« dezembro 2008 | Entrada | fevereiro 2009 »

janeiro 31, 2009

AS DONAS ERMELINDAS

idosas2.jpg
Autor que não foi possível identificar

Quando as fugas cirúrgicas de informação confidencial funcionam como bisturis ao serviço do “Aniquila!”, os erros e errozitos dos legisladores são notícia, vigora a pouca-vergonha das clínicas de aborto clandestinas, é altura de lembrar a Dona Ermelinda.

“Num tribunal de uma pequena cidade, o advogado de acusação chamou a sua primeira testemunha, uma avó de idade avançada. Aproximou-se da testemunha e perguntou:
- D. Ermelinda, a senhora conhece-me?
- Claro. Conheço-te desde pequenino e francamente, desiludiste-me. Mentes descaradamente a todo o mundo, enganas a tua mulher com a secretária, fizeste um filho na tua cunhada e deste-lhe dinheiro para se livrar da barriga, manipulas as pessoas e falas mal delas pelas costas. Julgas que és uma grande personalidade quando não tens sequer inteligência suficiente para ser varredor. É claro que te conheço. Se conheço...

O advogado ficou branco, sem saber que fazer. Depois de pensar um pouco, apontou para o outro extremo da sala e perguntou:
- D. Ermelinda, conhece o defensor oficioso?
- Claro que sim. Também o conheço desde a infância. É frouxo, não os tem no sítio para manter a mulher na linha, ela fornica com os empregados da casa, o motorista, o jardineiro e até o carteiro dorme com ela, todo o mundo sabe, tem problemas com a bebida, não consegue ter uma relação normal com ninguém e na qualidade de advogado é um dos piores profissionais que conheço. Não me esqueço também de referir que engana a mulher com três mulheres diferentes, uma das quais, curiosamente, é a tua própria mulher. Sim, também o conheço. E muito bem.

O defensor, ficou em estado de choque. Então, o juiz pediu a ambos os advogados que se aproximassem do estrado e, com uma voz muito baixa, diz-lhes:
-Se algum dos dois perguntar à puta da velha se me conhece, juro-vos que vão todos presos!”

Nota - história enviada pelo António Eça de Queiroz, digníssimo herdeiro da ironia assertiva do seu avô e que hoje publica a crónica semanal no PNET Homem

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às 11:02 AM | Comentários (0)

janeiro 30, 2009

ONDE SE FALA DE BETÃO E EPICURO

Alex Rossart 2.jpg
Alex Rossart

É um prazer ouvir fala que derrame sentimentos e lógica. Sentir o pensar de um ser exigente que não desiste de reflectir sobre si e sobre o mundo. Que acolha, guloso, discordâncias e na argumentação encontre deleite. Porque compreender a natura das gentes e das coisas é a essência dos espíritos que no entendimento se comprazem, é bem-vinda a veemência e a emoção do discurso. Partilha sem regras ou estereótipos.

Entre as gentes, muitos desvalorizam a riqueza de atentar nos outros e deles quererem saber, aprendendo. Espíritos cheios de vento desprezam a partilha do íntimo como menoridade própria dos «fracos». Eles, os «fortes», subdividem-se em tolos e arrogantes. Os primeiros rejeitam aprofundar (pré)conceitos e sentimentos. Filhos do pior de Epicuro, apenas o imediato os atrai. Nada mais existe que valha detença. Temem pensares e realidades que furem o baú a abarrotar de pulsões, primárias como todas.

Dos «fortes», os arrogantes constituem perigo maior. A soberba preside ao banquete que poderia ser o estar. Por isso rejeitam a iguaria do pensamento alheio e se afundam na tonteira das certezas idiotas. Defendem-se fechando as portas e janelas do íntimo de betão. Temem fresta por onde entre brisa capaz de lhes tumultuar os ventos do espírito. Uma opinião contrária é encarada como tempestade de raios e coriscos. Na essência, uns medrosos!

CAFÉ DA MANHÃ
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às 11:20 AM | Comentários (0)

janeiro 29, 2009

TUATARAS E DOURADAS

HSorayama003.jpg
Sorayama

Parece ser um misto de lagarto, tartaruga e ave. Dizem-no fóssil vivo pela escassa modificação desde os primos dinossauros. A tuatara vive bem e muito – cem anos de vida fazem inveja aos humanos. Um olho na testa, por pálpebra uma escama. Vivem no frio - mais do que 27º Celsius não suportam. Até aos trinta e cinco crescem. As fêmeas são preguiçosas – apenas de quatro em quatro anos põem ovos. Por tudo, as tuataras abeiram-se da extinção. Não admiram os festejos pela paternidade de onze crias de que são responsáveis o Henry, com 111 anos, e a Mildred na bonita idade de oitenta. O museu Southland, na Nova Zelândia, rejubila.

Por cá, 15 milhões de douradas estiveram em perigo. A maior empresa de aquacultura nacional, a Timar, abriu falência. Por falta de pagamento, a empresa fornecedora de oxigénio aos tanques, ameaçou asfixiar os peixes. Quarenta funcionários à beira do desemprego. Entretanto, alguma boa alma acudiu às douradas e, para já, é-lhes garantida a subsistência.

Entre tuataras, douradas e trabalhadores em perigo, a sociedade do bem-estar vai decaindo. Morrinha na rua e no coração das gentes.

CAFÉ DA MANHÃ
Imagem46 X.jpg
Vítor Brotas
O Espaço Monsanto da Câmara Municipal de Lisboa tem o prazer de convidar V. Ex.ª para visitar a exposição de escultura em troncos de árvore Sophora Japonica de Vítor Brotas. Inauguração: 30 de Janeiro de 2009 das 18h às 20h
PARA LER:
Madalena Palma
Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 09:30 PM | Comentários (2)

janeiro 28, 2009

UMA MULHER, UM POLÍCIA

John Falter 45-127-x.jpg
John Falter

Fossem reunidas em livro, e as boutades do último Condottieri encheriam um calhamaço. Para o transportar seria necessário um bobby de cabine ou ampla mochila. Serventia: fazer «pesos» e lembrar as misérias públicas.

“Um polícia por cada italiana bonita” – recente sugestão de Berlusconi. Segundo ele, a única medida capaz de barrar o crescente número de violações a mulheres em Itália. De modo simples, rotula como tarados os concidadãos masculinos. Incapazes, parece, de manterem pendentes os respectivos atributos pudendos. Em presença de fêmea atraente, esteja ou não disponível para receber o que-por-nada-se-alevanta, vão, tirânicos, direitos ao «assunto».

Os homens italianos declararam-se ofendidos. Carimbar-lhes, por atestado público, o estatuto de loucos violentos é loucura maior ainda. Entretanto, as violações sucedem-se. Numa paragem de autocarro, aconteceu a mais recente das comunicadas às autoridades. As mulheres temem. Algumas silenciam a condição de vítimas pela vergonha que acarreta a atávica culpa atribuída à mulher violada – “alguma provocação terá cometido”.

