo sem eira-nem-beira que me atrai – se na canja de galinha gosto de colocar na fervura uma cebola inteira, logo é visto que o género molde bem enformado não me satisfaz.

Estava o mundo dos blogues posto em sossego, quando ontem é aberto o Blogue da Fundação José Saramago. O nosso Nobel, escrevendo de Lanzarote ou doutro sítio tão lunar como aquele – entermeia dromedários com vinhedos que espreitam nas covas vulcânicas -, afirma que “chegamos sempre aonde nos esperam”. "Desculpas!" dirá o conhecido de outras eras. Uma “carta de amor a Lisboa”: «Mexendo nuns quantos papéis que já perderam a frescura da novidade, encontrei um artigo sobre Lisboa escrito há uns quantos anos, e, não me envergonho de confessá-lo, emocionei-me. Talvez porque não se trate realmente de um artigo, mas de uma carta de amor, de amor a Lisboa. Decidi então partilhá-la com os meus leitores e amigos tornando-a outra vez pública, agora na página infinita de internet e com ela inaugurar o meu espaço pessoal neste blog».

Isto sim, é suspiro com arte e engenho! Bem me apetecia ser o nitrato por detrás do espelho do antigo conhecimento!

CAFÉ DA MANHÃ
Madalena Palma
Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 10:25 PM | Comentários (4)

ONDE SE FALA DE CAFETEIRAS E DA PNEUMONIA NOS STATES

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Lauren Bergman

Que as luzes se apagassem quando ligo a cafeteira eléctrica em simultâneo com o forno e as máquinas de lavar, estava habituada. Que o automóvel não tugisse nem mugisse por ter esquecido horas a fio uma luz interior acesa, é facto. Que a net fosse abaixo, também – deduzo a empresa que ma fornece ao domicílio como das mais zelosas no que concerne a actualizações e abrangência, por ser essa a justificação fornecida quando a “fonte seca”. Para cúmulo, o que revela a propriedade da máxima que avaria de um electrodoméstico vem acompanhada de mais uma ou duas, os meus portáteis «cracharam» ao mesmo tempo. Hetacombe para quem parte substantiva do trabalho é feita através deles.

O que não esperava, mas fosse eu sábia e devia suspeitar, era «badagaio» simultâneo de imponentes bancos e seguradoras mundiais, dos States principalamente. A pneumonia económica chegou a Portugal e já o povo se mexe cuidando de salvaguardar seguro de vida e do automóvel. Nem falo de investimentos dos raros portugueses que possuem euros de lado e os investem na bolsa. Por ora, «crachou», caiu a pique, por pouco não bateu no fundo.

Como pelintra que sou, olho de soslaio para a «lata» que na garagem me aguarda. Enretanto, recebi a factura do seguro. Pagar, pago, por odiar a condição de caloteira. Mas, se num vendaval, árvore insegura me esborrachar a carripana, quem me garante que a credenciada seguradora não se finou por pneumonia importada do exterior?

CAFÉ DA MANHÃ
Paula Capaz
António Costa Santos

Publicado por Teresa C. às 01:17 PM | Comentários (6)

setembro 15, 2008

DUAS VEZES POR SEMANA, NINE TO FIVE

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John Kacere

Pela primeira vez, duas vezes por semana, sei o que é o Nine to Five. Não me parece mal: faltava-me a experiência comum a tantas mulheres submetidas a horário comum. Não que seja secretária numa grande empresa como eram a Jane Fonda, a Lily Tomlin e a Dolly Paton. Felizmente, estou longe de servir um chefe com mau carácter, machista, hipócrita e aproveitador que me infernize a vida. Arredada está a hipótese de me perseguir sexualmente – perderia o tempo e o engenho. Nem preciso de humilhar, em parceria, quem me dirige como acontecia no Nine To Five, hilariante comédia de 1980 dirigida por Colin Higgins. Uma Mulher fantástica é a minha superiora hierárquica. Seria absurda qualquer retaliação, ainda por cima acumulando o cargo com o de amiga. Não que me abstivesse de comportamento assertivo se um(a) filho(a) da mãezinha se atrevesse a assédios para o conhaque. Juro que da vez primeira não passava, ou não me assine Teresa C. Se há coisa que me irrite é miscelânea de papéis e pesporrências de meia-tigela venham deles ou delas. Não sou fácil de domar, está visto!

