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janeiro 17, 2009

AO HOUDSON PREFERIA O EAST

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Autor que não foi possível identificar

Ao Hudson sempre preferi o East River. Conheço-lhe o contorno bordejando Long Island. Fronteira de Manhattan, do (des)arrumado Queens e de Brooklyn. Abeira-o o Pier Seventeen do jazz forrando a rua e a beira-rio. E a ponte de Brooklyn ali tão perto. E os ferries num sobe-e-desce incessante. E as madeiras cujo pisar descansa.

As aves, mais do que os ventos, atemorizam os pilotos aéreos estando, ainda ou já, a terra por perto. A conjugação das leis físicas e a aleatoriedade das aves que pelo ar se deslocam propiciam (des)encontros entre bichos aéreos de metal e com penas.

A turbulenta amaragem do comboio voador da Airways nas águas geladas do Hudson podia ter sido tragédia. Não foi. A quase centena e meia de passageiros saiu ilesa e com os pés enxutos. Foi rápida a investidura do piloto na condição de herói. Eficaz, contraporia. Profissional competente, também.

Do acontecido, sobreveio-me a lembrança do rio das águas tranquilas. Escuro, poluído, com a Estátua da Liberdade em fundo. Do Financial Center que conheci, do Battery Park City debruçado sobre o Hudson, da pequena e soberba marina que o fim-de-semana enchia com bicicletas, caminhantes e patinadores resta vestígio após a destruição do World Trade Center. Revê-lo foi desgosto. Que o rio esquerdo, visto do sul, não tenha engolido gentes, foi gosto.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às janeiro 17, 2009 10:08 PM

Comentários

Cara Teresa Castro

Com tanto pormenor lamento que tenha esquecido o Edison Hotel...

Publicado por: Anónimo às janeiro 17, 2009 07:21 PM

Caro Anónimo - esquecer hospedaria mítica, nunca! Conceda, porém, que a Broadway é distante do pedaço de Manhattan e do contexto referido.

Publicado por: Teresa C. às janeiro 18, 2009 12:08 PM

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