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dezembro 28, 2008
PARIS/ORLY EM FÚCSIA

Matthew Carlton
Paris/Orly – 445 Air France – 8.20h - Arrived. Olhado o relógio, coincidia a aterragem e a minha entrada nas “Arrivals”, “Chegadas” para os que à língua lusa, pela nascença ou necessidade, se habituaram. Por saber económicos os haveres, conjecturei ter omitido o check-in da mala de cabine. Os primeiros vinte minutos passei especulando porque arribavam tantos «chinos» e pela razão última do corte de cabelo do funcionário da agência de viagens que, frente a mim, aguardava. Mísera folha A4 pendurada no varão metálico - opção pelintra que nem preveniu o bom gosto de papel impresso com os dizeres úteis. Se o homem era encorpado, a careca fazia-lhe jus. Redonda, impressiva, ladeada pela negra coroa dos cabelos sobrantes. O mistério residia nos arcos e contra-arcos do corte que encimava, visto de trás, o pescoço. Fato cinza escuro, camisa branca, gravata encarnada – a “farda”, por ora, vestida pela maioria dos funcionários por conta d’outrem ou deles próprios.
Por desconfiar da Groundforce, culpei-a da demora passados dos sessenta cinquenta minutos – recordo, vividamente, a mala que devia ter seguido para Porto Santo e nunca saiu da Portela, malgré a garantia de ter chegado ao Funchal. Mentira; foram precisos escova de dentes e bikini novos para, finalmente, dar à costa. O costume.
Vê-la chegar é um gosto. Ligeira, mochila, twinset fúcsia, abafo de penas na mão, o “bobby” latindo na rampa. E o sorriso. E o passo. Cadenciados. Elegantes. E a descida que não acaba. E o abraço que tarda. Mesmo quando o plano é comum e a ternura encontra o rosto, a saudade ainda dura e dói e denuncia a falta recomeçada a 23 de Agosto.
Publicado por Teresa C. às dezembro 28, 2008 12:53 AM