Voltando ao que me traz aqui, o horário de mulher trabalhadora comum é dose a que não estava habituada. Ainda mal! Não tendo que ir à ama buscar o benjamim, passar pelo supermercado e comprar pernas de frango para a janta, recolher no colégio o mais velho, chegar a casa e trocar os saltos pelo avental, os ensinamentos obtidos são condizentes com o imaginado. Grandes Mulheres que o nosso povo engendra! Enquanto me fico no bem-bom alheado das tarefas domésticas e, mesmo assim, as horas cavalgam até a deita chegar, que dizer das minhas congéneres cujo final de dia obriga à multiplicação das horas como as Escrituras contam dos peixes? Presto homenagem à gestão que fazem do quotidiano. Ao amor que depõem nos afazeres. Ao sorriso e à conversa que anima o serão. À ternura que distribuem até o sono chegar.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
Manuel S. Fonseca


Nine to Five (trailer)

Publicado por Teresa C. às 11:31 PM | Comentários (0)

setembro 14, 2008

OU O DENTISTA, OU O VAZIO

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Andre Wek

Há risco de vida numa urgência hospitalar. Que o digam os utentes do Centro de Saúde de Odemira. Por falta de médicos que o ignoto lugar também justifica, um médico militar, idoso, reformado e dentista foi contratado para despachar filas de horas na urgência de Odemira. Os utentes estranharam a inabilidade do servidor nos cuidados prestados no suporte avançado de vida. Não bastam os vírus e bactérias perigosos que nas urgências contaminam o inocente cidadão que fez um rasgo na perna, ainda este corre o risco de um dentista lhe cozer a dita!

A Directora do Centro de Saúde de Odemira afirma não ter havido escolha – ou o dentista, ou o vazio. Aos concursos públicos para preenchimento de vagas nas urgências, concorrem médicos tarefeiros. Cada serviço de urgência é bem pago - nalguns casos 500 euros se por troca o serviço. Não faltam candidatos que rezam aos santinhos da respectiva devoção para serem aceites de Santarém a Évora. Isto se a residência fizer parte da Grande Alface. Para lá do raio de cento e poucos quilómetros em auto-estrada, abstêm-se. Odemira e outros lugares ficam excluídos por distância a mais, recursos a menos.

Parece haver défice de médicos. Ledo engano! Existem para abranger o país de lés-a-lés. O cerne do problema está na centralização dos hospitais onde é feita a designada “especialidade” – formação médica complementar. Fosse um candidato a pediatria colocado em Beja, estivesse esse núcleo hospitalar em condições de prestar formação digna, e, aos poucos, pela região fixar-se-iam profissionais competentes. Avanço fundamentos para a ilação anterior: (...)

CAFÉ DA MANHÃ
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 05:01 PM | Comentários (3)

MADONA NA GRANDE ALFACE

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Autor que não foi possível identificar

Do vazio que nos constitui não há dúvida. Protões e neutrões arrumam-se, através de forças várias, no núcleo dos átomos. Exemplo vulgar compara a enormidade da distância que separa o núcleo dos electrões mais próximos com o que se passaria no Estádio da Luz, fosse ele átomo de hélio. Núcleo como formiga no centro do relvado, as minúsculas cargas negativas girariam no limite superior das bancadas. Exemplo que diz muito para a mourama - o mesmo é dizer para aqueles que habitam a Grande Alface e dela para baixo.

A Grande Alface recebe hoje Madona. Dizem-na doce e pegajosa. Discordo. Mulher de cinquenta anos, determinada, profissional competente que faz jus ao talento que soube aproveitar. Faz plásticas, é conflituosa a relação conjugal, fanática da forma física? Que importa?!... Arrasta gerações consecutivas que pagam a peso de ouro a possibilidade de lhe sentir o respirar que o sofisticado equipamento amplificará. Significativo é o facto dos mais novos a idolatrarem. De igual modo adoptaram como ícones os Beatles, os Pink Floyd e o Mick Jagger dos Stones. Arrisco deduzir que as gerações de cantores, músicos e escritores que os precederam “trazem-nos pelo beicinho”. Como se nos próximos em idade não encontrassem equivalências motivadoras.

Estando envolvidos no concerto da Madona 550 agentes públicos de segurança e trânsito, hoje é o vazio policial que impera nas ruas e vielas da Grande Alface. Como se a cantora fosse a formiga no centro do relvado da Luz e o resto de Lisboa fosse electrão solitário no extremo superior das bancadas.

