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dezembro 31, 2008
SILVA PALMEIRA E GUSTAVO FERNANDES
Termino o ano de pintura, feitos e dizeres no SPNI com a beleza ofertada pelos artistas presentes no PNET Artes.
Publicado por Teresa C. às 10:54 AM | Comentários (3)
dezembro 30, 2008
NUM AÇAFATE DE VELUDO

Don Seegmiller
Porque te queria antes de te saber, porque te amava antes de te ver, porque já eras antes de ser, porque te olhava sem me veres, porque antevia o sorriso que desenhaste, porque foi curto e longo o tempo da espera, porque os dias fluem sem que a nada ou ninguém atendam, porque há fome de tudo e mais um pouco, porque a guerra e a paz está em cada um, não em ti imerso na quentura fluida que a ambos alimentava, porque é o tempo das coisas boas, crescidas nas árvores regadas durante o ano, virem parar ao açafate de veludo em que as recebo, porque é chegado o tempo do mundo quedar sem dele saber notícia, o alheamento é dom que requer sabedoria, porque me dás como te dou, por nada perguntares nem quereres saber, por reconheceres o que pressentes, ouvires o que te digo sem dizer e responderes “de ti quero e te dou tudo”, porque estás em mim, num sussurro, escrevo: “Vem para o bem meu amor!” Recebo-te com o coração em leque. Nele viverás enquanto durar o meu viver.
Que o abrir d'alma receba luz. Que a palavra registe o final de 2008 e à memória o lembre.
Publicado por Teresa C. às 05:21 PM | Comentários (0)
dezembro 29, 2008
VELHO E NOVO NOS CORUCHÉUS

Mel Ramos
O activo e o passivo de cada dia, pela noite, o espírito anota. Tocando a campainha arrependimentos serôdios, indago a origem e mantenho cerrada a porta, salvaguardando de intrusos a intimidade do ser. Melhor aprender com os erros do que arrecadar culpas inúteis. Atitude, ainda assim, perigosa – arranho a tolerância que prezo se nos outros identifico leviandade no estar. Como a que, durante este ano e no anterior, tem caracterizado a Câmara de Lisboa no que aos Coruchéus respeita.
Detrás da Biblioteca Municipal sita no Palácio Galveias, uma das mais notáveis residências nobres lisboetas do séc. XVII, no início da década de setenta foi criado o Centro de Artes Plásticas dos Coruchéus. Concebido e construído à semelhança dos ateliers de Paris patrocinados por André Malraux. Nos trinta e seis ateliês distribuídos a artistas plásticos, fervilhou a experimentação em percepções, códigos e técnicas. (...)
Publicado por Teresa C. às 10:25 AM | Comentários (0)
dezembro 28, 2008
PARIS/ORLY EM FÚCSIA

Matthew Carlton
Paris/Orly – 445 Air France – 8.20h - Arrived. Olhado o relógio, coincidia a aterragem e a minha entrada nas “Arrivals”, “Chegadas” para os que à língua lusa, pela nascença ou necessidade, se habituaram. Por saber económicos os haveres, conjecturei ter omitido o check-in da mala de cabine. Os primeiros vinte minutos passei especulando porque arribavam tantos «chinos» e pela razão última do corte de cabelo do funcionário da agência de viagens que, frente a mim, aguardava. Mísera folha A4 pendurada no varão metálico - opção pelintra que nem preveniu o bom gosto de papel impresso com os dizeres úteis. Se o homem era encorpado, a careca fazia-lhe jus. Redonda, impressiva, ladeada pela negra coroa dos cabelos sobrantes. O mistério residia nos arcos e contra-arcos do corte que encimava, visto de trás, o pescoço. Fato cinza escuro, camisa branca, gravata encarnada – a “farda”, por ora, vestida pela maioria dos funcionários por conta d’outrem ou deles próprios.
Por desconfiar da Groundforce, culpei-a da demora passados dos sessenta cinquenta minutos – recordo, vividamente, a mala que devia ter seguido para Porto Santo e nunca saiu da Portela, malgré a garantia de ter chegado ao Funchal. Mentira; foram precisos escova de dentes e bikini novos para, finalmente, dar à costa. O costume.
Vê-la chegar é um gosto. Ligeira, mochila, twinset fúcsia, abafo de penas na mão, o “bobby” latindo na rampa. E o sorriso. E o passo. Cadenciados. Elegantes. E a descida que não acaba. E o abraço que tarda. Mesmo quando o plano é comum e a ternura encontra o rosto, a saudade ainda dura e dói e denuncia a falta recomeçada a 23 de Agosto.
Publicado por Teresa C. às 12:53 AM | Comentários (0)
dezembro 27, 2008
AQUI D’EL REI O HOMEM!

