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dezembro 13, 2008

ALEGRIA DESENHADA A CARVÃO

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Alain Aslan

Porque prezo o silêncio no adormecer e acordar, remeto os telefones ao silêncio. Eles dormem e eu com eles. Quando amanheço, cumpro rituais prazenteiros indiferentes ao relógio. Em movimento ou parados os ponteiros, garantido é estarem certos no dia duas vezes. Pela coincidência, anuem ao desfilar do tempo.

Não fora o cloche enterrado na cabeça, as botas de cano alto por onde se esgueiram as leggings e o casaco solto, tudo no mesmo verniz preto, antepararem desgostos chorados dos céus, talvez carregasse de chumbo o sábado. Assim não. Vou-me aos afazeres que na rua me esperam antecipando o gosto de sentir na face pingos de chuva empurrados pelo vento.

Acordo os telefones no momento da saída. Antes, pertenceu-me por inteiro a manhã. O relógio pode girar o tempo. É sábado, é dia meu, é alegria desenhada a carvão.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às dezembro 13, 2008 12:00 PM

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