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho
Madonna - Give it 2 me

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setembro 13, 2008

A BOCARRA DOS BURACOS NEGROS

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Jessica Dougherty

Ele é um chico-esperto. Um traste. Usa e abusa daqueles que julgam constar do seu grupo de amigos. Afirma contar muitos. Mentira! Para ele amigo é conhecimento passível de ser traduzido em milhares de euros que, diligente, arrumará na conta bancária. Basicamente, um sovina. Tem charme e humor. À meia dúzia de vezes, farta o ouvinte – as piadas e as memórias que graceja não variam; sobre mulheres, fatalmente. As centenas que arrebanhou, algumas constantes nas revistas cor-de-rosa, e lhe escaparam como enguias da mão. Fizeram elas bem. Procura fêmea que o sustente e lhe ampare a idade terceira. O encanto de artista alarga a rede. Elas caem e fogem a igual ritmo. No último ano, apresentou aos conhecidos mais de meia dúzia de potenciais companheiras. Eles riem e olham com piedade a última. E o homem continua a dar razões de chacota ao círculo que alimenta para posterior abuso.

Ela, outra que nada tem a ver com o ele anterior, é uma espertalhona. Astuta e consciente dos meios de que dispõe para levar água até ao moinho cuja mó sabe rodar. Enrabichou-se, online, por um e alguns mais. Disposta a sair das décadas conjugais com património imponente, pede o divórcio. Simula violência doméstica e leva a tribunal o ex-querido que a mimava com Prada. Acusa-o de violência doméstica, de alcoólico, de homem de múltiplas meninas e amigas. Amásias, em suma. Troca um hipotético pontapé, de facto uma tentativa frustrada, por vinte e cinco mil euros e a fatia maior do património que ele constituiu enquanto ela demandava griffes. Um primor de “esposa” que jamais se queixou das viagens de sonho conjugais até os engates online a terem transtornado.

Os deuses nos livrem destes buracos negros humanos – devoram os desprevenidos que lhes rasam a bocarra.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz
DESDE ONTEM
"Ideias Perigosas" - "No blog “Geração de 60” – estranho, estranhíssimo blog, (...)

Publicado por Teresa C. às 12:34 AM | Comentários (3)

setembro 12, 2008

GEME O VENTO E GEMO EU

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Al Moore

Geme o vento nesta manhã de Setembro. Nos noticiários, a rádio debita conflitos institucionais em Portugal, picardias traduzidas por expulsões diplomáticas envolvendo a Bolívia, a Venezuela e os Estados Unidos, medalhas nacionais nos Paraolímpicos, correias de polícias perseguindo ladrões e críticas ao novo Código Penal.

Ontem, na entrevista com a Judite de Sousa, Maria José Morgado reconfirmou a condição de Mulher profissionalmente exemplar. Sabedora, arguta, prudente, ignora temores e o desassombro caracteriza-a. Suscita, em partes iguais, ódios e empatias. Bom sinal: deduzo que ser mulher está arredado da avaliação que dela é feita. É discutido o modo e a qualidade da obra como sempre deveria acontecer.

Curiosidade pobrezinha, é o facto da RTP e da SIC com Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, terem coincidido no dia e no tema das designadas “Grandes Entrevistas”. No Portugal noticioso, o bom e o mau são servidos simultaneamente e em doses múltiplas. Ressalvando os acontecimentos que pela importância congregam atenções, que tal seguir a pérola noticiada ontem do jogador da Selecção Principal de Futebol? Rezava assim: “Bater mais no ceguinho é chover no molhado.” Mal comparado, recordou-me outra ouvida há uns dias num local “In”: “Comprei umas calças preto escuro.” Somos divinos no que à redundância concerne! E geme o vento e gemo eu…