Peter Driben
No Dia de Natal, aqui d’el rei que o Homem falou. Dizem, que o não ouvi ocupada com uma rabanada em calda de açúcar, no ponto, aromatizada com canela e casca de limão. Ainda ontem, no tempo da coisa nenhuma que não seja remanso, resto da lampreia de ovos e tisanas para acalmia das farturas de tudo, fossem ouvidos os vazios noticiosos que as tragédias entulham e não era falada outra coisa. Porque o Homem fez proveito da baixa das taxas de juro, porque advertiu, assustou e arrogou ares de pater famílias.
Interromper a digestão non stop no dia do Nascimento com assombrações políticas – ressalvo golpes no Estado nosso, porque o dos outros “que se lixe!” - é de mau gosto, concedo. Porém, só ouve o que não deve o culpado da tirânica mania de sobrepor a (des)informação ao senso de arredar o ocioso nas ocasiões certas. E depois, quem o facto denegriu enfie a mão pela (in)consciência abaixo, que por esta altura deve flutuar no gorgomilo, e diga se fosse Primeiro negaria o protagonismo. Aliás, o Homem teve a gentileza de, ao almoço, ceder o brilho ao Papa e ao Cardeal de Lisboa. Não seja, pois, acusado de arrogância; limitou-se a complementar as sobras da janta.
Entre outros artistas, expõem Ernâni Oliveira, Manuela Pinheiro e Silva Palmeira cujas obras estão em permanente mostra no PNET Artes.
Publicado por Teresa C. às 10:52 PM | Comentários (0)
dezembro 26, 2008
QUE SEJA RUBRA A FESTA
Por haver dias felizes merecem ser vividos os mornos e os negrumes que atalham o percurso. Das liturgias importa reter instantes que um dia a lembrança teimará jamais terem acontecido. Em vez de os aprisionar, fazê-los voar como pássaros. Num gesto, abrir a porta e seguir-lhes o trajecto. Como estes, da Noite Santa,

e estes no Dia do Nascimento.

Mais haverá. E que seja rubra a Festa.
Publicado por Teresa C. às 12:37 AM | Comentários (0)
dezembro 25, 2008
NA INTIMIDADE, A FESTA

Shwidkiy Andrey
Publicado por Teresa C. às 10:59 AM | Comentários (4)
dezembro 24, 2008
COM AROMA DE MULHER


Hubert de Lartigue e autor que não foi possível identificar

Cliff Kringle
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dezembro 23, 2008
NATAL DE POUCA FÉ

Milk Way
Para o mês de Janeiro, as Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro das Caldas da Rainha, em laboração desde o século XIX, não têm qualquer encomenda. Cento e cinquenta trabalhadores. Aerosoles, a maior empresa de calçado portuguesa, não pagou o subsídio de Natal nem garante o ordenado de Dezembro pelo sucessivo decréscimo nas vendas. Mil e duzentos trabalhadores. Para as galerias de arte nacionais existe a previsão de cinquenta por cento das existentes fecharem portas. Centenas de trabalhadores. Nas diversas áreas empresariais, situações semelhantes virão a acontecer. Milhares de trabalhadores. A Força Aérea ofereceu a dezenas de meninos carenciados o baptismo de voo. Algazarra feliz encheu a aeronave.
Natal de pouca fé se anuncia para muitos de nós. Com a bravura que, desde antanho, o nosso povo revela, amanhã, sobre a mesa, não faltarão o sorriso das crianças e as doçuras nos sabores e nos gestos. Fés outras talvez cheguem com o novo ano. Talvez não. Para os portugueses é urgente que cada um por si e os de cima por todos acendam velas de esperança.
Publicado por Teresa C. às 01:11 AM | Comentários (2)
dezembro 22, 2008
NA VERTIGEM DO SOLSTÍCIO DE INVERNO

Autor que não foi possível identificar
Na descida para a Praça de Espanha, tão absorta deslizava que na mudança de faixa fez sinal tardio. Travou sem impedir o encosto suave ao veículo que na outra seguia. Saiu ela e o condutor surpreso. No olhar cruzado, houve compreensão na vez de escândalo. Miradas as latas intactas, persistiu a vertigem do instante que marcava o nascimento do sol de acordo com as crenças antigas. A ambos tomou de assalto o início do novo ciclo que eles e a natureza empreenderiam. E a cidade vazia. E eles sorrindo nas palavras trocadas. Sentindo no sangue o privilégio da partilha. (...)
Publicado por Teresa C. às 08:35 PM | Comentários (0)
dezembro 21, 2008
DUAS CHÁVENAS DE CHOCOLATE QUENTE

Steve Hanks
Num domingo finda ou inicia a semana, segundo os credos vários que fidelizam clientes. Seja útil ou inútil o dia, ele caminha, curvado, vigiando o estaleiro das construções em curso. Indo alta a noite, vejo-lhe a silhueta recortada no contra-luz dos holofotes que encimam as gruas. Pelo escuro do que devia ser manhã, fosse outro o fuso ou a hora oficial, prossegue, cabisbaixo, a vigilância.
O vento torce os plátanos despidos. Adivinho o frio que lhe enregela pensamentos e rosto. Por só lhe conhecer a silhueta obscura, ignoro o tom da pele que, antes da roupa, o veste. Emigrante de primeira ou segunda geração, quase juro – aos nacionais é mais favorável a jornada de trabalho soalheira.
Olhando-o da porta-janela, findo o serão de letras, óleos e conversa, repetidamente me apetece descer à rua e entabular conhecimento. Talvez duas chávenas de chocolate quente na mão. Talvez um conhaque para ele e um chá verde para mim. Como receberia o vulto gesto tão inopinado? Talvez nem fale português. Talvez nos entendamos na língua solidária de humanos que um do outro querem saber. Talvez lhe pareça extraordinária a figura envolta num polar com as calças de atilhos a espreitar. Talvez rejeite o gesto e a surpreendente proximidade o confunda. Por isso o olho de cima. Por isso seguro entre as mãos o primeiro café fumegante da manhã, desejando-lhe, sem que ele o saiba, “bom dia!”
Publicado por Teresa C. às 10:52 PM | Comentários (1)
dezembro 20, 2008
NEVA EM MANHATTAN, ARDE O LINHO