Será que o homenzinho julga prestar um favor às italianas por acreditar piamente que “fardas” seduzem-nas? Neste caso, antes um piloto de aviação ou um marinheiro - as fardas são mais bonitas.

CAFÉ DA MANHÃ
Paula Capaz
António Costa Santos

Publicado por Teresa C. às 10:34 AM | Comentários (0)

janeiro 27, 2009

ENTRE O CROQUETE E O COPO

jan bollaert.jpg
Jan Bollaert

Numa reunião social é falado o tudo e o nada. Diálogos de circunstância. Enformados pelo momento. Frívolos, quase sempre, como é próprio da conversa repartida entre o croquete de soja e o copo. É picado o ponto pela obrigação, ou pelo afecto. Sendo a razão primeira deflagradora do compromisso, filtro apertado revela-se indispensável a bem da economia na sujeição a regras que entupam os dias. Acarretam antecedentes bonacheirões ou penosos consoante o mood. É preciso atentar nas miudezas da farpela para não constranger conhecidos e amigos, olhar de raspão o verniz das unhas - quiçá, lambuzar por cima -, levantar o cabelo, passar pela tormenta de enfiar os pertences indispensáveis em malas que pouco mais comportam além dos documentos e das chaves. Haja tempo, uma breve espreitadela ao espelho e está feito. Terminando o dia de trabalho ou entremeando-o, o porta-bagagens é precioso: guarda o casaco de circunstância, saltos (in)suportáveis e a dita coisa pequena.

Concluir o meu desdenho por encontros sociais é precipitação que nego. Quantos saborosos escritos – para mim, reconheço! – foram nascidos da observação atenta do meio envolvente!... As gentes revelam-se em nadas-muitos. E olho e detalho e escrevo, mentalmente, crónicas. Pelo sorriso nos lábios, sou ré para alguns que me rodeiam. Que não, que o sorriso pode ser entendido como facilidade, que o ar sério confere respeito e cautela. E sorrio quando isto me é dito. Avareza na afabilidade não pratico. Se o optimismo e alegria fazem parte da mulher, porquê reservá-los? E se confundo, paciência! Dar muito e receber outro tanto é modo de estar na vida. Dele não abdico.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
Manuel S. Fonseca

Publicado por Teresa C. às 08:44 PM | Comentários (0)

janeiro 26, 2009

UMA BEBIDA E UM MACHO AMÁVEL

Bruno Di Maio x.jpg
Bruno Di Maio

(…) Poder e exploração fundamentam o turismo sexual. Nos outros lados do mundo que o Ocidente domina, ceder às transgressões íntimas e sociais dos lugares de origem e daqueles que, por semanas ou dias, acolhem prazenteiramente lucros e receitas é apelo infalível. Também a mulher descarta a responsabilidade humana – a transacção financeira anula o respeito pelo Outro, assim reduzido a mercadoria. O sexo pago como componente do turismo massificado que a globalização facilita. No Sul, miséria económica, no Norte miséria afectiva não compensada pelo fácil acesso à beleza e conforto. “Um postal e uma puta, se faz favor!”, pedem eles, “Uma bebida e um macho amável”, solicitam elas. (…)

CAFÉ DA MANHÃ
Teresa C.
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 09:26 PM | Comentários (1)

janeiro 25, 2009

QUANDO DESABA O PEQUENO MUNDO

Samuel Bak Intruder.jpg
Samuel Bak

Teciam louvores a Deus como é próprio do domingo. No anterior a este, cerca de meia centena de pessoas “renasciam em Cristo” na zona sul de S. Paulo. Ruiu o telhado da igreja evangélica que testemunhava clamores dos crentes. As vítimas morreram em Cristo. Os feridos e os ilesos do desabamento terão dito que a fé os salvou. Assim seja! Porventura o mesmo pensou Kaká, fiel devoto, que há três anos ali abençoou o matrimónio.

O casal fundador da “Igreja Renascer em Cristo”, à custa da fé propalada, amealhou grossa maquia. Para a lixiviar, transplantou-a para os Estados Unidos. Como pagar impostos ia contra a respectiva consciência ou um qualquer mandamento, está, faz dois anos, preso em Miami.

Na Catalunha, defrontavam-se duas equipas de basebol infantil. Uivando a tempestade, alguns procuraram abrigo no pavilhão gimnodesportivo onde o jogo decorria. Desaba uma parede interior e, com ela, o edifício. Mais mortos e feridos.

Aqui, neste canto nosso, incêndios domésticos comem vidas durante sonos que mereciam ser tranquilos.

Aos pessimistas que muito temem e recusam viagens ou sair à noite pelo receio de acidentes que os levem para donde nada é sabido, digo: haja tino! Nem os pequenos mundos que as paredes limitam conferem protecção acrescida. Que a lucidez aceite a precariedade humana, enterre medos e liberte os dias.

“Que Sera, Sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que Sera, Sera
What will be, will be!”

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às 11:55 PM | Comentários (0)

janeiro 24, 2009

ENCARQUILHADA COMO O MUNDO

Arantza.jpg
Arantza

A semana termina quente. Na meteorologia, o sol anda fugido, mas outro “Sol” se encarregou de aquecer os ânimos húmidos de desejo por escândalos dignos do nome. O licenciamento do Freeport em Alcochete, arrastado durante anos até à aprovação final, foi o mote. No “disse que disse”, consta que as autoridades inglesas farejaram irregularidades no negócio ao descobrirem avultadas maquias, obscuramente, destinadas a Portugal. Puseram à bulha tio, sobrinho e primo. Encheram o papo ao semanário e à TVI.

Qual o povo e oposição a um governo que não correm atrás de sumarentas notícias envolvendo o Poder em histórias pouco edificantes de sexo ou dinheiro? Ressalvando aqueles cuja corrupção é servida e fere diariamente vidas, como em África, não existem outros. Na Europa, ingleses e franceses põem a consciência nas mãos do diabo, sendo preciso, para o povo televisivo e/ou leitor de jornais pastar erva suculenta. Nas Américas, o mesmo. A História está pejada de histórias semelhantes. Deslizando nos clássicos mais próximos no tempo, o “Caso Watergate”, o “Caso Profumo”, o “Caso Mazarine Pingeot” - a filha ilegítima de Mitterrand que durante dezanove anos não pôde chamar-lhe pai – são alguns. Todos venderam como pão quente e tiveram consequências daninhas para os protagonistas.

Peter Eigen, presidente da Transparência Internacional, avisou a Alemanha de também padecer da doença da corrupção. Os alemães foram obrigados a deixar cair o protector velho costume "o que os olhos não vêem, o coração não sente". Por ora, vêem e sentem. Os políticos têm a imagem mais maculada e o mundo dos negócios segue-os de perto.

Vencer alheios por maquinações lamacentas é prática encarquilhada como o mundo. Depois, anjos de asas caídas somos todos. Quem estiver de fora, por actos ou omissões, que se acuse.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz
capa2.jpg
w-convite.jpg
Pelo reconhecimento do talento da Fátima Correia, estou feliz. Parabéns, minha querida!

