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dezembro 23, 2008

NATAL DE POUCA FÉ

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Milk Way

Para o mês de Janeiro, as Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro das Caldas da Rainha, em laboração desde o século XIX, não têm qualquer encomenda. Cento e cinquenta trabalhadores. Aerosoles, a maior empresa de calçado portuguesa, não pagou o subsídio de Natal nem garante o ordenado de Dezembro pelo sucessivo decréscimo nas vendas. Mil e duzentos trabalhadores. Para as galerias de arte nacionais existe a previsão de cinquenta por cento das existentes fecharem portas. Centenas de trabalhadores. Nas diversas áreas empresariais, situações semelhantes virão a acontecer. Milhares de trabalhadores. A Força Aérea ofereceu a dezenas de meninos carenciados o baptismo de voo. Algazarra feliz encheu a aeronave.

Natal de pouca fé se anuncia para muitos de nós. Com a bravura que, desde antanho, o nosso povo revela, amanhã, sobre a mesa, não faltarão o sorriso das crianças e as doçuras nos sabores e nos gestos. Fés outras talvez cheguem com o novo ano. Talvez não. Para os portugueses é urgente que cada um por si e os de cima por todos acendam velas de esperança.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
Manuel S. Fonseca

Publicado por Teresa C. às dezembro 23, 2008 01:11 AM

Comentários

Um Santo Natal para si Teresa C.
Felicidades para o tal ano que se aproxima rápido e que nem me atrevo a chamar pelo nome, pois apesar de ainda nem ter nascido, já é o mais indesejado, agourado e maltratado de que tenho memória.
Mas isso agora não interessa nada, contamos consigo e com o SPNI para nos continuar a encantar.

Ainda que acessório ao que hoje lhe quis dizer, não resisto a fazer-lhe uma pergunta em jeito de comentário; lembra-se do preço do petróleo aqui há uns meses atrás? Pois, na casa dos 150 dólares. E lembra-se nessa altura a quanto se vaticinava que estaria até ao final de 2008? Pois, certamente chegaria aos 200 dólares, anteviam os peritos da coisa. Sabe a que preço está o petróleo nos dias que correm não sabe?
Certo é que a realidade está cada vez mais virtual e vice-versa.

Publicado por: VdeB às dezembro 23, 2008 05:14 PM

VdeB - nunca ninguém disse que viver era o mesmo que passear num parque. Mas concordo consigo quanto à observação/pergunta que faz no último parágrafo. Quando afirma "que a realidade está cada vez mais virtual e vice-versa", temos o paradigma das sociedades ricas do nosso tempo - vida tripla. Duas sempre houve - a do próprio e a que dele os seus contemporâneos contam. A velocidade de comunicação que o triângulo (quadrilátero) dos satélites do GPS permite e a rapidez da evolução científica concederam-nos a terceira vida: a que virtualmente possuímos. E neste enredo nos confundimos, ganhamos e perdemos.

Que o "tal ano", afinal, desminta o pessimismo. A este rejeito.

Muito obrigada.

Publicado por: Teresa C. às dezembro 24, 2008 11:29 AM

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