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novembro 28, 2008

NA DISTÂNCIA, RENTE À PELE E AO CORAÇÃO

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Rockwell

Este sábado – Dia Mundial sem Compras. Mais um convénio que é suposto o mundo celebrar. «Tanga» semelhante aos demais. O único proveito é o alerta para maleita advinda de contaminação pelo vírus do consumo. Efeitos directos e colaterais da comemoração: nenhuns. Não fora estar roto o fundo das carteiras, e às catedrais, capelas e “alminhas”, onde é celebrado o prazer de comprar, faltariam mãos para forrar com papel festivo tantos objectos-presentes. Afectos substituídos pelo cumprimento de hábitos. Como se laçarotes-prontos-a-enfeitar lacrassem, por si só, sentimentos. Uma pepineira!

Quem pode e faz dos presentes de Natal acto de amor, ainda é recém-nascido Janeiro e, deparando-se ocasião, compra o símbolo de um afecto. Durante meses prepara o contentamento que brilhará no olhar de quem traz sempre consigo. Rejeita o comércio atascado de gente febril. Escolhe presentes ao ritmo do coração. Manifesta indiferença pelo calendário das compras oficiais. Prefere a ternura e o vagar na escolha do mimo - hoje para este, quando calhar para aquele. Numa loja de museu encontra o que a mão recolhe e sabe alegrar a mãe. Disso faz prazer intenso. Como lei, a generosidade do tempo que a cada amor dedica. Sem preço. Sem convulsões. Omissa a obrigação. Presente a lembrança de quem, na distância, está rente à pele e ao coração.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às novembro 28, 2008 10:09 PM

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