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novembro 24, 2008
UM SEIO DA CIDADE DE TANTAS CIDADES FEITA
Onze mil estrangeiros de vinte e cinco nacionalidades vivem na Mouraria onde outrora Fernando Maurício cantou o fado na Rua do Capelão. Também a Mariza por ali se fez mulher e fadista no “Zazala”, por ora com as portas cerradas. Hoje, o bairro-templo do fado tem forro composto de sevilhanas e música paquistanesa. E o Castelo ali ao lado, a Lisboa que é assim: cosmopolita e afável.
Quem da cidade moura conhece e procura encantos, basta subir a colina erguida a partir do Martim Moniz. Que não tema o bairro alcandorado e dele não se arrede pelo Centro Comercial sito em praça esconjurada do mui real e nobre coração lisboeta. Largo com nome do lendário cavaleiro que defendeu do ataque mouro porta da cidade atravessando-a com o próprio corpo, seria honra não fosse a salgalhada que no presente constitui. A genealogia do nobre valente ao serviço de D. Afonso Henriques é confusa. Uns dizem ter casado com Ouroana Rodrigues, outros com Teresa Afonso, alguns afirmam-no pai omisso de filho que nunca reconheceu. Tricas com tanto de verdade como de fantasia – sorte esperada para quem lega, aos vindouros, insanidades sob a forma de bravura.
No canto de Lisboa reservado aos muçulmamos após a conquista da cidade, soaram melancolias dolentes sob a forma de cânticos. Talvez lamentos musicados do que houveram e não tinham. Deles dizem nascido o fado. No presente, a Mouraria mistura incensos, sotaques mil, bugigangas em contínuo saldo, moradores resistentes e outros que vêm e vão como onda harmónica que regula o flutuar das culturas e das gentes.
Com o Tejo lambendo os pés da cidade de tantas cidades feitas, alguém que arrisque desmentir o "fado" da Lisboa capital.
Publicado por Teresa C. às novembro 24, 2008 10:20 PM
