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outubro 29, 2008
“MALMEQUER BICICLETA”

Um dito comum afirma igual a humanidade no nascer e no morrer. Como acontece com todas as “máximas” que pululam nas sociedades, são verdadeiras «assim-assim». O mesmo é dizer que, esmiuçadas, têm tanto de mentira como de verdade. Um bebé parido, longe de tudo, numa parte esquecida do mundo vem à luz desprotegido do básico que lhe permita sobreviver.
Se forem postas de lado tragédias originadas pelos sentimentos vis dos humanos – a sede de poder, a cobiça, o egoísmo -, basta situar as diferenças no pós-nascimento para desmentir a “máxima” comum. O registo do nome do neófito prova o meu dizer. Sendo os pais excêntricos ou, no mínimo, originais, a criança está condenada a futuro de vergonhas e explicações pelo nome do qual não teve culpa.
Em Itália, um pai teimou em registar o seu filho como Sexta-feira. O tribunal recusou o nome. Não se deve ter lembrado, presumo, do homónimo e fantástico personagem no livro de Defoe, “A Vida e as Estranhas Aventuras de Robinson Crusoé”. Nome que remete para o simbólico: a luta isolada do homem contra forças cruéis e exteriores. Actual, portanto.
Por cá, circula nas auto-estradas virtuais, história que faz pensar. Transcrevo-a.
“No Registo Civil, um angolano residente em Portugal quer registar o seu filho recém-nascido.
- Bô dia! Eu quer registrar meu minino que nasceu otem.
- Muito bem. O seu filho nasceu ontem, é do sexo masculino... e qual é o nome?
- Marmequer Bicicreta.
- Desculpe! Quer chamar ao seu filho Malmequer Bicicleta?
- É.
- Desculpe, mas não posso aceitar esse nome.
- Não pode, porque tu é racista! Si meu minino fosse branco, tu punha.
- Não tem nada a ver com racismo. Esse não é um nome admitido em Portugal.
- Tu é racista. Si meu minino fosse branco, tu punha esse nome a ele. Tu não põe, porque meu minino é preto.
- Já lhe disse que não tem nada a ver com racismo. Malmequer Bicicleta não é nome de gente.
- Ai não! Então porque é que tu tem uma branca chamada Rosa Mota?”
A hegemonia branca é capaz destas anedóticas incongruências.
Publicado por Teresa C. às outubro 29, 2008 09:54 AM