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outubro 31, 2008

NA NOITE DAS BRUXAS, FOI ASSIM

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Walter Girotto

Na importada noite das bruxas, os feitiços saem à rua por meio da presença ou da voz. E chegam quando menos são esperadas. Estacionam a vassoura e preenchem lugares julgados esquecidos. Que não eram, ou os requebros da voz seriam atenuados pela normalidade dos idos que a memória tem por arquivados. Enganadora, porém. Licenciosa nas subtis mudanças de tom que a língua e a garganta oferecem. Os sentidos à espreita do diz ele, dizes tu. E, nos silêncios prolongados, falam os dois. A voz dorida ouve e diz o que trazia escondido sem saber. A voz que chamou subitamente perplexa por ouvir o não esperado, embora sabedora da remota possibilidade do sentido ser tal-qual. Mas porque dos outros adivinhar é ousadia, o pressentimento fica esquecido. Até um dia. Até a voz dizer o que não queria, ou queria sem dizer. E ficam os dois a saber dos silêncios o reconto. Presos do tempo esvaído entre falas. O falo, a fala, a gruta, o cio ciciado na penumbra. E ela escorregou no colo e nas costas o niquelado da festa que ele não viu. Vestiu a seda fluida sobre a pele. Despiu-a com uma flute de champanhe na mão. Na noite das bruxas, foi assim.

CAFÉ DA MANHÃ
Rita Barata Silvério
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às outubro 31, 2008 01:58 AM

Comentários

sempre magnífica no discorrer das teclas. parabéns...cativa-me sempre por algo de esotérico que a sua escrita sempre emana...parabéns!

Publicado por: ika às outubro 31, 2008 08:24 PM

Por vezes tãp esotérica que ninguém me entende, dizem.
Obrigada pelo comentário.

Publicado por: Teresa C. às novembro 3, 2008 06:08 PM

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