Publicado por Teresa C. às 09:40 AM | Comentários (4)

janeiro 23, 2009

ESTA COISA ESTICADA À BEIRA-MAR

yEgDwDUsu3c3sp58pVxUn7FKLbtyjG05h175842.jpg
Ernani Oliveira

Na enregelada Islândia, a ilha geologicamente mais nova da Europa e das últimas a ser habitada por humanos, a temperatura emocional subiu abruptamente. Os islandeses perderam a compostura tranquila que o verde das pastagens emoldura. Três mil manifestantes, alguns batendo panelas e destruindo o (im)possível, tiraram o sono à polícia habituada a calmaria. Com mais prados do que povo, viesse no Brasil para a rua semelhante proporção de gentiaga e seriam dois milhões bem contados a transtornarem a cabeça e os cassetetes dos polícias. O mesmo que um quinto dos portugueses enxameando, em simultâneo, o largo fronteiro a S. Bento. Caos e catástrofe.

Os islandeses eram, até há meses, dos mais ricos habitantes do planeta. A inflação de dezoito por cento deixou-lhes rotos os fundos dos bolsos e ao governo as calças com fundilhos. Os bens essenciais aumentaram de preço trinta por cento, enquanto o valor da moeda desceu quarenta e cinco por cento. Sem advogar que o mal dos outros é conforto, esta coisa esticada à beira-mar ainda gatinha na crise financeira. Não houvessem sinais evidentes de se descoserem, lentamente, os fundos dos bolsos portugueses, quase devíamos prostrarmo-nos num hossana sentido.

“Quando a confiança se foi, TUDO se foi”, gritava um cartaz manifestante. Talvez a nossa quietude em tempos tão ventosos advenha da enfezada confiança tradicionalmente sentida. Habituámo-nos. “É a vida!” “Quem na escada mais alto sobe, mais balança!” Melhores estão do que nós por já terem experimentado bem-bom digno, enquanto por aqui nunca houve toupeira que escavasse buraco para enterrar a secular pelintrice. E, num encolher de ombros, vamos diminuindo o peso dos sacos com os bens indispensáveis e as «bicas» de cada dia. Na rua, arrefecem à chuva as castanhas assadas. Razão outra para chorar o fado e extravasar a melancolia.

CAFÉ DA MANHÃ
Vera Mar
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às 02:18 PM | Comentários (3)

janeiro 22, 2009

FARISEUS E PUBLICANOS

Arthur Braginsky  Artwork Terrestrial Affections.jpg
Arthur Braginsky

Sócrates chamou fariseus àqueles que, enquanto poder, eram entusiastas do TGV e, agora, no lado minoritário da Assembleia, o classificam de projecto megalómano e desorientado. Não lhe nego parcela de razão ao associá-los a tacanhez ou a vendidos a interesses outros independentes do bem comum. Polémico, mas possível.

Odeio o termo fariseus. Influência catequética da infância, não duvido. Eram descritos como fanáticos e hipócritas. Manhosos, enfim. Na altura, pela oposição ao Cristianismo. A tradição católica, associou fariseus e publicanos (Lucas 18:9-14). Os primeiros, orgulhosos. Certos da majestosa impressão causada nos outros. No templo, “oravam de si para si mesmos”, por tudo reclamando rendição alheia às virtudes próprias. O publicano, colector de impostos, manifestava humildade. Cabeça baixa, apenas solicitava ao Deus compreensão pelas falhas de nobreza em que incorria. Contam as Escrituras (Mateus 23:12) que o Deus dispensou a recitação ufana do fariseu. Que ao publicano, ouviu.

Milhares de anos após, os publicanos que da humildade e utopia fazem estar, são tidos por ingénuos, desadequados ao real que os envolve. Os fariseus estão em alta. Na bolsa da vida actual, quem parece ganha.

CAFÉ DA MANHÃ
Madalena Palma
Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 10:23 PM | Comentários (1)

janeiro 21, 2009

A RÃ DE LUIGI GALVANI

Kim Parkhurst frog02.jpg
Kim Parkhurst

O Poder desceu a Avenida Pensilvânia. Ia enfeudado em preto à prova da violência por alguns, muitos?, esperada. Antes, havia jurado honra e dever. Depois, falou. O mundo suspenso da fala de um homem só. Comentadores dissecando, prendendo com alfinetes cada fracção do discurso, alguns escoando maledicência miúda como soem fazer partes menores da alma portuguesa. O Poder foi a rã de Luigi Galvani tocada por mil escalpelos metálicos. Transformou química numa energia nova que o mundo esperava. O tempo viria a banalizá-la. Mas fez história e iluminou o mundo.

A noite amansou o dia. Olho o monitor. Sinto o som das teclas que, mal as vendo, debitam emoções em forma de letras, depois palavras. Escrever alma é tão fácil… Porque é necessário, julgam muitos, armadilhá-la? Talvez, e tão-somente, sejamos personagens num conto de liberdade ainda por escrever.

CAFÉ DA MANHÃ
Paula Capaz
António Costa Santos

Publicado por Teresa C. às 02:05 AM | Comentários (1)

janeiro 20, 2009

A BÍBLIA DE ABRAHAM LINCOLN

Gennadiy Koufay 1 copy copy.jpg
Gennadiy Koufay

No domingo, sob inspiração de Abraham Lincoln, Barack Obama (re)fez a viagem de comboio de Abraham Lincoln, em 1861, até Washington, DC. No Lincoln Memorial, houve festança à altura do Messias que o mundo espera. Sobre a mesma bíblia que testemunhou o juramento do seu guru político, hoje, Obama fará o mesmo. Quão pesada carga cai sobre o novo presidente da América (assim escrito parece injusto para as Américas outras, mas todas a do norte comanda)! Não há habitante atento do planeta que não esteja suspenso do desempenho do primeiro negro quase branco elevado à condição de presidente do país que mais sustém cordelinhos de marionetes pululantes.

Abraham Lincoln, Lincoln, filho de agricultores iletrados, cresceu “ao Deus dará”. Recém-chegado à condição adulta, não ia além de rudimentos na leitura, na escrita e na aritmética. Pouco habilitado, foi um faz-tudo. Guerreou índios e, também por isso, cumpre um dos velhos mitos americanos. Afirmaria, mais tarde, não ter visto um só guerreiro índio vivo e terem sido as lutas contra os mosquitos as mais sangrentas que travou. Concluiu com bravura o curso de advocacia e casou bem, com Mary Todd, mulher de educação esmerada, nascida duma família da elite do Kentucky. Antiescravista tardio, foi eleito presidente pelo Partido Democrata com a magra votação de 40% e sem um único voto dos Estados do Sul no Colégio Eleitoral. A Guerra Civil foi conflito sangrento que governou, mantendo a União. Na noite de 14 de Abril de 1865, numa Sexta-feira Santa, um actor defensor da escravatura e "sulista" por convicção, viria a matar Lincoln no Teatro Ford, em Washington.

