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novembro 17, 2008
INÉDITO-RECORRENTE

Autor que não foi possível identificar
Corre o Verão de São Martinho. Dois fins de semana consecutivos fora de portas bastam para encher a alma de beatitude. Seja pela modesta exigência do necessário para empreendimento deleitoso, seja pela disposição atenta aos menores e simples detalhes, é prazenteiro o regresso que sabe não ter a beleza arredado presença do caminho.
Dos tapetes ocre das folhas moribundas, o quotidiano urbano conhece e pisa e sabe quando brisa infante ou adulto vento se compraz em desfazer o manto rasteiro e fazê-lo bailar. Mas nos lugarejos ou nos campos corridos até chegar ao destino, a opulência do Outono arranca exclamações espantadas pelo inédito-recorrente que o ciclo da Terra traz. Nos vinhedos postos em descanso após a fartura dos frutos em cachos, os requebros dos troncos suspendem ouro e encarnados e carmins e verdes ensanguentados.
Verdes outros, macios, titubeando entre o que eram e deixarão de ser, parcelam o horizonte. Deslizando as rodas em velocidade humilde, nos lados e na frente muito há a descobrir enquanto a conversa flui e os olhos se arredondam e os seres se ajeitam à quentura do sol. Dias mais precários que todos. Noites longas em que a doçura acontece. E da facada no ramerrame é consequente o abraço dos corpos à fecundidade da terra, à reconciliação com o território e com o povo português. Alma exacerbada que partiu. Alma limpa que regressa.
Publicado por Teresa C. às novembro 17, 2008 05:19 PM