CAFÉ DA MANHÃ
Carlos Amaral Dias
CORREIO

“Sr Porvedor
hoije escrevo-le pouco hà maneira, daquilo que se lê no jornal e os leitores que deveria proteger; e dou-le duas:
(mais a vínrgulas qu'aqui meto, tambem à maneira do jornal, claro... para que possa sentir se gosta de patetices).
UMA (é um enigma) O que significa o texto seguinte, ao referir uma variante genética que protege quem a tem
de ser infectado com HIV:
"Quem o defende é uma equipa de cientistas franceses que comparou que o padrão de prevalência
da variante CCR5-Delta32 com a forma como esta está presente na actual população europeia."
DUAS (é um conflito) O título "Abaixo-assinado contra estrada C.Verde-Mértola e obras na A16",
a fazer pensar que a população estaria contra uma estrada nova, ou contra um traçado indesejado ou contra
a perturbação do uso habitual ou contra outra coisa, precede o seguinte texto: "Quase 700 habitantes de
Castro Verde e Mértola e utentes da Estrada Nacional nº132 (EN132) que liga os dois concelhos,
reclamaram ontem a reparação imediata da via(...)"
Afinal o abaixo-assinado é uma exigência, a favor da reparação urgente da tal estrada e
o título significa o contrário da substância do texto!
(A questão da A16 é notícia também insignificante; porém, de outra natureza - devia estar separada).”


"Já lhe tinha dito que a convivência de palavreados como aqueles com os textos ágeis do Dr. Júdice ou com a prosa elegante do Dr. Bénard da Costa, é contra-natura, não tinha?"

Publicado por Teresa C. às 10:48 AM | Comentários (4)

setembro 11, 2008

11 DE SETEMBRO PORTUGUÊS

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Autor que não foi possível identificar

No ano de 2008, o 11 de Setembro português fica associado à primeira distribuição de prémios e louvores aos melhores alunos do décimo segundo ano que, no corrente ano civil, terminaram o ensino secundário. O engenheiro José Sócrates encarregar-se-á da tarefa numa das escolas do país com maior nomeada – justificada, aliás.

Logo se levantaram vozes alegando o revivalismo da iniciativa que no regime salazarista, depois caetanista, se traduzia em quadros-de-honra e prémios nacionais – quando menina recebi um deles. Reclamo indulgência para a desenvergonhada informação como protagonista de um momento que a televisão e jornais retiveram e vem ao caso. Alunos como eu era, décadas depois, correm idêntico risco de modesta imortalização. Do momento pessoal, recordo estar com febre devida a incómoda infecção das amígdalas, ter muito calor e piscar os olhos sob o holofote e dois ou três flashes. Os pais guardaram o registo possível; o resto deve estar no enésimo duma de milhares de fitas que o pó cobre na defunta Tobis.

Trago à colação a memória por o acontecido não me ter feito algum mal – curei as amígdalas irritadas e do estímulo pecuniário não me queixo. Do outro, persistir no desafio comigo própria, também não. Integrei-o no modo de estar. Venha prova que me convença da malfeitoria infligida à psique dos estudantes por aos melhores serem reconhecidos méritos.

CAFÉ DA MANHÃ
Madalena Palma
Rui Pelejão
Conversas na Bulhosa…com Bernardo Pires de Lima*(18.30h)
"O 11 DE SETEMBRO DE 2001 E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS"
Janice Northcutt Huse GBA60.jpg
Convidados
Dr. José Lamego
(Professor e Antigo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros)
General Loureiro dos Santos
(Especialista em Estratégia, Colunista do Público)
Conversas na Bulhosa… é um espaço, que acolhe escritores, poetas ou tradutores, figuras públicas ou grupos de opinião, à volta de livros e de temas culturais ou da actualidade. Os autores falarão da sua obra, os convidados partilharão com o público as suas leituras, especialistas discutirão e explicarão temas e questões que a todos dizem respeito.
* Autor do Livro "Blair a Moral e o Poder" – Editora Guerra e Paz

Publicado por Teresa C. às 12:14 AM | Comentários (2)

setembro 10, 2008

A NOITE RIBEIRINHA DE ONTEM

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Arkadiusz Walerczuk

Na mansa noite da Lisboa de ontem, frente ao espelho belíssimo que é o estuário do Tejo, a fala desaguou na globalização. Definida como fenómeno gerado pela necessidade capitalista de formar uma “aldeia global”, o objectivo último é alargar os mercados dos países ditos desenvolvidos. Repetidos os cafés, voz do mundo cuja experiência legitima considerações credíveis lembrou ser mais fácil interligar o mundo social e culturalmente do que política e financeiramente. E se a uniformização de padrões de consumo e hábitos está alargada a cada vez maior número de sociedades sem que a dignificação da «pessoa» seja um facto, cabe às artes esse papel. À ciência também, acrescento.