Alguns biógrafos retrataram Abraham como bisssexual de espanto. “Parecia exalar testosterona de cada poro”, dizem. Para bem da Michele Obama e do mundo espero que o final de Barak seja diferente. Entretanto, hoje, é presidente.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
Manuel S. Fonseca

Publicado por Teresa C. às 08:00 PM | Comentários (0)

janeiro 19, 2009

NO PORTO, SALVOU-SE O "ALEIXO"

Fabio Hurtado005.jpg
Fabio Hurtado

"(…)Madrugar num fim de semana só por obrigação ou masoquismo. Mas a agenda existia, reclamava cumprimento, e, pelas seis, guinchou no despertador. Destino: Porto. Alfa Pendular como veículo – quem aos comboios reserva apreço mítico, não resiste. Entre as quatro rodas e o tudo fazer em viagem que demora o mesmo e não comanda, a escolha é simples. O Oriente recebeu peles quentes e leves no abafo e no chapéu aconchegante.

O alumínio embalava um pseudo-sono desacomododado havia duas horas, quando parou fora de sítio. Na inusitada Pampilhosa, foi inquirido o revisor. Explicou que um desafortunado, colhido entre linhas, pela morte interrompera as vidas passageiras. Imprevisível a retoma do andamento. Vir o Delegado de Saúde, identificar a vítima e remover o corpo previa demasiada espera. A agenda apitando, qual cacofonia. Porque nas tragédias inevitavelmente se alevantam líderes, o do momento foi eficaz. Que ele e o sócio, pela urgência duma reunião, sairiam do comboio ali mesmo. Que o revisor, no bilhete, por escrito registasse a causa. Saíram quatro. Táxi como remedeio. Pelo conhecimento pessoal e amigo do chefe máximo da CP, o líder garantiu o reembolso dos 120 euros que pagou pela corrida revelada amável devido à simpatia e conversa das companhias. Uma delas sugeriu “acompanhamento psicológico e ser indemnizada pela privação da magnífica imagem das escarpas, das pontes que ladeiam e unem Porto a Gaia.” O “sócio” confessou não utilizar comboios porque, devido à mesma causa fúnebre, num regresso a Lisboa ficara três horas retido em Espinho.(…)"

CAFÉ DA MANHÃ
Burt Bacharach & Dionne Warwick
Teresa C.
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 04:07 PM | Comentários (5)

janeiro 18, 2009

O ÚTERO MADEIRENSE

futebol 5.jpg
Autor que não foi possível identificar

Na semana internacional hoje finda, continuou notícia a violência encomendada pelos decisores de Israel e do Hamas - o presente confirmando a história sangrenta que vitimou e vitima gentes israelitas e palestinianas. Tréguas decididas e traídas. Culpas mútuas.

Esquecendo, como é recomendado para preservar mentes sãs, as costumadas misérias políticas, na semana portuguesa, empolgou governantes e povo a eleição do Cristiano Ronaldo como o melhor jogador do mundo. O rapaz provou ser o maior a lidar como uma bola de futebol. Para mais, sendo macho escorreito e bonito, não envergonha a raça lusitana. Tivesse rosto fuinho, pernas curtas e estatura mediana confirmaria a imagem medíocre que a estranja retém dos portugueses e associa a trabalhadores pouco qualificados. Ora, pelo que contam as “revistas del corazón”, parece que os atributos técnicos do craque não se circunscrevem às quatro linhas.

Logo Alberto João Jardim reclamou pedaço da conquista para a Madeira que lidera com mãos sapudas e férreas. Afinal, a mãe do rapaz é da ilha, disse, e não fora o útero madeirense teria outro destino o prémio da FIFA. Acresceu o mérito dos grupos da ilha que reúnem miúdos com vontade jogar à bola. Realçou a política desportiva “que havia” – lapsus linguae ou admissão de fracasso? En passant, ressabiado como de costume, lembrou os grupelhos do continente que lhe boicotaram a candidatura à presidência do partido. Mafiosos que não lhe ofuscam o brilho. É refrescante constatar a coerência que o dono da Madeira manifesta.

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às 11:48 AM | Comentários (1)

janeiro 17, 2009

AO HOUDSON PREFERIA O EAST

water 2 copy.jpg
Autor que não foi possível identificar

Ao Hudson sempre preferi o East River. Conheço-lhe o contorno bordejando Long Island. Fronteira de Manhattan, do (des)arrumado Queens e de Brooklyn. Abeira-o o Pier Seventeen do jazz forrando a rua e a beira-rio. E a ponte de Brooklyn ali tão perto. E os ferries num sobe-e-desce incessante. E as madeiras cujo pisar descansa.

As aves, mais do que os ventos, atemorizam os pilotos aéreos estando, ainda ou já, a terra por perto. A conjugação das leis físicas e a aleatoriedade das aves que pelo ar se deslocam propiciam (des)encontros entre bichos aéreos de metal e com penas.

A turbulenta amaragem do comboio voador da Airways nas águas geladas do Hudson podia ter sido tragédia. Não foi. A quase centena e meia de passageiros saiu ilesa e com os pés enxutos. Foi rápida a investidura do piloto na condição de herói. Eficaz, contraporia. Profissional competente, também.

Do acontecido, sobreveio-me a lembrança do rio das águas tranquilas. Escuro, poluído, com a Estátua da Liberdade em fundo. Do Financial Center que conheci, do Battery Park City debruçado sobre o Hudson, da pequena e soberba marina que o fim-de-semana enchia com bicicletas, caminhantes e patinadores resta vestígio após a destruição do World Trade Center. Revê-lo foi desgosto. Que o rio esquerdo, visto do sul, não tenha engolido gentes, foi gosto.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às 10:08 PM | Comentários (2)

janeiro 16, 2009

VAI E VEM-TE NA NOITE CAÍDA

ty0x6YP45181n3L6lQ6p35Afg757ecV31379.jpg
Silva Palmeira

Dos dias são esperadas surpresas, é sabido. Ainda bem! Fossem paus-mandados da previsibilidade e os humanos definhariam. A novidade que arredonda os olhos e espevita, pelo espanto, os ouvidos, é sal e pimenta das horas corridas. Nos que afirmam “Já nada me surpreende!”, não acredito. Frase cínica, entediada ou revelando sobranceria. A imunidade contra a surpresa não existe.

Ela nem lembrava o compromisso que assumira, semanas antes, para o dia seguinte. Como anfitrião, um Homem de excelência. Amostragem do corpo diplomático, da igreja oficiosa e da política. Próximo o sono, arrebanhou peças de roupa e acessórios que a ocasião servissem, isentando o risco de overdressed na parte inicial e restante do horário de trabalho do qual a recepção seria interlúdio. Abotoou o mouton pérola até ao pescoço de modo a esconder a saia de cós subido em veludo turquesa e o camiseiro justo. Tudo revelaria quando no bengaleiro do hotel recebesse a chapa devida.

Passada a oficialidade do acto, copo numa mão, prato na outra, guardanapo de pano dobrado na beira da porcelana, cumprimentou, reviu rostos afáveis e, por tudo, a boa disposição cresceu – da qualidade sofrível do vinho branco gelado esteve omissa a causa.

