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janeiro 27, 2009

ENTRE O CROQUETE E O COPO

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Jan Bollaert

Numa reunião social é falado o tudo e o nada. Diálogos de circunstância. Enformados pelo momento. Frívolos, quase sempre, como é próprio da conversa repartida entre o croquete de soja e o copo. É picado o ponto pela obrigação, ou pelo afecto. Sendo a razão primeira deflagradora do compromisso, filtro apertado revela-se indispensável a bem da economia na sujeição a regras que entupam os dias. Acarretam antecedentes bonacheirões ou penosos consoante o mood. É preciso atentar nas miudezas da farpela para não constranger conhecidos e amigos, olhar de raspão o verniz das unhas - quiçá, lambuzar por cima -, levantar o cabelo, passar pela tormenta de enfiar os pertences indispensáveis em malas que pouco mais comportam além dos documentos e das chaves. Haja tempo, uma breve espreitadela ao espelho e está feito. Terminando o dia de trabalho ou entremeando-o, o porta-bagagens é precioso: guarda o casaco de circunstância, saltos (in)suportáveis e a dita coisa pequena.

Concluir o meu desdenho por encontros sociais é precipitação que nego. Quantos saborosos escritos – para mim, reconheço! – foram nascidos da observação atenta do meio envolvente!... As gentes revelam-se em nadas-muitos. E olho e detalho e escrevo, mentalmente, crónicas. Pelo sorriso nos lábios, sou ré para alguns que me rodeiam. Que não, que o sorriso pode ser entendido como facilidade, que o ar sério confere respeito e cautela. E sorrio quando isto me é dito. Avareza na afabilidade não pratico. Se o optimismo e alegria fazem parte da mulher, porquê reservá-los? E se confundo, paciência! Dar muito e receber outro tanto é modo de estar na vida. Dele não abdico.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
Manuel S. Fonseca

Publicado por Teresa C. às janeiro 27, 2009 08:44 PM

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