Em Genebra, para a construção do LCH, o acelerador de partículas mais potente do Mundo, e que a partir de hoje irá simular os primeiros milésimos de segundo do Universo, contribuíram 40 países. Seis mil cientistas de nacionalidades diversas, dos quais duzentos são portugueses, trabalharão em conjunto. No prazo de um ano, irão acontecer as primeiras colisões interpartículas e atingida a intensidade máxima da energia na colisão dos protões. Ficam assim criadas as condições para recriar os primeiros instantes depois do Big Bang. Encontrar o hipotético bosão de Higgs, entender porque a matéria é mais abundante do que a anti-matéria são algumas das possibilidades em aberto. Conhecimentos que respeitam a toda a humanidade. Vertente outra da globalização.

Na noite ribeirinha de ontem, olhando a perfeita cúpula celeste de que somente são conhecidos 4%, a inquietação sobre o desconhecimento dos 96% restantes não sobreveio. Porém, esse mistério de energia escura, que de baixo olhamos embevecidos, encerra uma explicação que o homem, ao longo de milhares de anos, procurou pela via da ciência, da religião e dos mitos.

CAFÉ DA MANHÃ
Paula Capaz
António Costa Santos
Hoje, no Google
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CORREIO
Quando um leitor dos nossos jornais é atento e decide intervir, surgem mimos como este que publico com prazer. É que o silêncio nem sempre é ouro.

“Porém, hoje,
(v/ Público, 9SET)

Oh Sr Provedor,
disse que lhe dava uma por dia e não tenho dado; desculpe!
É que não tenho andamento para tanta bacorada que, nesse jornal, aparece em alto contraste, lado a lado com tanta coisa muito boa, eventualmente na mesma página.

Oh Sr Provedor,
anedótico será um(a) jornalista daí ter escrito um dia, 'ilcóptero' e outros, todos os dias, 'islamista' e ninguém ver; outra coisa, muito mais gravosa e se não vir porquê peça a alguém que o ajude, é o título de primeira página de hoje - "PS mexe na Lei do Divórcio e dá a Cavaco novo poder de veto".
O lado coloquial do 'PS mexe na Lei' ainda se aceita, a puxar ao estiloso; o que não se pode admitir é a intenção de distorcer e deseducar quem ler - não é o PS que dá poderes ao PR nem o poder de vetar é novo ou velho, como deveriam aí saber os aprendizes de escriba e quem os vigia.
O jornal pago eu.”

Publicado por Teresa C. às 11:37 AM | Comentários (2)

setembro 08, 2008

“SE NÃO MORRER ATÉ LÁ, QUE MORRO DE CERTEZA

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Autor que não foi possível identificar

Era uma noite marítima. Sob a sacada, verdes emolduravam o terraço. O quadro favorecia a conversa fluida entre amigos. Talvez comessem figos e o champanhe aloirasse as flutes. Certos eram os risos e os nadas-muito que as almas e os rostos alegravam. Ao ser mencionada frase ouvida na ambiência natal de uma das presenças amigas – “se não morrer até lá, que morro de certeza” -, registei-a no telemóvel, o meu sucedâneo da moleskine. Dispensar caneta e peso acrescido na mochila da caminhada ou na mala, não é vantagem despicienda do objecto falante.

“La Fin Programee de la Democratie” (“O Fim Programado da Democracia”) - http://www.syti.net/Topics2.html - fundamenta a tese que serve de título. Como prova, Sylvain Timsit aponta números, factos e fornece informações avulsas. A mudança de mãos do poder e respectivos atributos, a ilusão democrática, o progressivo desaparecimento da informação, a verdadeira face do dinheiro constituem os primeiros passos do encadeado lógico. Nos seguintes, refere o ponto de não-retorno na ecologia, a destruição da natureza, as alternativas da última chance e, por último as quatro formas de poder político em dois mil anos de história.

