« VA.VÁ.DIANDO, FADO E INQUIETAÇÃO | Entrada | “CASAMENTO, ASPAS” SEM CREME »
fevereiro 10, 2009
UM COPO DE CIÊNCIA

Bryan Larsen
Admito a bondade do princípio que associa a uma qualidade um defeito, e vice-versa. Legitimado para o indivíduo, aplico-o ao povo. O nosso. Português. Somos madraços quando o trabalho é por conta e o tostão está certo, esforçados se de mais labor vierem proventos que o umbigo satisfaçam. Brejeiros e danados para a «brincadeira», sérios se é preciso ajudar. Desembaraçados no deitar mãos à obra que pague o pão, mais ainda se o embuste ou artifício garantir renda e afago no lombo. Não temos o nariz empinado dos franceses, mas na matreirice do olhar acumulamos pós-graduações. Mais carpimos por «nadas» do que por reais dramas. Todos o fazem - empresários, trabalhadores, cientistas, cidadãos comuns.
O estereótipo do investigador em ciência, distante, desalinhado, distraído, desorganizado, desabonado, tem os dias contados. Porque investigar é assunto sério e requer tecnologias dispendiosas, as verbas ou os patrocínios são fatalmente escassos. Ponto assente é buscar a ciência visibilidade que empolgue o mecenato. Deste não há em Portugal tradição significativa; nos Estados Unidos, ex-alunos bem sucedidos tomam a peito contribuir para a excelência da, outrora, sua escola.
Do nosso défice de elites não escapa a classe empresarial. Tendo o mecenato incentivos fiscais, o patrocínio das artes ou do desporto oferece-lhe retorno mais rápido do que o mecenato científico - a pesquisa em ciência é, por natureza, ronceira e o trajecto incerto. Se os nossos investigadores divulgassem ao cidadão comum, com a simplicidade possível, os respectivos projectos e conquistas, talvez o cenário mudasse. Porém, ainda resiste o pensamento da procura de financiamento para a investigação ser vertente menor, mercantilista, dizem. Engaiolar a ciência pode alheá-la das virais leis do mercado; todavia, castra-a e impede a revolução dos espíritos.
Experimentar é preciso desde a mais tenra idade. Em cada etapa do desenvolvimento mental devem ser estimuladas a curiosidade e a manipulação dos equipamentos laboratoriais. O ambiente doméstico contém muitos - um copo com água límpida descrito como mistério magnífico que é, encantará petizes, adolescentes e adultos.
A busca em ciência obriga a espírito humilde. Estrutura intelecto e personalidade.
Publicado por Teresa C. às fevereiro 10, 2009 07:19 AM
Comentários
… intelecto e personalidade. De acordo. Mas (cumprindo a matreirice do pensamento) há a liberdade que, frequentemente, os financiamentos oprimem. Daqui resulta que muitas vezes os jovens investigadores são operários da ciência.
Publicado por: João L. às fevereiro 10, 2009 10:56 AM
… intelecto e personalidade. De acordo. Mas (cumprindo a matreirice do pensamento) há a liberdade que, frequentemente, os financiamentos oprimem. Daqui resulta que muitas vezes os jovens investigadores são operários da ciência.
Publicado por: João L. às fevereiro 10, 2009 10:39 PM
Pois é essa condição de operário da ciência que rejeito. Porém, lutar por financiamentos é coisa diferente. Como afirmei, passam por divulgação que, sem dispensar o rigor, os anónimos entendam.
Publicado por: Teresa C. às fevereiro 15, 2009 12:48 PM