Andrew
Há quem ao excelso sentimento de paz associe abulia. Vontade e desejo hibernados, quiçá defuntos repousando no esquife do quotidiano sem esperança. Ao falar assim, é esquecido outros experimentarem a serenidade, chamo-lhe paz!, enquanto conservam acesos espírito, sentidos e gozo na passagem pelo tempo em que são. Abolir ilusões, o escaldar dos afectos, os desafios que a todo o momento acenam - basta não dispersar a atenção -, o incomensurável poder de dizer sim ou não contraria a serenidade que entendo.
Sinto a paz como lençol de linho seco ao sol e perfumado com a alfazema dos pequenos sacos cheios, pelo final do estio, com as flores ainda tenras. Lençol como tela branca. Como folha de papel de desenho que aguarda traço a carvão. Como folha alva que o monitor, à espera das letras, pode ser. Lençol que regista o tumultuar erótico dos corpos. Que se habitua à ausência de fronteiras na pele.
Estar em paz permite saber que o Natal será branco em Manhattan e sentir, em cachão, a vontade de a vinte e seis só parar no J.F.K.. De escrever um e-mail à Teresa Nobre, a concretizadora dos meus insanos repentes. Numa linha pedir: “Voo para Nova Iorque a 26, regresso a 3 de Janeiro. O hotel do costume.” Depois, suspender o gesto de premir o «enviar» por saber dos lençóis de linho onde as almas e os corpos ardem.
Publicado por Teresa C. às 01:49 AM | Comentários (0)
dezembro 19, 2008
OS TRASTES

Jack Vettriano
Não têm género. Nada sabem de ética ou estética no estar. Cabotinos e cretinos. Impostores e lorpas. Julgam suas armas imbatíveis, quando mais não dispõem do que plásticos de brincar. Mentirosos, sempre. Inteligentes-asnos subservientes ao que tomam por imbatíveis dotes próprios colocados ao serviço dos clichés. Assim entendem o «ser». Basicamente, uns «penetras». Croquete aqui e ali, petiscam as vidas alheias. Amarrados à indignidade, não olham a pessoa, apenas visualizam ocasião que lhes pague contas e sirva aconchego. Precário, conquanto sobrevalorizem a fala e os tiques de veludo de especialistas no “conto do vigário”. Esquecem que até nas águas enlameadas vem ao de cima, cedo ou tarde, a rolha da mentira.
Apresentam-se como gente do mundo. O casaco, pago em suaves prestações, cobre as nódoas da alma e do corpo que mal ficariam na montra da mais reles loja de penhores. Não têm amores, somente negócios de dever e haver. Quem lhes cai na rede, não merece piedade – da lucidez, sentido crítico e observação convém fazer uso. “Cá se fazem, cá que se pagam” é dito popular que não levam a sério – mais um entre tantos, como Borda d’Água que tudo prevê e axiomatiza. Mas não. Chega o dia de quebrarem os pés de barro mal cozido. As ingénuas e hábeis peças expostas no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, aos trastes deixam verdes de inveja. Com ou sem pénis.
Publicado por Teresa C. às 09:06 PM | Comentários (6)
dezembro 17, 2008
SEM DETENÇA NEM PUDOR

James W Johnson
No Zimbabué, uma epidemia de cólera mata quase um milhar e infecta milhões. As autoridades sanitárias declararam-se impotentes para acudir aos vitimados. O caos é notícia. Organizações internacionais aprestam ajuda, assim a burocracia local avie a (des)necessária papelada, considerada imprescindível, para ajudar as populações.
O nosso representante no país declara mais graves do que o surto de cólera a sida e a malária. Confirma arruinado e caótico o sistema de saúde local. África é ainda um dos outros lados do mundo. Aquele onde o impossível na Terra civilizada acontece maior número de vezes do que o admitido pelo senso mínimo duma governação eficaz segundo os parâmetros ocidentais, e, por inerência, de acordo com os cânones no tempo que corre.
Sem detença nem pudor, Mr. Mugabe, tirano-presidente do Zimbabue – os escravizados são os mais submissos ao império das imoralidades ocidentais –, num discurso, decretou finda a epidemia de cólera. Em breves minutos, resolveu o que os agentes sanitários não haviam logrado debelar. Se a moda pega, África corre o risco de constituir o continente mais saudável do mundo.
Publicado por Teresa C. às 07:16 PM | Comentários (0)
dezembro 16, 2008
BOA NOITE X,