Um sorriso, conhecido de anteriores eventos, sobressaiu. Homem lindo pela irregularidade dos traços. Voz quente. Olhar diferente do lembrado – irreverente, falador à revelia do discurso social, íntimo pela fundura. E da fala silenciada ambos ficaram presos. Deixados a sós por instantes eternos, foi pedido o número do telefone dela. Que não, que o indagasse, que lutasse por obtê-lo. Lutou, indagou e obteve. A tarde foi diálogo escrito.

Noite descida já os sentidos e os corpos a distância misturava. Vai e vem-te ebuliente entre sussurros, desvairados gritos e o vernáculo consentido que a insanidade pedia. O desejo nas teclas, a voz como estuário do rio em êxtase. Um de muitos, pensou ela, pelo «k» substituto do «q».

No dia novo, ela pensava no tudo-nada acontecido. Que dele pretendia, afinal? O doce sabor da ilusão da conquista. Que dela mais quisesse do que gruta e vagidos. Que não lhe possuísse o corpo sem dela conhecer o espírito. E o pseudo-café, sugerido para a nova noite caída, foi adiado; nunca pela surpresa - a essa anuiria -, mas pela sugestão de serventia que os corpos constituíam.

CAFÉ DA MANHÃ
Vera Mar
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às 05:21 PM | Comentários (0)

janeiro 15, 2009

À BOCA DO SECUNDÁRIO

Keith Garv c.jpg
Keith Garv

O sucesso escolar das crianças depende, em primeiro lugar das competências dos pais, mais do que da etnia e do estatuto social. Este foi o resultado de uma investigação do Ministério da Educação cuja amostragem contemplou estudantes do 10º ano de escolaridade. A obtenção de boas classificações surge como relação directa do sucesso dos pais enquanto estudantes. Óbvio, diria, sem precisar de investimento em horas e exaurir o erário público.

“A análise «Estudantes à Entrada do Ensino Secundário», realizada pelo Ministério da Educação, demonstrou que 62% dos alunos nunca chumbaram e mais de metade, 57%, acabaram o nono ano sem qualquer nota negativa. Outra conclusão indica que dois terços dos alunos que em 2008 chegaram ao secundário já ultrapassaram, ou se aprestam a ultrapassar, as habilitações literárias dos pais.”

Famílias de menor escolaridade vêem os filhos enveredar por cursos profissionais, evitando cursos científicos ou de letras. As raparigas obtêm melhores classificações que os rapazes sendo igual a faixa etária e ano frequentado no secundário. Há tempo que do mesmo fazem prova a lista dos alunos que ingressam, com êxito, no ensino superior. Daqui a curtos anos, as médicas urologistas serão norma. Com as advogadas, engenheiras civis, mecânicas ou electrotécnicas, acontecerá o mesmo.

Somente um terço dos filhos de operários têm sucesso escolar. Os restantes dois terços são provenientes de pais com profissões qualificadas. As desigualdades sociais não surgem como mera conjuntura. Perpetuam-se. O fado das vielas e ruas esconsas no seu pior – a predestinação. Os descendentes que a sofram.

CAFÉ DA MANHÃ
Madalena Palma
Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 09:52 PM | Comentários (2)

janeiro 14, 2009

“NEM ALÁ SABE ONDE ACABAM OS PROBLEMAS”

Elisa Savage.jpg
Elisa Savage

A voz de Dom José Policarpo acordou-me. No tom monocórdico e pausado que a caracteriza, podia ter substituído com vantagem o guinchar do despertador, não mencionasse muçulmanos, amores e mulheres. Estremunhada, julguei-me bipartida: o corpo despertara, o entendimento dormia.

Já a dose matinal de adrenalina bebericava olhando o perto-longe do horizonte, remoí a misteriosa combinação das palavras que ouvira. O noticiário seguinte levantou a cortina espessa que as envolvia. O Cardeal Patriarca de Lisboa prevenia as jovens portuguesas do risco que correm ao tomarem-se de amores por muçulmanos. Sarilhos elevados à infinita potência serão, fatalmente, o destino.

Que as diferenças culturais e religiosas das sociedades podem constituir desafio, sei. Que numa relação enamorada obrigam a multiplicar tolerância, solidez do afecto e dádiva, é verdade insofismável. Mas que particularmente os muçulmanos acresçam surpresas e desencontros inerentes aos amores, é limite e excesso de zelo do Chefe da Igreja Católica portuguesa. Certo esteve quando disse que “nem Alá sabe onde acabam os problemas”. Jesus Cristo também não. Deo gratias!

CAFÉ DA MANHÃ
Paula Capaz
António Costa Santos

Publicado por Teresa C. às 10:40 AM | Comentários (6)

janeiro 13, 2009

QUASE NADA É O QUE PARECE

butrfl_girl.jpg
Autor que não foi possível identificar

Sobre o “Caso Esmeralda” sempre me escusei a tecer considerações. Perante o imbróglio jurídico e emocional gerados, cedo me dei conta de ultrapassar, em muito, o meu entendimento.

Porque, finalmente, tudo me foi explicado devidamente, recomendo a leitura na íntegra do texto do qual publico um excerto.

(…) Ao contrário do que muitos pensam e foi veiculado, o pai biológico da Esmeralda não apareceu do nada em 2007 reclamando a entrega da filha. Na verdade, este é um processo que se arrasta pelos tribunais há cerca de sete anos e no qual todas as decisões judiciais foram no mesmo sentido, o da entrega da menor aos cuidados do pai biológico. E compreende-se bem porquê, bastando para tanto invocar e datar alguns acontecimentos. Ora, vejamos.

A menor nasceu em Fevereiro de 2002, mas somente em Julho do mesmo ano é que o pai biológico foi inquirido no âmbito do processo de investigação da paternidade. Importa referir que Baltazar Nunes compareceu regularmente após a citação e que manifestou de imediato a disponibilidade para assumir a paternidade da menor, exigindo, contudo, que fossem realizados testes hematológicos a ambos para que essa paternidade fosse certificada cientificamente, já que a mãe da Esmeralda se prostituía. O resultado dos testes foi obtido em Janeiro de 2003 e a paternidade foi confirmada. No dia 24 de Fevereiro de 2003, Baltazar Nunes foi notificado do resultado e perfilhou imediatamente a menor. Apenas três dias depois requereu a regulação do poder paternal da filha, pois legalmente a criança estava sob a tutela da mãe biológica, já que o documento assinado pela mesma em que declarava entregá-la ao casal de «pais afectivos» não tem qualquer validade. Com base nesse pedido do pai biológico foi instaurado o processo administrativo para regulação do exercício do poder paternal.

