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outubro 25, 2008

DO “MEU BAIRRO” PARA O MUNDO

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Hal Sutherland

Aos fins-de-semana, o meu bairro tem tempo para ser feliz e eu com ele. Bairro, fosse eu rigorosa, é designação errada; antes uma cidade dentro da cidade grande que, à conta do amor que lhe tenho, gosto de chamar “A Grande Alface”.

De volta ao “meu bairro”. Vi-o nascer em descampados de má nomeada. O betão disseminou-se, parques e jardins entremearam-no, as avenidas e ruas rasgaram os campos de outrora. O comércio chegou cauteloso. Dois anos volvidos, reúne ciganos, brancos, negros, “tios” e tias”, putas reformadas e outras no activo. Gente boa e cordial que ainda diz bom dia a desconhecidos que tem por moradores. Nos acessos, circulam topos de gama lustrosos e carros estafados pelo uso berrando música aos muitos ventos da zona. Uma salgalhada a quinze minutos do Marquês e a cinco do Campo Grande. Porém, mistura de aldeia com bas-fond e luxo. Bem ao meu gosto.

Nos dias de lazer, as pessoas enchem as ruas. Eu entre elas. De ténis e confortável, alinho no hábito comum das caminhadas de alguns quilómetros, ventre contraído, rabo para dentro e coluna erecta. De bicicleta, pais e filhos pedalam entre conversas e risos. Mais abaixo, no parque maior, deslizam patins e skates. Miúdos e graúdos em cima deles. Bebés gozam as sombras relvadas e divertimentos infantis esteticamente agradáveis. Nas esplanadas, nos bancos à beira de riachos, casais lêem semanários, namorados de todas as idades passeiam dando as mãos.

Porque o “meu bairro” tem vida e alma, orgulho-me de o ter escolhido e me proteger. Quero-o como é e sou: incoerente, livre e cosmopolita.

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho
João Moreira de Sá


PORQUE DE MIMOS NÃO PRESCINDO

Agradeço ao Justo a divulgação do meu texto de sexta-feira última

Publicado por Teresa C. às outubro 25, 2008 06:49 PM

Comentários

Enche-me de "inveja" (sadia) de tanta felicidade!
Sabemos, de longa data, que o somos..
Beijos Tati!

Publicado por: justo às outubro 26, 2008 04:01 PM

hummm

Paraíso!

Publicado por: Yoga às outubro 28, 2008 08:30 AM

Justo - somos felizes por não perdermos uma oportunidade de o ser. Também por isto nos entendemos tão bem.

Yoga - creia que assim o vejo, assim o sinto.

Publicado por: Teresa C. às outubro 29, 2008 10:23 AM

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