Mark Harrison
Desculparás a uma mulher tão mulher quanto eu, a pergunta indiscreta: “Ela respondeu?” Agradeceste os meus conselhos. Não o foram. Antes transmissão de saberes das parceiras de género que o mesmo ouviram/ouvem, disseram/dizem sabendo, (in)conscientemente, o que dizem ao não dizer. Numa mulher, dizem, é o não dito que mais importa. Demarco-me deste senso comum por prezar a comunicação do que penso sem obedecer a estereótipos e/ou regras. Quem gosta colhe, quem não apreciar fique longe. Tão simples quanto isto. E é a simplicidade na forma de viver que me fascina. Rejeito as complexidades (complicaçõezinhas?) menores. Amo a pureza no estar e disto renego abrir mão.
Pensei-te no final de dia. A tua (in)contida ansiedade pela mulher que desejas. As horas que registaste entre a pergunta e a não-resposta ao e-mail que se foi no momento em que premiste o “Enviar”. Disseste-te inaugurando uma atracção. Cometeste a venialidade do artifício; tentadora, sei! Porém, embora reclames o treino da paciência e o papel de moderador da ansiedade quando o desejo comanda, li um homem semelhante a uma mulher quando o caldo fervente das emoções os une sem destrinça. Humanos, ambos. Somente importa a individualidade da situação. O género está a mais.
Publicado por Teresa C. às 12:31 AM | Comentários (0)
dezembro 15, 2008
DOS HOMENS QUE CONHEÇO

Michael Parkes
Dos homens que conheço, resultado de breve sondagem a partir de amostra amigável, 80% estão com gripe, tremuras, afónicos ou com voz saída de um túmulo brônquico. Tossem, espirram e assoam-se, no mínimo, duas vezes por minuto. Ao primeiro desejei melhoras julgando sofrer de patologia inerente à época. Ao segundo fiz o mesmo e não passei da presumida coincidência. Chegada a vez do terceiro, sobreveio-me inquietação que os seguintes confirmariam. Entretanto, amigas e conhecidas fungam, mas sobrevivem alegremente sem ir à cama encharcadas em «óticos». Transigem a um Ben-u-Ron e dali não passam.
Vi, li e ouvi notícias. Nem uma referiu existir surto gripal masculino. Serão eles tão frágeis quanto, e desde sempre, as mulheres consideram? Vítimas de um sindroma de gripe sexuada?
Folguei saber o nosso Presidente rijo como um pêro bravio no almoço que ofereceu aos Embaixadores Falantes da Língua Portuguesa. “Com cerca de 250 milhões de falantes nativos, o português é a terceira língua da União Europeia mais presente a nível internacional.” Nem configurava sermos tantos! Subjugada pelo número, aprovo a reivindicação da nossa língua materna vir a ser uma das línguas oficiais das Nações Unidas. Ainda se a dominante fosse o Esperanto, há mais de cem anos nascido para facilitar a comunicação entre os humanos! Mas não. O que agradeço – do Esperanto nada sei, salvo parecer-me língua própria do bel canto.
Estudos alemães concluíram que aprender Esperanto é um instrumento pedagógico de mérito por aumentar a rapidez da aprendizagem em, pelo menos, 20%. Quem me diz não residir neste detalhe parte da solução para o atávico insucesso escolar português? Acções de formação da dita língua artificial teriam mérito: eram mais uns pontos somados para a progressão na carreira docente e recurso mais honesto do que outros à custa dos quais, estatisticamente, é contabilizado o putativo sucesso dos nossos estudantes.
Publicado por Teresa C. às 10:33 PM | Comentários (0)
dezembro 14, 2008
"A FORMA DA ÁGUA" DE UMA MULHER

Ciruelo Cabral
Porque tudo o que noticia actos ou intenções do futuro Presidente do Mundo é motivo de esperança e rendição, eis quedar-me perplexa e temerosa. Crer nos Messias da modernidade é tão ingénuo como levar a sério o homem que da mulher pretende o corpo e o espírito dela usa para enterrar a seta no alvo. O mesmo dizem eles, fartos de rodeios e redondilhas daquelas que de duas, uma: ou pretendem dar corda ao relógio biológico que lhes desperta a necessidade de procriar, ou dependem de um amanhã conjugal como garante de respeitabilidade e amparo. Em qualquer dos casos, um desgosto que não motiva sequer um jantar salvo se a carne, ainda assim, estiver precisada crescer. Fundamental a diferença entre homens e mulheres no governo da libido: a eles subjuga-os, a elas serve-as, ainda que passível de veemente desmentido. Eles raposas, elas uvas, ou quando o contrário vai dar ao mesmo. (…)
Publicado por Teresa C. às 11:16 PM | Comentários (0)
dezembro 13, 2008
TRATO É TRATO!

