« AS NOITES DOS MEUS DIAS | Entrada | QUANDO O DESEJO ESCORRE »
outubro 22, 2008
MAUS SEGREDOS, BOAS MENTIRAS?

Michel Gourdon
Porque a nova lei do divórcio foi promulgada, reflecti sobre as apreensões merecidas ao Presidente. Movido pela discordância pessoal, alertou para a injustiça que pode atingir as mulheres desfavorecidas e as crianças nascidas do casamento. Em geral, anotações conservadoras – remanesce o modelo da preservação da família tradicional e a concepção do divórcio como mecanismo legal que a destabiliza. Como se gravosas fracturas familiares não acontecessem nos casais oficialmente unidos por razões patromoniais, comodismo ou outras… Rupturas que penalizam os próprios e, mais do que eles, os filhos. Que a lei ignora ao abrigo da convenção de “entre marido e mulher não interferir a colher”. O apreço que me merece a nova lei advém do facto de terminar, sem delongas excessivas (de três anos de separação de facto, prevê, agora, um), convivências trágicas. De considerar o trabalho doméstico como forma outra de angariar bens para a família.
Valorizar a família, é preciso. Encerrar num féretro culpas duma conjugalidade falhada, também. Existem lugares-comuns sensatos: “quando um casamento acaba, a culpa é repartida pelos dois que o viveram”. Ressalvo a violência e a transgressão sistemática dos «deveres conjugais», evolutivos, como é sabido com o tempo social.
Sendo que um amor acabado e outro nascido é razão frequente para enterrar um casamento, lembro o que li escrito pelo pensar nas teclas do sempre querido Eduardo Pitta.
Numa época em que tanto se discute a desvalorização do casamento e o facilitismo do divórcio, vem mesmo a calhar ter Adam Phillips (n. 1954) em português. Ensaísta e psicoterapeuta infantil, com uma dúzia de títulos publicados desde 1993, Adam Phillips escreveu Monogamy (1996) tendo como ponto de partida «as questões e os paradoxos por trás da nossa pulsão de acasalamento», bem como «a centralidade da monogamia para as nossas noções de casamento, família e sujeito.»
Publicado por Teresa C. às outubro 22, 2008 11:52 AM
Comentários
A nova lei do divórcio, tem sido desde o inicio da sua existência causadora de muita discussão, ainda não li a lei, o que me impede de levantar ou questionar algumas considerações, mas no entanto, mesmo sem conhecer a lei, à considerações que temos de ter em atenção. facilitar o divórcio entre duas pessoas que não se entendem é útil, as questões paralelas não entendo as questões que são colocadas porque existem normas que são o garante dessa protecção pessoal para o cônjuge "mais fraco" e para os filhos.
Vamos esperar para ver, quando a lei começar a ser aplicada.
Publicado por: QJ às outubro 23, 2008 03:55 PM
Partilho a sua decisão - agitar fantasmas antes do tempo é vício bem português.
Publicado por: Teresa C. às outubro 25, 2008 07:00 PM