Em Julho de 2004 foi prolactada a primeira sentença que atribuiu a guarda e o poder paternal da menor a Baltazar Nunes. Seguiram-se várias queixas do pai biológico ao Ministério Público, uma vez que os «pais afectivos» não lhe entregavam a Esmeralda e o seu paradeiro era desconhecido. Em Janeiro do ano seguinte, deu entrada no Tribunal Constitucional o sobejamente conhecido recurso do casal reclamando a sua audição como parte legítima no processo de regulação do poder paternal. Entretanto, vários mandados de entrega da menor foram emitidos, todos eles incumpridos, pois os «pais afectivos» mudaram várias vezes de endereço, tentando com isso evitar as notificações dos Tribunais, consubstanciando os seus comportamentos um crime de sequestro (ou, como entendeu o S.T.J., de subtracção de menor). Foi por esse mesmo crime que o sargento Luís Gomes começou a ser julgado em Dezembro de 2006, quando sobre o caso recaiu a atenção da imprensa. No âmbito desse julgamento, o Tribunal determinou a prisão preventiva devido ao risco de continuação de actividade criminosa (o sequestro mantinha-se desde 2004). (1) Pela prática desse crime foi o sargento condenado numa pena de prisão efectiva de seis anos. (…)

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
Manuel S. Fonseca

Publicado por Teresa C. às 08:24 PM | Comentários (0)

janeiro 12, 2009

A METÁFORA DO HOMEM BÍBLICO

Julia Cuddlewell gardenparadise.jpg
Julia Cuddlewell

Três homens e uma mulher. Quadrilátero em que ela é diagonal e vértice. Por intervalos breves, na memória recuados, com dois deles partilhara lençóis protegidos e negrumes urbanos como reposteiros de veludo que a nudez e os sexos esconderam. Com o Miguel tecia palavras acoitadas no desejo incumprido. Pela adivinhação própria de amantes que antes de serem já eram, ela sabia-lhe o deleite solitário ao evocá-la. Ele dela supunha o mesmo. Engano – somente depois do beijo, ela anteciparia sabores outros a cuja cascata se renderia ou não.

Passada a mudança do ano, foi lavada a intimidade violeta e prata, mais as meias cinza-chumbo de liga extensa que a mini de pele da mesma cor uma vez ou outra revelara – a abertura lateral, pelo atrevimento, encantou a mulher e a quem o rasgo era dirigido.

Dias depois, cada um dos três homens, relatou a última festa do ano. O João foi o primeiro.(...)

George Carlin - Ten Commandments
CAFÉ DA MANHÃ
Teresa C.
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 09:35 PM | Comentários (5)

janeiro 11, 2009

DE BARAJAS A BRAGANÇA

Jackie Sullivan 1.jpg
Jackie Sullivan

Em Barajas, a confusão foi muita. Voos cancelados. Atrasos de um dia para quem somente pretendia transporte de um lado para o outro. E as vinte e quatro horas sem sono, fizeram dos passageiros revoltosos. Entraram e saíram dos aviões sem explicações ou conforto.

Nas estradas portuguesas, fossem «As» ou «Ipês», houve registo de procissão de veículos atolados na neve, depois gelo. Esperaram mais de dez horas até os condutores serem recolhidos. As latas ficaram ao “Deus dará”, enquanto o sal disseminado não baixou o ponto de fusão da água sólida que aos Celsius negativos fizesse frente.

O cloreto de sódio impuro, condimento culinário e soluto responsável pela variação crioscópica da água, foi lento na chegada e no acto de fazer transitáveis estradas. Sofredores, porém pacíficos, camionistas e outros manobradores dos volantes, suportaram o gelo escarninho nos alcatrões forrados com branco. Em Lisboa, a neve pecou por omissão. O sol brilhou. Às portas dos cafés de bairro, os homens fizeram soalheira digestão do almoço, enquanto as respectivas arrumavam a cozinha e, sendo caso disso, vigiavam a sesta da pequenada.

Para massas de ar importadas dos Pólos não estamos preparados. Pois se os extremos meteorológicos até aos madrilenos, que deles têm experiência, confundem, que esperar das brandas vias e serviços de emergência portugueses habituados à mornidão atlântica?

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às 10:43 AM | Comentários (4)

janeiro 10, 2009

DE BRANCO “ENQUANTO PINTAS”

Walter Girotto zpic.JPG
Walter Girotto

Como possível a neve, noite dentro, na Lisboa já serena. Talvez brancura acrescida ao Algarve sendo da madrugada a hora. À chegada ao aeroporto, ontem pela manhã, 1ºCelsius era respirado pelo horizonte limpo. Porque do Sul Lisboa é fronteira, configurar neve para cá e lá da outra margem do Tejo costuma ser fantasia.

Mas é fim-de-semana. Chegada, finalmente, a pausa no obrigatório que o não é, sendo, pelo trabalho-amor. E haverá tempo para tudo, para nada quando for terminado o domingo. Na indecisão da atmosfera, mantida fluida e sem espessamento à vista, o entretém-gozo é a gruta íntima e a segunda das telas começadas. Já secos os óleos da mancha e fundo. Apetites debruçados sobre o “enquanto pintas”.

E chegam fotografias de neves outras que acolhem amores felizes. De frios que escaldam na mistura dos corpos. De músicas que, enquanto não chega o branco, também enfeitaram a noite.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às 09:38 PM | Comentários (3)

janeiro 09, 2009

ELAS E ELES MANCEBOS

Img3046_Skin.jpg
Dave Nestler

Sem causa atribuída ao fantasma de Morgause, irmã vingativa de Viviane nas “Brumas de Avalon”, a Ilha deparou-se com um fenómeno bizarro: pela calada da noite, a turbina de um aerogerador foi danificada numa quinta remota, na zona Este de Inglaterra. Logo testemunhas autóctones se alevantaram, afirmando como culpado um ovni por ter chocado com o aparelho. Os especialistas apressaram-se a denunciar o culpado do costume: fenómeno meteorológico raro.

Vem a estória ao caso da investigação científica dar arranjo e ser índice de progresso de um povo. O nosso, como exemplo. “Portugal foi o país da Europa onde a despesa em Investigação e Desenvolvimento mais cresceu entre 2005 e 2007, sendo agora o 15.º país da União Europeia que mais investe nesta área, segundo o gabinete de estatísticas europeu Eurostat. A despesa de Portugal com esta área cresceu cerca de 46 por cento, quando medida em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), muito acima da média europeia, que cresceu um por cento neste período. O investimento em Investigação e Desenvolvimento passa a representar globalmente 1,2 por cento do PIB, atingindo assim os níveis de Espanha (1,2 por cento), aproximando-se dos da Irlanda (1,3 por cento) e superando a Itália (1,1 por cento).” Eu, “menina da rádio” que preza confiar no que de bom auguram os ventos, acredito.

Extraordinário, ou talvez não, é ser, a partir de 2010, obrigatório o recenseamento militar para mulheres e homens, umas e outros mancebos. Promoção anunciada por Severiano Teixeira para as jovens portuguesas. Passam, então, as donzelas a serem incluídas no “Dia da Defesa Nacional”. Mudança que arroga promover «uma medida de igualdade de género». Bonito! Assim elas entendam a medida como mais uma borracha para apagar a discriminação ainda vigente.