Ichor
“Ele estava numa festa e viu uma mulher maravilhosa. Fascinado, manteve-se receoso pela pequenez da púbica carta de recomendação. Hesitou. Decidiu, enfim, o atrevimento.
Aproximou-se e encetou conversa quente. Tão eficaz se revelou, que conseguiu levar a tentadora fêmea para um lugar mais reservado. Mão para lá, mão para cá, a temperatura não cessava de aumentar. Animado, coragem em alta, disse:
- Deixa, está bem?
- Não, de jeito nenhum.
- Deixa, rapidinho...
- Não - disse ela, irredutível.
- Vai, deixa! - Só a pontinha, só a pontinha...
- OK. Mas só a pontinha.
Como sabia mínimo o atributo, não pensou duas vezes e avançou sem reservas.
Ela gritou, louca:
- Que delícia, coloca tudo, sim?!
Ele parou e disse:
- Não senhora. Trato é trato!”
Versão adaptada de outra bem mais saborosa contada pelo A.E.Q. Lapidar pela distinção no sentido da palavra “trato” entre um homem e uma mulher.
Publicado por Teresa C. às 11:45 PM | Comentários (0)
ALEGRIA DESENHADA A CARVÃO

Alain Aslan
Porque prezo o silêncio no adormecer e acordar, remeto os telefones ao silêncio. Eles dormem e eu com eles. Quando amanheço, cumpro rituais prazenteiros indiferentes ao relógio. Em movimento ou parados os ponteiros, garantido é estarem certos no dia duas vezes. Pela coincidência, anuem ao desfilar do tempo.
Não fora o cloche enterrado na cabeça, as botas de cano alto por onde se esgueiram as leggings e o casaco solto, tudo no mesmo verniz preto, antepararem desgostos chorados dos céus, talvez carregasse de chumbo o sábado. Assim não. Vou-me aos afazeres que na rua me esperam antecipando o gosto de sentir na face pingos de chuva empurrados pelo vento.
Acordo os telefones no momento da saída. Antes, pertenceu-me por inteiro a manhã. O relógio pode girar o tempo. É sábado, é dia meu, é alegria desenhada a carvão.
Publicado por Teresa C. às 12:00 PM | Comentários (0)
dezembro 11, 2008
O MEU ONDULAR PERIÓDICO
Piana Philippe
Amanheceu o fim de semana. Privilégio que alguns, poucos, inauguram no final do quinto dos sete dias, contando como primeiro o domingo. Fruo deste bem raro. E é alegre a despedida do trabalho que amo e, por isso, me envolve. Trabalhos outros e lazeres que também me apaixonam – pintar entre eles - alegremente dissolvo no triângulo dos dias sem horários rígidos. É tempo dos sentidos e dos afectos harmónicos que de mim fazem partícula vibrando num meio elástico que propaga, coerente, o meu ondular periódico. Até quando?
Presenciar do mundo um século é facto extraordinário se for gente o vivo que a proeza cometeu. Se lúcido e erecto de corpo e espírito ainda mais – os deuses se apiedem desta mulher e a recolham antes de padecer da condição de vegetal. Manuel de Oliveira, que foi trapezista e atleta, faz aos cem anos leituras do real que no cinema reporta. É injusto remeter o realizador apenas ao gasto e eterno “Aniki Bóbó”.
Do mais velho cineasta do mundo, prefiro o filme-ópera “Os Canibais”. Lembro a bela Margarida – Leonor Silveira - apaixonada, com o fervor do século dezanove e de sempre, pelo Visconde de Aveleda – o misterioso, portanto sedutor, Luís Miguel Cintra. Lembro a obra como regresso aos amores infelizes iniciados com “Benilde ou a Virgem Mãe”, depois recuperados no “Amor de Perdição” e “Francisca”. Lembro a altura em que o vi. Com quem estava. Qual a leitura que fiz. Como acabei a noite começada num jantar, continuada numa sala do húmido e esconso “Quarteto”.
“Os Canibais” é mais do que filme: é pedaço de vida que também fez de mim quem sou.
Publicado por Teresa C. às 11:09 PM | Comentários (1)
dezembro 10, 2008
QUARENTA ANOS DE RATO

Terry Rodgers
Em 1968, faziam os Beatles bater o pé à princesa Margarida em Carnegie Hall, a irreverente da realeza britânica. No mesmo ano, um utilizador dos monstruosos computadores da época congeminou objecto de madeira que com eles interagisse. Foi nascido o primeiro «rato» da era digital.
Dizem-no, quotidianamente, replicado aos milhões Acusam-no de provocar tendinites aos obrigados, pela jornada de trabalho, a manterem-no sob a mão. De vir a ser esquecido por monitor sensível ao toque das extremidades dos dedos. O tu-cá-tu-lá da pele substituindo o correio plástico das pressões digitais. Contra-argumentam entendidos que até os mais firmes braços sucumbiriam a epicondilites no ombro e no cotovelo ao permanecerem, todo o santo dia, alavancas em constante mobilidade. Recomendam, enquanto o «rato» não sai da circulação virtual, amiudadas paragens aos utilizadores da prótese inteligente.
“Não coma junto ao teclado e limpe-o com frequência - corre o risco de estar a comer uma refeição rica em bactérias. Os portugueses raramente limpam as teclas que usam ou lavam as mãos com água e qualquer forma de sabonete após o necessário uso da casa de banho”. Resumindo: porcalhões digitais. Assim sendo, congeminar números das cadeias bacterianas que os computadores proporcionam é difícil pelo excesso de zeros. Não houvera aprendizagem das contaminações que os ambientes hospitalares provocam, e olharia do alto a novidade. Condenados por doenças reumáticas e infecções várias, os portugueses com o «rato» sempre a jeito têm destino traçado que dispensa leitura na palma da mão.
Publicado por Teresa C. às 11:19 PM | Comentários (6)
dezembro 09, 2008
SONHOS DE CARTÃO COM PROTEIAS