Quando o autor afirma que o desaparecimento da natureza é inevitável por constituir uma das metas do novo poder económico, excedi a minha dose diária de especulação. Não que seja difícil subscrever a maioria dos argumentos esgrimidos; porém, o cenário de mais uma teoria da conspiração que pinta de negro o futuro da humanidade veio substituir a bondade que atribuíra ao raciocínio do autor. E lembrei a frase de voz amiga: “se não morrer até lá, que morro de certeza,” o planeta e quem o habita engendrarão dinâmicas que da Terra e dos homens garantam a sobrevivência.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
Manuel S.Fonseca

Publicado por Teresa C. às 11:26 PM | Comentários (2)

A PERNA DO ÍPSILON

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Terry Rodgers

“Segundo uma equipa de investigadores suecos, foi descoberta a causa genética da propensão masculina para a infidelidade – um cromossoma (corrijo para um gene) em excesso. Que os homens tivessem qualquer coisa a mais do que as mulheres, ignorava. Pelo XY que os caracteriza, diria até que lhes faltava uma perna ao ípsilon. Mas não! Têm-na em qualquer lugar escuso que lhes justifica as traições. Assim fica perpetuada a tradição – quando eles traem têm desculpas que das mulheres estão arredadas.”

É consensual a coabitação possível entre infidelidade e lealdade. É aceite que os itens do contrato conjugal ou equiparado sejam definidos a dois. É natural que atracções emocionais e(ou) físicas possam surgir durante a vigência de uma relação.

Não tenho por evidente que a instituição casal reprima a infidelidade meramente por razões morais, sociais ou religiosas. O meu conceito de relacionamento afectivo e sexual, unicamente estabelecido por via do sentir a que é comum chamar amor, obriga a confiança mútua, partilha e ternura. Para a condição primeira, a lealdade é basilar. Antes de mais, do próprio para com ele. Chegado o momento duma infidelidade, importa a clarificação íntima que o indivíduo autor do acto logre atingir. Consta do “acordo” assumido a dois? Foi acção isolada, conjuntural, sem perdas e danos para a vida do par, que o outro não pôs em causa ou lhe deu qualquer razão de sofrimento? No momento, o silêncio é ouro. Adiar para sempre ou para o momento certo a delação do acontecido dependerá da dinâmica característica do casal.

Sendo a infidelidade recorrência não estipulada mutuamente, é inevitável que o parceiro se sinta ludibriado. O sofrimento é directamente proporcional à confiança até aí depositada e à intensidade do afecto. Não raro, advém a dissolução do vínculo. Talvez por isto a cobardia, a trafulhice relacional, as comédias de enganos, o entrar em casa somente depois de limpar no capacho os pés, as sms e os números marcados no telemóvel. Atitude com nome: mentira. A mais insidiosa forma que um(a) rival pode revestir.

Por mim, concluo: o alelo 334 (a tal perna que falta ao ípsilon) não baila se o mandador não quiser bailar.

Nota: Transcrição da resposta da Teresa C. à belíssima ponderação da Marta Botelho.

CAFÉ DA MANHÃ
Teresa C.
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 10:42 AM | Comentários (8)

PNET LITERATURA

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Coordenado pelo Professor Luís Carmelo, abriu hoje uma das jóias da Rede PNET: o Literatura .

“A literatura é um rio que se reconhece, hoje em dia, através de uma identidade multifacetada: um vastíssimo esteio de afluentes que disputa os limites de uma fronteira sempre impossível de traçar. É neste limbo dinâmico, ponteado por marés imprevistas, que o site PNETliteratura se situa. Sem dizer que não à turbulência ou à contingência. Interrogando, enquanto publica; dando a ver, enquanto relativa.” LC

Ao Professor Luís Carmelo e a toda a notável equipa que dá vida ao PNET Literatura desejo o maior sucesso.

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Publicado por Teresa C. às 10:23 AM | Comentários (0)

setembro 07, 2008

MEMÓRIAS LÍQUIDAS

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Eric Christensen

Uma mulher olha para a adega repleta de teias de aranha, pipos e garrafas deitadas e fica naquela: “deito tudo fora e peço à Leonor que lave e encere os pipos, ou tento destrinçar brancos, tintos e aguardentes? Que faço das garrafas vazias esperando suco vinícola que não mais jorrará da torneira ali ao canto?”

Lagar tapado, alinhei densímetros e artefactos vários sem de muitos fazer a mínima ideia da serventia. Rolhas novas em caixas. Funis, torniquetes e garrafões. Se na família não há memória de bêbados, para quê tanto utensílio? E depois lembro o vinho da quinta maior, mistura de videiras americanas e outras da região, que era inaugurado pelo Natal. O tom rosé. A facilidade da digestão. O sabor único que o meu palato retém.

