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dezembro 22, 2008

NA VERTIGEM DO SOLSTÍCIO DE INVERNO

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Autor que não foi possível identificar

(...) Pouco antes do domingo meado, saiu da bocarra funda e larga onde o automóvel dormira. Queria receber no rosto o sol do Solstício de Inverno quando fossem passados quatro minutos do meio do dia. Queria celebrar, na rua, o início da crescença da luz diária. Queria sentir o começo dos quase noventa dias da estação fria que, a 20 de Março, o Equinócio da Primavera termina. Conduzia encadeada pela beleza da cidade soalheira, pelos tons secos ou afogueados da Terra nas árvores semi-despidas e nos relvados adormecidos. A cidade com eles.

Na descida para a Praça de Espanha, tão absorta deslizava que na mudança de faixa fez sinal tardio. Travou sem impedir o encosto suave ao veículo que na outra seguia. Saiu ela e o condutor surpreso. No olhar cruzado, houve compreensão na vez de escândalo. Miradas as latas intactas, persistiu a vertigem do instante que marcava o nascimento do sol de acordo com as crenças antigas. A ambos tomou de assalto o início do novo ciclo que eles e a natureza empreenderiam. E a cidade vazia. E eles sorrindo nas palavras trocadas. Sentindo no sangue o privilégio da partilha. (...)

CAFÉ DA MANHÃ

Teresa Castro
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às dezembro 22, 2008 08:35 PM

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