Autor que não foi possível identificar
Na caixa de cartão comprida e magra, chegaram cores da Madeira: estrelícias, ramagens próprias da ilha, orquídeas e a proteia. A que me disseste para inverter e secar quando as folhas murchassem. A que, após seca, se manteria tal qual. E tenho a casa mais viva. O meu pequeno mundo, aquele de onde viajo sem sair do sofá ou da cadeira de onde dedilho teclas para ti e para ninguém. Quem desejará saber das ilusões, sonhos, pedaços de vida, do quotidiano de uma mulher comum? Todos e ninguém, como a inventada parte da resposta obrigatória no tempo do liceu. "Romeiro, Romeiro, quem és tu? Ninguém!", escreveu Almeida Garrett no “Frei Luis de Sousa” - rodopio de emoções, medo, ciúmes, raiva, respeito, remorsos e submissa redenção ao destino.
Olhando os pedaços da ilha, vem-me à lembrança o desejo de agradar. Consequentemente, o excerto da "Cidadela" de Saint-Exupéry. “Aqueles que procuram agradar andam muito enganados. Para agradar, tornam-se maleáveis e dúcteis, apressam-se a corresponder a todos os desejos. E acabam por trair em todas as coisas, para serem como os desejam. Que hei-de eu fazer dessas alforrecas que não têm ossos nem forma? Vomito-os e restituo-os às suas nebulosas: vinde ver-me quando estiverdes construídos. As próprias mulheres se cansam quando alguém, para lhes demonstrar amor, aceita fazer-se eco e espelho, porque ninguém tem necessidade da sua própria imagem. Mas eu tenho necessidade de ti. Estás construído como fortaleza e eu bem sinto o teu núcleo. Senta-te ali, porque tu existes.”
Não precisas de tomar o assento que te pertenceu a vida toda. Basta-me ver-te na quietude do meu estar. E segredo pensamentos, resoluções, precárias como todas, a ouvidos cúmplices e queridos. Doce final para dia ventoso. Doce partilha que também quero tua. Doce amálgama da geográfica química do presente. Doce negação que atordoa e acorda para instantes (im)possíveis.
Publicado por Teresa C. às 11:05 PM | Comentários (0)
dezembro 08, 2008
DE DORIAN GRAY À TERESA C.

"Nunca confie numa mulher que diz a sua verdadeira idade. Se ela diz isso, é capaz de dizer qualquer coisa" - Oscar Wilde.
O homem era genial. Foi longe, e pela escrita revelou-o, na imagética capacidade de absorver das pessoas ínfimos detalhes. Existe melhor recurso para entender as sociedades próximas do que olhar-ler quem as constitui, ainda que a partir do cárcere porque culpado de “actos imorais” com rapazes menores de idade? As gaiolas têm a capacidade de soltar o espírito. Por isso escreveu “O Retrato de Dorian Gray”. Por isso reflectiu sobre a vaidade e as artes. Entre elas, a das manipulações humanas.
A frase interpelou-me. Perante próximos e amigos, pela divulgação da idade não sofro embaraços. Concomitantemente, penso-me discreta durante e após ouvir confidências. Porém, ultrapassada a idade que as sociedades endeusam e não passa do meio dos trintas, tenho secreto prazer, assim venha a propósito, revelar os anos que somo. Procura fácil e comum de bajulações que vitaminem a auto-estima? Nem um pouco! Ao ouvi-las sei o que valem: afabilidade, lustro no falar, obediência a estereótipos comuns. Valem tanto como um rebuçado do Dr. Bayard para a tosse sobrevinda a um estado gripal.
Que a sapiência da humana natura atribuída a Oscar Wilde me perdoe. Mulher que frui do expoente atingido e dele não compõe segredo ou disfarça não é delatora compulsiva. Ao contrário de Wilde diria: “Nunca confie numa pessoa que esconde a sua verdadeira idade. Se esconde isso, esconde qualquer coisa”. Máxima tão redutora quanto todas. Todavia, e pelo oposto, valendo tanto como as debitadas por espíritos incomuns.
Publicado por Teresa C. às 09:44 PM | Comentários (5)
dezembro 07, 2008
JOGANDO À BISCA COM DEUS

