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novembro 22, 2008

AFINAL, NÃO SÃO ETERNOS!

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Lisa Iris

Primeiro fervem a tequila, depois aproveitam o vapor. Continuando o aquecimento até aos 800º Celsius, soltam-se e depositam-se em camada muito fina átomos de carbono que, na essência, estruturam a vida vegetal e animal. Da urtiga à miss Universo, tudo o que respira nesta Terra, que a Bíblia afirma de Deus, é carbono combinado em incontável número de maneiras.

Se esqueleto de carbono caracteriza os vivos, nas pedras é variada a natureza e a constituição – combinam alguns dos noventa e dois elementos que o planeta contém. O diamante é, de todas, a pedra-rainha - geometria cúbica centrada que organiza átomos do elemento único: o carbono. Pela raridade que persistiu até há um século e meio, pela resistência e dureza foi baptizado com nome derivado de termo grego significando "inconquistável".

A obtenção mexicana de delicada camada de diamantes sintéticos a partir da fervura da tequila, seja rasca ou boa, é conquista e desilusão. Como jóia de nada valem pela pequenez microscópica, mas são alternativa barata ao sílicio - parente crescido do carbono – utilizado em computadores ou nos instrumentos médicos de corte ultrafino.

Sai abatido o mito da raridade e vida eterna dos diamantes. Saber que, afinal, não são eternos por definhar o carbono que lhes dá cor e brilho, interpela: nada haverá eterno nesta Terra de deuses precários?

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz


Publicado por Teresa C. às novembro 22, 2008 12:06 PM

Comentários

O tempo querida...o tempo é eterno?
Que o diga os buracos negros...
Com disse o poetinha...

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes e com tal zelo, e sempre e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.

Quero vive-lo em cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu canto
e rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou ao seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure
quem sabe a morte, angustia de quem vive
quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

*Vinicius de Moraes*

Taí o que é eterno...enquanto duro...

Beijos!

Publicado por: justo às novembro 23, 2008 04:35 PM

Justo - declaro-me embevecida. Gosto tanto de si!... O paradigma da distância nada conta para nós. Por aqui contactamos, por aqui damos voz ao coração. Beijo enorme.

Publicado por: Teresa C. às novembro 28, 2008 07:57 PM

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