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dezembro 11, 2008
O MEU ONDULAR PERIÓDICO
Piana Philippe
Amanheceu o fim de semana. Privilégio que alguns, poucos, inauguram no final do quinto dos sete dias, contando como primeiro o domingo. Fruo deste bem raro. E é alegre a despedida do trabalho que amo e, por isso, me envolve. Trabalhos outros e lazeres que também me apaixonam – pintar entre eles - alegremente dissolvo no triângulo dos dias sem horários rígidos. É tempo dos sentidos e dos afectos harmónicos que de mim fazem partícula vibrando num meio elástico que propaga, coerente, o meu ondular periódico. Até quando?
Presenciar do mundo um século é facto extraordinário se for gente o vivo que a proeza cometeu. Se lúcido e erecto de corpo e espírito ainda mais – os deuses se apiedem desta mulher e a recolham antes de padecer da condição de vegetal. Manuel de Oliveira, que foi trapezista e atleta, faz aos cem anos leituras do real que no cinema reporta. É injusto remeter o realizador apenas ao gasto e eterno “Aniki Bóbó”.
Do mais velho cineasta do mundo, prefiro o filme-ópera “Os Canibais”. Lembro a bela Margarida – Leonor Silveira - apaixonada, com o fervor do século dezanove e de sempre, pelo Visconde de Aveleda – o misterioso, portanto sedutor, Luís Miguel Cintra. Lembro a obra como regresso aos amores infelizes iniciados com “Benilde ou a Virgem Mãe”, depois recuperados no “Amor de Perdição” e “Francisca”. Lembro a altura em que o vi. Com quem estava. Qual a leitura que fiz. Como acabei a noite começada num jantar, continuada numa sala do húmido e esconso “Quarteto”.
“Os Canibais” é mais do que filme: é pedaço de vida que também fez de mim quem sou.
Publicado por Teresa C. às dezembro 11, 2008 11:09 PM
Comentários
sim ok
Publicado por: a às dezembro 13, 2008 12:40 AM