Graig Nelson
Dois idosos caminhavam, lentos, pelo passeio. Sentido contrário ao meu. Um saco em cada mão, antebraços semi-erguidos e angulados, transformava acto comezinho em recreio de musculação. Quedámo-nos à mesma, minha, porta. Decorreram segundos embaraçosos. Para meliantes faltava-lhes viço, de pedintes não tinham o ar encolhido e sabujo. Enquanto apalpava os bolsos, pediram autorização para entrar. Ainda a chave procurava o lugar do “Abre-te Sésamo” e começou diálogo (im)provável para quem, por dez minutos, interrompera a doçura doméstica para comprar nozes e avelãs – o resto foi acréscimo que não rabiscara no post-it mental.
De oitenta para cima, o mais velho apoiava na bengala o esqueleto ressequido até metade do que um dia foi. O outro, vivendo dos setentas a metade superior, não tinha esvaído, por inteiro, a robustez do corpo alto, esguio e bem apessoado. Apresentaram-se com a dignidade de cavalheiros num salão - podiam ter dito “a menina dança?” e (...)
Publicado por Teresa C. às 07:07 PM | Comentários (2)
SEXO SOBRE RODAS
Philip Castle
Lido por aí:
“Em relação aos proprietários de outras marcas, os condutores de um Porsche são os menos fiéis nas relações amorosas. Na Alemanha, 49% dos donos de Porsche admitem ser infiéis, seguidos dos proprietários de carros BMW, com 46%.
Quanto às mulheres, as que conduzem um Audi são as mais entusiastas dos pecados da carne - 41% admite ter romances secretos.
O grupo das pessoas mais fiéis é formado pelos motoristas do Opel-Vauxhall; “apenas” 31% dos homens e 28% das mulheres revelaram cometer adultério.”
Pela escassez dos dados, não figuram na estatística as marcas de automóveis que mais circulam nas estradas do pecado portuguesas. Uma pena!
Publicado por Teresa C. às 11:34 AM | Comentários (3)
dezembro 06, 2008
LUTO NOS AVENTAIS E CHINELAR

Autor que não foi possível identificar
Nada sei sobre o mar – sempre fui mulher de terra, ressalvando surtidas de passeio. Mas conheço a história trágica dos pescadores das Caxinas, fila de casas modestas entalada entre a Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Lembro os nevoeiros, as mulheres de negro que, também pelo trajar, honravam lutos sucessivos pelos que amavam e o mar engolia. Conservo a imagem dos aventais enfeitados com nervuras e cetins. Das chinelas de meio salto que estalejavam nas ruelas de piso irregular. Dos altares domésticos alumiados por velas e enfeites de flores, pagelas, santos e pelas fotografias dos seus homens que desafiavam a raiva das ondas. Como aqueles que por estes dias morreram a bordo da “Rosa Mar” que, a norte da Galiza, pescava sustento.
Os homens do mar, tal como os pastores que nas faldas e cumes das serras pastoreiam gado dócil, reservam à vida olhares distintos das gentes comuns. Seja pela solidão ou pela rudeza dos dias, dominam códigos da natureza que alicerçam sabedorias peculiares. Pasmam quem os ouve pelos conhecimentos (quase?) proféticos. Ouvi-los, é modo profundo de aprender e pensar.
Publicado por Teresa C. às 09:39 AM | Comentários (0)
dezembro 04, 2008
QUEM IRÁ VESTIR MICHELE OBAMA?

Autor que não foi possível identificar
Quem irá vestir Michele Obama no ritual da entronização do marido como senhor do mundo? A mulher com mais consciência do seu corpo que alguma vez ocupou a Casa Branca concentra os olhares do precário reino da moda. Todos a querem vestir. Todos aspiram a serem donos da griffe pela qual Michele Obama optar. A mulher, que já foi considerada uma das mais bem vestidas do planeta – júri da “Vanity Fair” que vale tanto quanto o “gosto não gosto” das congéneres comuns –, está sujeita à condição de ré do julgamento validado pela frivolidade do “In & Out”.
Na fast life em que muitos ondulam, “vestir como” é “ser como”. Trágico engano onde naufragam homens e mulheres. Vestir pode ser acto nulo ou menor se imperar a subserviência a ditames exteriores. Envergar com alma e sentir é ir além da banalidade. Desprezar normas ociosas. Expor fracções da matriz pessoal. Ter a coragem de se afirmar diferente, sendo igual. Desdenhar da opinião alheia. Ter como regra única não abdicar da vontade. Por isso fazer diferença dos ajoelhados perante altares consensuais. Banais. Tristonhos. Sem impressão digital.
Publicado por Teresa C. às 11:37 PM | Comentários (0)
dezembro 03, 2008
UM EM CADA SETE HOMENS