CAFÉ DA MANHÃ
Vera Mar
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às 12:18 AM | Comentários (0)

janeiro 08, 2009

CRIANÇAS ENAMORADAS

Michael van den Bosch 1.jpg
Michael Van Den Bosch

Em 2008, noventa crianças fugiram, por amor, da casa dos pais. O termo criança aqui obedecendo à terminologia legal: menores de dezasseis anos. Entre os doze e os catorze, trocam a família pelo namorado, invariavelmente fruto de hormonas em ânsia que olhares e toques no intervalo entre aulas transformou em paixão. Precária como soe acontecer. Eterna como soe ao adolescente fantasiar.

Chegar ao porquê do arrojo da fuga é tentador. Famílias disfuncionais sem garantirem estabilidade e afecto? Pais-tiranos que esqueceram os juvenis sofrimentos por amor e, por isso, desentendem afectos sublimes pela ingenuidade e entrega total que tratam como indisciplina a merecer corte de mesada e proibições várias? E as crianças que o não são, antes pessoas em crescimento que procuram respostas a perguntas que silenciam ou merecem indiferença azafamada, trocam o pouco que pensam ter pelo tudo que julgam obter.

Como reagirão os jovens enamorados à privação da segurança, carinho e conforto emocional que, supostamente, os pais deviam garantir? Perdidos por aí num inóspito lugar fazendo cabana e céu de um (des)arrumo qualquer? A polícia perseguindo-os como foragidos, a família aniquilada, quero acreditar, talvez alguns amigos sabendo-lhes o paradeiro que sonegam pela idealização da atitude-coragem que defronta o incompreensível mundo adulto.

Atribuição de culpas é acto comumente falacioso. Resta a perplexidade, talvez inútil se for pensado que há breves décadas não existiam estatísticas que ocorrências semelhantes contabilizassem.

CAFÉ DA MANHÃ
Madalena Palma
Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 07:59 PM | Comentários (0)

janeiro 07, 2009

NA ESCARPA, CORRE ÁGUA NO BICO

The Eruption of Vesuvius, 1820 Johann Christian Dahl.JPG
Erupção do Vesúvio em 1820 - Johann Christian

Sou mulher dada a “máximas”. Algumas engendro, outras adopto dos adágios populares. Como em tudo concernente a normas e ordens, subverter-lhes o ocioso é prazer que não esqueço. Nisto, portuguesa de gema. Componente da matriz pessoal de que não abdico, assim a lucidez me permita continuar nesta e noutras formas da deliciosa insanidade que me alegra as horas.

Ora, a mulher irreverente abre os olhos colados de sono e ouve terem arrefecido as bolsas mundiais, a de Lisboa seguindo das rainhas os passos. A meteorologia culpada por passar a negativa a temperatura mínima nas duas próximas noites. Isto por cá, porque na Europa a contenção na distribuição de gás pela Rússia é considerada ré do crime da frialdagem bolsista. “Da Rússia nem gás, nem bons ventos” foi a síntese que, entre o Nespresso e o briol vindo da janela semiaberta – mania outra indiferente ao ciclo da Terra -, enviei para o molho das “máximas” pessoais.

Mas o ritual diário de, bem cedo, saber o que é passado e presente, trouxe-me a nova-velha da segurança na escarpa da Serra do Pilar. A Câmara de Gaia manifesta-se preocupada como os cidadãos que por ali arrumaram casas e vidas desde há trinta anos. Um dia, ameaçados de expulsão pela polícia, não fosse uma provável derrocada esquife, os habitantes do lugar tremeram e juraram fazer como os napolitanos que nas faldas do Vesúvio arriscam sorte e morte. A Governadora Civil, após as obras de escoamento das águas e consolidação da escarpa, garante não estar em causa a saída forçada dos que lá vivem. Estes, desconfiados com preocupação inaudita para lhes garantir segurança, acusam a Câmara de Gaia de expulsar a modéstia da maravilha sobranceira ao Douro, trocando-a por luxo turístico. Porque amo o Porto e as escarpas afundadas no rio, desconfio – sendo a protecção dos cidadãos normalmente esquecida, tamanho cuidado só pode “trazer água no bico”.

Sorrento - Baía de Nápoles – Vesúvio
CAFÉ DA MANHÃ

Saúdo, alegremente, o aparecimento de um excelente lugar onde, entre outros nomes, pontificam a Sofia Vieira e a Leonor Barros. Pela qualidade inquestionável, serei fiel leitora. Parabéns à equipa, às muito queridas Sofia e Leonor em particular.

Os Atlânticos deixaram-me saudade. Com desgosto, desligo o SPNI do blogue-referência que terminou.

Paula Capaz
António Costa Santos

Publicado por Teresa C. às 10:59 AM | Comentários (7)

janeiro 06, 2009

PNET–SONHO-DESEJO

6.jpg
Autor que não foi possível identificar

Em Portugal, das publicações regulares nadas em 2008 por via net – a rede que a tantos pesca e fideliza –, a afirmação e abrangência da PNET foi o acontecimento maior. Projecto-sonho, “o livro que nunca escreverei,” a realidade que sem pesar custos ou esforços um Homem construiu. Nasceu de mansinho, encheu de ar os pulmões, revelou imagens belíssimas – PNET Imagens - sem carecer do escuro laboratorial, e, cedo, multiplicou a escrita: sete dias, sete cronistas, catorze ao todo, no PNET Mulher e PNET Homem. O PNET Artes surgiu depois. Agrega alguns dos artistas que mais lustram as artes plásticas nacionais. Outros e galeristas aplaudiram e preparam surgimento condigno num «sítio» que a todos honra, brevemente traduzido em francês, inglês e espanhol. O Artesanato, com a Isa Vasconcelos, seguiu os passos dos irmãos. Mais tarde, também enquadrado no mesmo denominador cultural, abriu caminho o PNET Literatura pelo talento e saber do Luis Carmelo. Dele ao PNET Júris que a conhecedora e especialista Marta Botelho coordena, foi um passo. O PNET Petições colmatou um vazio em português.

Mais sítios PNET existem: vinte e três é o resultado da soma. Ontem, e com o João Moreira de Sá, nasceu o primeiro site de humor português: PNET Humor.

Quem julgue ficar por aqui a ambição da rede PNET, engana-se. Outros projectos estão registados e, mês a mês, o respectivo anúncio será facto. Orgulho-me da condição de cronista que no PNET Mulher desempenho com entusiasmo e esperança de não ficar aquém do que da Teresa C. não é esperado. Que subam e desçam marés ao ritmo da lua. A minha outra mulher, a lunar como lhe chamam, deste e doutros vaivéns harmónicos não se afasta.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
Manuel S. Fonseca

Publicado por Teresa C. às 12:53 AM | Comentários (0)

janeiro 05, 2009

A COR DO TERROR

FRITZ WILLIS.jpg
Fritz Willis

Fala-se do plano de Israel para dividir, antes de destruir, a faixa de Gaza. Sabe-se do radicalismo islâmico que move e arma o Hamas. É conhecido o sofrimento dos palestinos, muitos dispostos à paz. A elite militar, fortemente armada, reúne o apoio de países árabes e jura vingança mortífera contra Israel. E quem pouco entende de estratégia geopolítica aumenta a perplexidade e constata: “tanto ódio por nada!”

