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novembro 14, 2008

GALHETEIROS E LEONARDO DA VINCI

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Steven Kenny

Corria o século XVI. Já cansava a culinária conhecida na sociedade italiana dominante. O aparecimento da nouvelle cuisine é atribuído ao espírito pioneiro de Leonardo da Vinci. Reza a história (lenda?) ter aberto dois restaurantes onde aplicou invenções gastronómicas inusitadas para o tempo, ou não fosse de génio a criatividade que em múltiplas áreas revelou. Infelizmente, Leonardo nunca havia pegado num tacho ou o que dele, ao tempo, fizesse as vezes. À teoria faltaram os rudimentos e os restaurantes faliram em seis meses. Uma pena ou como fica de novo provado que o saber da experiência feito é decisivo na concretização das especulações teóricas por mais mobilizadoras que se afirmem.

Entre a nouvelle cuisine, a gastromina tradicional ou importada – nesta, a onda ocidental do sushi - e a culinária de fusão, os portugueses optam segundo a sensibilidade do palato e o recheio da carteira. Porém, aos que teimam em sabores convencionais – um bacalhau com todos, uma cabeça de garoupa grelhada que verdes e batata cozido acompanhem – foi surripiado o prazer do clássico galheteiro na mesa. Em vez dele, cérebros plastificados decidiram pôr em prática modernices pseudo-higiénicas – garrafa de azeite e outra de vinagre que à mesma servem diversas bocas que não prescindem daquele tempero. Algum resto de lucidez veio ao de cima por serem de novo legitimados os galheteiros tradicionais na restauração. Gente bobonicamente teimosa aquela que tal impedimento decretou!

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às novembro 14, 2008 09:45 PM

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