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janeiro 30, 2009
ONDE SE FALA DE BETÃO E EPICURO

Alex Rossart
É um prazer ouvir fala que derrame sentimentos e lógica. Sentir o pensar de um ser exigente que não desiste de reflectir sobre si e sobre o mundo. Que acolha, guloso, discordâncias e na argumentação encontre deleite. Porque compreender a natura das gentes e das coisas é a essência dos espíritos que no entendimento se comprazem, é bem-vinda a veemência e a emoção do discurso. Partilha sem regras ou estereótipos.
Entre as gentes, muitos desvalorizam a riqueza de atentar nos outros e deles quererem saber, aprendendo. Espíritos cheios de vento desprezam a partilha do íntimo como menoridade própria dos «fracos». Eles, os «fortes», subdividem-se em tolos e arrogantes. Os primeiros rejeitam aprofundar (pré)conceitos e sentimentos. Filhos do pior de Epicuro, apenas o imediato os atrai. Nada mais existe que valha detença. Temem pensares e realidades que furem o baú a abarrotar de pulsões, primárias como todas.
Dos «fortes», os arrogantes constituem perigo maior. A soberba preside ao banquete que poderia ser o estar. Por isso rejeitam a iguaria do pensamento alheio e se afundam na tonteira das certezas idiotas. Defendem-se fechando as portas e janelas do íntimo de betão. Temem fresta por onde entre brisa capaz de lhes tumultuar os ventos do espírito. Uma opinião contrária é encarada como tempestade de raios e coriscos. Na essência, uns medrosos!
Publicado por Teresa C. às janeiro 30, 2009 11:20 AM