Israel e o Hamas esperam Obama. Em campanha, Obama prometeu dialogar com o Hamas. O Hamas ataca israelitas que reagem matando muito mais. A Palestina surge como vítima do próprio Hamas e de Israel pela força destruidora maciça contra a língua de terra pomo da discórdia por abrigar um povo fugido. Duas histórias, duas religiões, dois povos em confronto. Um rico, outro pobre. Ambos sofredores pelo permanente convívio com a morte.

E enquanto o terror desfila, a cor anima a tela. O cheiro a diluente acentua a distância entre a paz e a guerra.

CAFÉ DA MANHÃ
Teresa C.
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 07:56 PM | Comentários (4)

janeiro 04, 2009

DEFLAÇÃO NA VIDA TRIPLA

Egil Hansen moods.jpg
Egil Hansen

Também na Alemanha o pessimismo está em alta. Nem as benesses fiscais anteriores ao fim do ano diminuem o número de alemães pessimistas que perfazem 70 %. Menos férias, contenção, adiada a compra do automóvel novo apesar da promessa de não pagar impostos durante um ano. A hipótese do cheque-crédito de 500 euros para entusiasmar o consumo não aliviou o horizonte plúmbeo. Lá, como cá, temem perder o emprego. E quando o espectro deflacionário se ergue, os alemães aproximam-se dos cidadãos portugueses – os mais pessimistas da Europa. A maleita surge como pandemia - até a Honda se apresta a vender ou terminar com a equipa da Fórmula 1.

“Lembra-se do preço do petróleo aqui há uns meses atrás? Pois, na casa dos 150 dólares. E lembra-se nessa altura a quanto se vaticinava que estaria até ao final de 2008? Pois, certamente chegaria aos 200 dólares, anteviam os peritos da coisa. Sabe a que preço está o petróleo nos dias que correm, não sabe?
Certo é que a realidade está cada vez mais virtual e vice-versa.”

VdeB – comentador no SPNI

A resposta, que vem e não vem ao caso do texto, foi próxima disto: “Não tendo a memória ou feito a “Viagem do Elefante” que Saramago conta, nunca ninguém disse que viver era semelhante a passeio num parque. Mas concordo com a observação/pergunta que faz no último parágrafo. Quando afirma "que a realidade está cada vez mais virtual e vice-versa", temos o paradigma das sociedades ricas do nosso tempo - vida tripla. Duas sempre houve - a do próprio e a que dele os contemporâneos contam. A velocidade de comunicação que o triângulo (quadrilátero) dos satélites GPS permite e a rapidez da evolução científica concederam-nos a terceira vida: aquela que virtualmente possuímos. E neste enredo nos confundimos, ganhamos e perdemos.”

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às 09:51 AM | Comentários (0)

janeiro 03, 2009

BURRA 3

Terry Rodgers alicewonder.jpg
Terry Rodgers

Disse ao telefone: “são tão burras, tão burras que até não sei como têm a esperteza de conseguirem ser ainda mais burras!” E eu ri, ela riu pela assunção humorada. Falava-me da Isabel, a empregada, que matinalmente lhe traz pão, fiambre e marmelada caseira cortada à fatia. Mulheres para além da meia-idade, patroa e empregada, aceitam-se mutuamente com pundonor e graça. A Isabel, respeitosa, trata-a por Senhora Doutora. Admira-lhe a bondade, o talento, as relações simples e afectuosas do microcosmos político, da finança e das embaixadas.

A patroa, solidária, presente nas horas boas e más, reserva-lhe compreensão infinita, ressalvando a visita plurissemanal que sabe ela fazer ao chinês do bairro. Gastos supérfluos para quem sustenta o marido que padece de Alzheimer e deixa na farmácia gorda fatia do ordenado. Pela tristeza da vida e pelo alheamento-mezinha, é compreendido o corte ao contrário da peça de carne assada para o jantar da patroa-amiga A sopa desenxabida, que como entrada devia forrar o estômago, igualmente desculpada. E ri enquanto ilustra a história com caricaturas e balões como se fora banda desenhada.

À Isabel, incapaz de lidar com a amargura dos dias sem alienações consumistas, chama, ternamente "burra 3". A alcunha, friamente ouvida, parece insulto. Não o é. Aos outros reserva olhar bondoso e para quem a afaga deseja mais e melhor. Por isso pega na esfregona e dá volta à casa quando a empregada anuncia, muito depois da hora do fiambre e do pão fresco, que não vai trabalhar - "Sabe, Senhora Doutora, com esta chuva nem apetece sair de casa". "Para aqui não saiu de certeza", disse rindo, o telefone preso no ombro, enquanto limpava o pó.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
Anónio Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às 08:35 PM | Comentários (0)

janeiro 02, 2009

O DISCURSO, O MARIDO, A MULHER E O AMANTE

Michel Gourdon ypic.JPG
Michel Gourdon

É fatal como a azia sobrevinda aos fritos e ao atascanço de champanhe que faz boiar a lagosta e o gratinado de marisco. À mistura com o chá e o debicar de uma ou outra sobra de petisco, soa o Hino Nacional. A bandeira como fundo. A solenidade também composta pela voz cava. Pausada. Desgraças enumeradas uma a uma: falências, desemprego, ruína da agricultura e do pequeno comércio. Poupar é anúncio que o clarinete presidencial determina. Que findem as querelas institucionais. Que o povo se aquiete, produza e retorne à higiene da economia familiar. Que o governo se contenha e adie investimentos de monta. Palavras compassivas que supostamente confortam os que na miséria vivem e aqueles que, a breve trecho, dela experimentarão as agruras.

Quando a figura, e dela a voz, é substituída pela publicidade que propõe novos consumos, apetece enfiar pelo gorgomilo dois, digo, meia dúzia de Valiuns e arriscar uns golos de aguardente – conhaque não, por convir poupá-lo para aquecer a pobreza prevista.

E uma mulher acorda de um sono, apesar de tudo, tranquilo e ouve de novo a voz e o escândalo dos três gestores da Gebalis que durante um ano encheram, com requinte, o papo nos melhores restaurantes do mundo. Quarenta mil euros em comezainas foi o sumptuário gasto de um deles. Agora, a empresa da Câmara Municipal de Lisboa encarregada de gerir os bairros municipais da cidade pede uma indemnização de seis milhões de euros ao triângulo da vidairada. Esta reacção faz lembrar a do marido enganado a quem o amigo conta estarem, naquele preciso momento, a mulher e o amante enrolados na cama da conjugalidade. O homem não está de modas: avança casa adentro. No regresso, pergunta-lhe o amigo: “mataste-o?” – “Não, mijei-lhe na bota que tinha à entrada.”

CAFÉ DA MANHÃ
Vera Mar
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às 10:54 AM | Comentários (2)

janeiro 01, 2009

COM A ARTE DE CARLOS DUGOS

46T5JqhFHVOU1CdK1iK2AHr78N2M76nC7s014387 copy 1.jpg
Carlos Dugos - PNET Artes

CAFÉ DA MANHÃ
Madalena Palma
Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 10:50 AM | Comentários (3)