Separei centenas de garrafas vazias. Depositei-as no ecoponto. Da ráfia e das rolhas em cortiça nova, deixei menos de metade. Ficaram aguardentes e vinhos datados – de compra ou de oferta, outros caseiros com rótulo escrito à máquina pelo pai. Nem me atrevo a servi-los. Apesar da frescura e escuridão, presumo-os azedos. Inquieta-me o será que sim, será que não. Deixei-os na horizontalidade do cacife onde jaziam. Os vindouros que decidam. Fiz o que pude com as memórias a bailarem, líquidas, nos meus olhos.

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho

Publicado por Teresa C. às 10:22 AM | Comentários (2)

setembro 06, 2008

“A VIDA SÃO DOIS DIAS”

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Mati Klarwein

Porque hoje é dia de ouvir o excelente magazine “A Vida São Dois Dias” do Rádio Clube Português - no ar entre as oito e as doze horas dos sábados e domingos e conduzido pela jornalista Célia Bernardo -, transcrevo a crónica do Nuno Costa Santos transmitida na 1ª edição do programa.

“Façamos o exercício lúdico de acrescentar uma frase a "a vida são dois dias" para subverter um bocadinho o seu sentido.

Há a clássica:

A vida são dois dias. E o Carnaval são três.

A pessimista:

A vida são dois dias. E um deles é segunda-feira.

A quotidiana:

A vida são dois dias. Passados na repartição a tratar de burocracias.

A militante:

A vida são dois dias. E o aborto é permitido até às dez semanas.

A conformada:

A vida são dois dias. E a justiça, em Portugal, demora séculos.

A megalómana.

A vida são dois dias. Que são grandes como o caraças.

A aldrabona:

A vida são dois dias. E por isso é que vou meter baixa.

A socrática:

A vida são dois dias. E, mesmo assim, vai haver uma greve de professores.

Mas a melhor é mesmo, mesmo esta: a vida são dois dias. Com Célia Bernardo, aqui no Rádio Clube.”

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às 09:30 AM | Comentários (7)

setembro 05, 2008

POBRE MENINA GRÁVIDA!

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Blake Flynn

Media “mainstream”. Segundo eles – o quer que isso signifique para lá do óbvio –, o filho de Sarah Palin, candidata republicana à vice-presidência que foi mãe em Maio de um bebé com síndroma de Down, é seu neto. Estória de novela venezuelana tão improvável como os guiões que constroem e exportam para o mundo ibero-americano. Uma pepineira!

Impressivo é o facto da filha da ultra-conservadora Sarah Palin, de seu nome Bristol e com dezassete anos, estar grávida de cinco meses de um rapazote mais velho do que ela um ano. Irá casar com o pai da criança de acordo com os padrões hipócrita-tradicionais. A mãe, bebé ao colo, família e candidato(?) a genro, partilharam os holofotes mediáticos com John McCain numa sessão da campanha eleitoral à presidência dos USA. Compostinhos e subservientes aos canônes tradicionais. Todos muito bem no retrato.

Pobre menina-rica-filha-de-mãe-conservadora-candidata-a-número-dois-dos-Estados-Unidos! É obrigada a pagar com o casamento a sexualidade debutante e fértil. O futuro marido será parceiro no pagamento da culpa que a ortodoxia social e política impõem. A liberdade de optar é ficção na alta política dos candidatos a senhores do mundo.


Nota - Sobre a crónica de ontem – “Até que a Morte nos Separe” – recebi do estimado Pirata-Vermelho o primor que transcrevo:

“Macho activo. Experiente.
Mato gajos que batem em gajas.
C'as mãos ou com instrumental apropriado, artesanal ou sofisticado, limpo-lhes o sebo.
Contratos a prazo, regulares ou eventuais. Trabalho por gosto. Faço pescates de voluntariado ocasional.
Só faço homens - acerto murros nos cornos de quem acha que os tem.
Gosto das mulheres.”

CAFÉ DA MANHÃ
“ Divórcio: o veto presidencial” - “Não nos surpreendeu de sobremaneira o veto que Cavaco Silva lançou sobre a lei do divórcio aprovada a 4 de Julho na Assembleia da República com os votos favoráveis do PS, PCP, BE e Verdes e votos contra do CDS-PP e da maioria da bancada do PSD. (...)”

