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novembro 30, 2008

FAZ REFÉNS QUANDO PODIA DESLUMBRAR

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Michel Gourdon

Fim de semana esticado. Da frialdagem e da chuva era esperada queda de neve. Nas nuvens cinzentas de chumbo, grávidas de vapor de água, o frio aproxima as gotículas e constrói alvos cristais enquanto deslizam para a terra. E descem e cobrem de branco o que antes reflectia o negrume do céu.

Quem, como eu, aprecia sentir o nariz gelado espreitando sob gorro de lã, abafo de gola levantada, melhor ter capuz!, botas e calças de neve, pés enfiados em meias de lã grossa, rejubila e teme. Não subi à casa que dorme com portadas cerradas a poucos quilómetros do pico da montanha. Sabedora do que implica nevão naquelas bandas – estradas bloqueadas, fila em caracol pior que a da 2ª Circular no final de sexta-feiras, a luz do dia esvaindo-se enquanto o carro nem sobe nem desce – prescindi de acordar a casa beirã. Se dormia, espero que a ventania não a tenha sobressaltado por ter feito voar as telhas das chaminés. A Srª Ventura, pela noitinha, me dará conta se houve ou não desacatos.

Lastimo quem sobe as estradas da Serra da Estrela, estando previstos nevões, na expectativa de uns dias plantados sobre skis. Ilusão legítima, não fossem insuficientes as infra-estruturas nas únicas estâncias de ski portuguesas - limpa-neves escassos em eficácia e número, corpo de bombeiros mal equipado em viaturas competentes para resgatar gentes e veículos bloqueados. E aquela Serra chamada da Estrela torna reféns quem podia deslumbrar.

CAFÉ DA MANHÃ

Marta Botelho
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às novembro 30, 2008 01:37 PM

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