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dezembro 30, 2008

NUM AÇAFATE DE VELUDO

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Don Seegmiller

Porque te queria antes de te saber, porque te amava antes de te ver, porque já eras antes de ser, porque te olhava sem me veres, porque antevia o sorriso que desenhaste, porque foi curto e longo o tempo da espera, porque os dias fluem sem que a nada ou ninguém atendam, porque há fome de tudo e mais um pouco, porque a guerra e a paz está em cada um, não em ti imerso na quentura fluida que a ambos alimentava, porque é o tempo das coisas boas, crescidas nas árvores regadas durante o ano, virem parar ao açafate de veludo em que as recebo, porque é chegado o tempo do mundo quedar sem dele saber notícia, o alheamento é dom que requer sabedoria, porque me dás como te dou, por nada perguntares nem quereres saber, por reconheceres o que pressentes, ouvires o que te digo sem dizer e responderes “de ti quero e te dou tudo”, porque estás em mim, num sussurro, escrevo: “Vem para o bem meu amor!” Recebo-te com o coração em leque. Nele viverás enquanto durar o meu viver.

Que o abrir d'alma receba luz. Que a palavra registe o final de 2008 e à memória o lembre.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
Manuel S. Fonseca

Publicado por Teresa C. às dezembro 30, 2008 05:21 PM

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