« ONDE SE FALA DE BETÃO E EPICURO | Entrada | ELA GOSTA DE SOPA »
janeiro 31, 2009
AS DONAS ERMELINDAS

Autor que não foi possível identificar
Quando as fugas cirúrgicas de informação confidencial funcionam como bisturis ao serviço do “Aniquila!”, os erros e errozitos dos legisladores são notícia, vigora a pouca-vergonha das clínicas de aborto clandestinas, é altura de lembrar a Dona Ermelinda.
“Num tribunal de uma pequena cidade, o advogado de acusação chamou a sua primeira testemunha, uma avó de idade avançada. Aproximou-se da testemunha e perguntou:
- D. Ermelinda, a senhora conhece-me?
- Claro. Conheço-te desde pequenino e francamente, desiludiste-me. Mentes descaradamente a todo o mundo, enganas a tua mulher com a secretária, fizeste um filho na tua cunhada e deste-lhe dinheiro para se livrar da barriga, manipulas as pessoas e falas mal delas pelas costas. Julgas que és uma grande personalidade quando não tens sequer inteligência suficiente para ser varredor. É claro que te conheço. Se conheço...
O advogado ficou branco, sem saber que fazer. Depois de pensar um pouco, apontou para o outro extremo da sala e perguntou:
- D. Ermelinda, conhece o defensor oficioso?
- Claro que sim. Também o conheço desde a infância. É frouxo, não os tem no sítio para manter a mulher na linha, ela fornica com os empregados da casa, o motorista, o jardineiro e até o carteiro dorme com ela, todo o mundo sabe, tem problemas com a bebida, não consegue ter uma relação normal com ninguém e na qualidade de advogado é um dos piores profissionais que conheço. Não me esqueço também de referir que engana a mulher com três mulheres diferentes, uma das quais, curiosamente, é a tua própria mulher. Sim, também o conheço. E muito bem.
O defensor, ficou em estado de choque. Então, o juiz pediu a ambos os advogados que se aproximassem do estrado e, com uma voz muito baixa, diz-lhes:
-Se algum dos dois perguntar à puta da velha se me conhece, juro-vos que vão todos presos!”
Nota - história enviada pelo António Eça de Queiroz, digníssimo herdeiro da ironia assertiva do seu avô e que hoje publica a crónica semanal no PNET Homem
Publicado por Teresa C. às janeiro 31, 2009 11:02 AM