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fevereiro 13, 2009

A, B, C, D

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Alain Dumas

A, B, C, D. Viajante, advogado, publicitário e investigador. Disperso, ardiloso, exagerado e contido segundo os estereótipos comuns. Rótulos baralhados. Contrários à sequência. Fosse jogo de entretém fazer coincidi-los com os personagens, a solução seria: ardiloso, exagerado, contido e disperso. Ela como pólo agregador de parte das horas de quatro homens. Cinco vidas.

Alturas chegavam em que o dia, fraccionado em momentos, englobava os quatro. A ordem do alfabeto sem correspondência com as partilhas acontecidas. Pelo trabalho, pela vontade deles, pelo acaso, ela sentia quatro olhares distintos e intensos, quatro aromas, o dobro em mãos faladoras. Três fatos e outras tantas gravatas – D fruía do luxo da informalidade no trajar.

Nos diferentes registos, ela movia-se com agilidade e prazer. Ouvia três “petit non” – o da infância, o mimalho, o «gazela». Este preferia. Um dos homens acertava ao não dispensar os dois nomes constantes da certidão de baptismo. E ela dissolvendo prazer na fala, nos gestos, no caloroso acolhimento que cada um lhe merecia. Ao pensar a aparente dispersão de afabilidade, para si desmenti-a. Sabia-se múltipla em interesses, faces e nas imagens que espelhos vários dela reflectiam. Um dos quatro dissera: “não existe homem que complete um poliedro com tantas faces.” “Engano!”, respondera. Qualquer ser humano possui muitos ângulos na matriz que os instantes revelam. O desafio vem daquele que a sabe ler e nas prioridades condiz. O resto? Diferenças-riqueza como fases da lua que fazem crescer a maré do sorriso.

CAFÉ DA MANHÃ
Vera Mar
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às fevereiro 13, 2009 12:04 PM

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