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outubro 29, 2008
DO CIO E PELO CIO

Terry Rodgers
Quando o cio aperta, bichos e pessoas assemelham-se. Revelam de si o pior e o melhor. Dizem o excesso de álcool capaz do mesmo. Não testemunhei, mas acredito por remeter às profundezas dos seres. Regurgitar inconsciências é compatível com alterações da lucidez que a via química – ingerida ou própria – favorece. O comportamento, aferido pelo “normal” do indivíduo, extravasa arrojos e loucuras.
No acasalamento, plantas e animais são dados a ritos maliciosos e subtis que os genes comandam. Os humanos revelam idêntica matreirice na competição pelo lugar de sedutor-mor dos parceiros disponíveis. Dão «patadas» aos rivais, «rugem» como leões, arranham, ferem aqueles que o fatum lhes interpuser no caminho rumo ao cobiçado. Este, alvo de trinados e denguices, floreados e representações burlescas, esteja também no cio e cai como sopa no mel - adorável metáfora por lembrar tira de pão centeio acabado de sair do forno e mergulhada no fluido e dourado fruto do labor das abelhas. Recordo-me azucrinada pelos enxames em fúria na altura da extracção do mel dos favos que as colmeias amealham um ano inteiro. Dividida entre o doloroso incómodo das picadas e a gulodice desejada.
Durando o cio insatisfeito, sobrevém a mágoa que alguns transformam em maquiavélicos fazeres. E receiam-nos as escaldadas vítimas. Fazem ouvidos de mercador em presença de devolução da venda por defeito ou mau serviço. E, fartas de banha-da-cobra, esperam o dia em que os catalisadores apazigúem o alvoroço químico e se curem do ferrete do cio descontrolado os seres.
Publicado por Teresa C. às outubro 29, 2008 08:53 PM
Comentários
O cio nos humanos não é doença, é sinal de saúde...
As «patadas» nos rivais, está provado cientificamente, são atitudes que advêm de inscrições nos genes humanos relativas à selecção natural, para garantir que a prole descende dos machos mais fortes. A civilização tem suavizado este aspecto, mas ele ainda existe nos humanos...
Publicado por: Nilson Barcelli às outubro 30, 2008 02:05 PM
Humanos...tão humanos...e alguns esquecem disto.
Grato por nós lembrar..
Beijos!
Publicado por: justo às outubro 30, 2008 09:01 PM
concordo, deixar os saudáveis, porque não reprimidos, bons instintos emergir é magnífico, é catártico...os maus, aqueles que prejudicam alguém, devem ser reprimidos...apenas se a luta for honrada se justifica a sua libertação...é? olhem, sei lá, cada vez acho que a vida me está a dar lições de flexibilidade e os princíios rígidos por que me outrora regia estão a ser coloridos pela criatividade do destino...já nada sei..
Publicado por: ika às outubro 31, 2008 08:18 PM
Pois essa lição que os dias retomam sem fadiga - repensar, analisar, auto-criticar - não seja esquecida! Grata por todos os complementos ao texto publicado.
Publicado por: Teresa C. às novembro 3, 2008 06:07 PM