Publicado por Teresa C. às 08:44 AM

setembro 04, 2008

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE

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Andreas Raufeisen

Assassinam-nas quando a relação está moribunda. Maridos, companheiros, namorados estão incluídos nos 71% dos agressores. «Ex» são, dentre eles, 19%. Somando as duas parcelas no quadro da violência doméstica, temos que em cada dez assassinos, nove estiveram afectiva e/ou emocionalmente envolvidos com as vítimas.

O síndroma da rejeição de que padecem alguns homens pode ser letal para a mulher que nega continuar um relacionamento moribundo. A UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta – divulgou dados inquietantes obtidos apenas a partir da comunicação social. A violência doméstica mata mais mulheres que o cancro da mama. Nos oito meses deste ano, 35 foram assassinadas e 142 estiveram à beira do mesmo fim ao decidirem retomar a vida sem aqueles com quem partilharam um amor.

Para alguns homens, “até que a morte nos separe” é literal. Fundamentalistas mais rigorosos do que a Igreja Católica que o mesmo faz jurar aos nubentes no ritual do casamento. O perigo social destes machos violentos advém das crianças, familiares e vizinhos serem vítimas potenciais. Bombas-relógio que atingem, preponderantemente, mulheres na faixa etária dos 36 aos 50 anos, seguida pelas maiores de 51 anos. Quase todas sujeitas a décadas de maus tratos. Nestas situações, é leviandade afirmar “quem está mal, muda-se”, como se num estalar de dedos a tragédia se evaporasse.

CAFÉ DA MANHÃ
A ler: Madalena Palma e Rui Pelejão


Desde Ontem


“A Perna do Ípsilon” - Onde se fala da mutação genética que pode explicar(?) alguma da infidelidade masculina

Presente que mui agradeço
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Pirata-Vermelho

Publicado por Teresa C. às 08:37 AM

setembro 03, 2008

VIVER É PASSEIO NUM PARQUE?

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Anton Losenko

Ainda o tempo é de ameixas e amadurecem os “pêssegos das vinhas”, ainda os figos de Outubro estão verdes e miúdos, e já as manifestações de professores são notícia. Pelo visto no domingo, no regresso do sul onde Portugal acaba, ainda muitos para o mesmo sítio carregam toalhas e cadeiras de praia, pele virgem de UVs que por lá tencionam transformar em melanina.

“Sou do tempo” – adoro lugares-comuns que os publicitários aproveitam! – em que as «manifs» chegavam ao mesmo tempo que as primeiras castanhas e chuvas de Outubro. Começavam pela Carris, fatalmente. Antes, houvera o anúncio das lides com o capote dos partidos nas romarias do Pontal ou doutro lugarejo. O touro da oposição era o de sempre: o Governo. Faena à portuguesa com toureiros incompetentes.

Agora, foi quebrado o conforto das primícias tradicionais. A Carris aquieta-se e saem à rua milhares de professores sem colocação. Porque pasmar de surpresa é valor que preservo – a incapacidade de ser surpreendido revela desilusão crónica ou cinismo convicto – pendi o queixo pela carga de espanto. Então é suposto o Estado empregar todos aqueles que na Educação decidiram fazer vida? E os advogados? E os engenheiros? E os arquitectos? Virão também para a rua envoltos em faixas negras? Cobri-los-ia o ridículo!

Em tempo de emprego incerto, escolher profissão atascada de candidatos é risco que o próprio deve calcular. Uma licenciatura há muito deixou de ser passaporte para carreira garantida. Fazer pela vida, ser criativo, escolher vaga empreendedora é o caminho. Alguém disse aos humanos que viver é passeio num parque? E se tal foi sequer imaginado recomendo mezinha eficaz: mergulho no real frio. No início, a pele arrepia; depois, habitua-se e nadar é desafio.

CAFÉ DA MANHÃ
A ler: Paula Capaz


Desde Ontem

“O Tubarão” – “Um desgraçado é vítima de erro judiciário e do tribunal. “Vai dentro”. Fica com a vida e a reputação de rastos. Com sorte, talvez (...)”

Publicado por Teresa C. às 09:06 AM

setembro 02, 2008

ATÉ À SEÑORA DO ROCIO

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CAFÉ DA MANHÃ

A ler: Leonor Barros e Manuel S. Fonseca

Publicado por Teresa C. às 08:48 AM

setembro 01, 2008

NOTÍCIAS DE SERRA E MAR

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CAFÉ DA MANHÃ
A ler: Teresa C. e Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 09:20 AM