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setembro 27, 2008

AS ÁRVORES DA MINHA RUA

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Autor que não foi possível identificar

As árvores da minha rua são frágeis. Penosamente, crescem fustigadas pelo vento que sopra neste corredor. Não era o Outono chegado, e já as folhas extremavam castanhos. Folhas largas que antecipam a luxúria comum ao viço dos plátanos adultos. Contra ventos e securas, os troncos esguios e despenteados continuarão a caminho dum céu rasando o terceiro andar. Por ora, as folhas tombam na calçada.

As árvores da minha rua não desmentem do ano a estação: os rebentos miúdos desdobraram-se em tecido vegetal sedoso. Depois, o brilho do verde iluminou os passantes atentos, também os meus olhos que o vigiaram ao debruçar-me na sacada. Precário, como é próprio dos vivos, tinha sumido no regresso de férias. Curta existência para a fome de beleza do “sentir muito”…

Do Paul Newman conhecemos o talento que o cinema divulgou. Sabemos como preservava as paixões: pela mulher (Joanne Hoodward), pelo cinema, pelo acelerador, pela filantropia. Teve o mundo cinematográfico, os outros também, aos pés. Homem lindo e sedutor pelos dons, entrega e pureza no estar. Tal como as folhas das árvores da minha rua, caiu à terra cedo demais.

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho
João Moreira de Sá
"Sucker Love" - Cat on a Hot Tin Roof

Publicado por Teresa C. às setembro 27, 2008 08:36 PM

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