Sorayama
Um em cada sete homens sofre de depressão pós-parto, mais grave que o trivial postpartum blues. Ora, acreditando na estatística que culpabiliza a DDP de acometer entre 10% a 20% das mulheres, eles sofrem mais do que as puérperas respectivas. Não carregaram a criança três trimestres, não sofreram profundas modificações hormonais, das dores de parto nada sentiram e, depois, afundam-se no quadro clínico diagnosticado como severo e agudo. Mistério? Talvez não.
Dissequemos o assunto. As origens da depressão pós-parto parecem dever-se a sentimentos conflituosos da mulher em relação a si mesma, como mãe e filha da própria mãe, ao bebé e ao companheiro. A situação social e familiar, as condições do parto e a sobrecarga de tarefas são também factores que podem desencadear distúrbios. Mas, e a eles? O que os transtorna? A entrada em casa de um pequeno ser que, por algum tempo, os destrona e lhes retira a coroa de El-Rei Senhor? Por acordarem, amiúde, durante a noite? Pelos novos horários que o bebé governa? Pela enormidade de roupa para lavar e engomar? Por ficar adiado o sexo à la carte ? Não será, certamente, pelo gozo e dor de porem mama de fora, ora uma, ora outra, sugada avidamente; por ficarem cinco meses arredados da profissão que também satisfaz a pessoa; por fazerem depender o bem-estar da consistência e regularidade dos cocós e rapidez dos arrotos; pelo incómodo da curva da coluna enquanto amamentam, mudam fraldas, adormecem e preenchem o dia com preciosos “gugus dadás”.
Para os vitimados pela depressão pós-parto, recolhi lista de alívios possíveis. Se resultam com as respectivas, porque não com eles?
“Passeie no parque.
Faça coisas com as mãos, artesanato, bordar, etc.
Trabalhe no jardim. Regar as plantas e tirar as ervas daninhas pode ser relaxante.
Brinque com os seus filhos e faça planos com eles sobre o que farão quando se sentir melhor.
Consulte um psicólogo regularmente e seja totalmente sincera com ele.
Mantenha-se longe do álcool e outros depressivos.
Tome um banho de espuma relaxante, com algo doce para comer e beber. Ouça música relaxante enquanto toma banho.
Escreva um diário. Ajuda-a a exteriorizar os seus sentimentos.
Faça exercício regularmente – liberta endorfinas ( químicos que a fazem sentir melhor ) para a sua corrente sanguínea.
Participe em fóruns sobre depressão pós-parto; discuta o problema com outras mulheres na mesma situação, peça-lhes conselhos e aproveite o fazer parte de uma comunidade.
Participe em actividades com a família e os amigos.
Leia um bom livro.
Vá visitar amigos ou familiares.
Telefone a uma amiga próxima.
Vá dar uma volta de carro.
Cozinhe. Isto vai direccionar a sua atenção para outro assunto que não a maternidade.
Telefone à sua mãe e fale com ela sobre o seu problema. Esta pode ser a melhor terapia para a sua situação, porque ela ama-a, está profundamente preocupada consigo e vai ter tempo para ouvi-la.
Peça à sua mãe para ir para sua casa por alguns dias. Ela pode ajudá-la nas suas tarefas e criar algum tempo só para si de modo a fazer algumas das coisas mencionadas neste artigo.
Ponha o bebé no carrinho e vão dar um passeio.
Aninhe-se com os seus filhos, e chore tudo o que lhe apetecer enquanto o faz. Perceba que há pessoas que a amam verdadeiramente:
Vá até à praia, se houver uma por perto – olhe para o oceano e respire a brisa marinha.
Vá às compras!
Tenha uma longa e profunda conversa com o seu marido, seguida de muitos mimos e beijos.”
Publicado por Teresa C. às 09:47 PM | Comentários (0)
dezembro 02, 2008
“GAJAS” COMME IL FAUT

Luis Royo
Forwards das mulheres que sei amigas: uma delícia! Não reenvio, mas arrecado alguns na pasta Rosa Cueca em honra da sempre querida Rita que estreou, já lá vão cinco anos, o termo “grelame” na blogosfera. Parabéns, linda e estimada Mulher!
As correntes de graçolas que passam de tecla em tecla das “gajas” comme il fault já não têm ursinhos, gatinhos e canídeos adoráveis, grinaldas e corações. Já não luzem pensamentos que bem podiam ter saído da cabecinha pensadora – da outra nada sei, nem ele quereria que eu soubesse e ainda bem! – do Paulo Coelho ou do Nicholas Spark acometido por febrão inferior ao que prostrou o Manuel S. Fonseca, daqui e daqui e doutros lugares mais. Os forwards femininos evoluíram – no presente, são divertida colectânea de ridículos que privilegiam os homens e não esquecem as mulheres.
Estando numa de limpeza do Outlook, quase varria este apontamento:
“- A senhora aceita um uisque?
- Não posso. Faz-me mal às pernas...
- Incham?
- Não. Abrem-se...”
Enquanto escrevia o arrazoado acima exposto, caiu mais este:
“SENHOR,
dai-nos sabedoria para suportar alguns alunos, porque, se me dais força ... parto-lhes a cara!”
Não os remeti à clausura na pasta “ Rosa Cueca”. Não apaguei sem antes deixar este registo. Reclamando o estatuto de pecadora confessa, não ficaria de bem comigo se cometesse o pecado mortal de interromper a corrente de humor. Um texto é mais prático que e-mail recheado de “Cc” e “Bcc”.
Publicado por Teresa C. às 08:15 PM | Comentários (2)

