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fevereiro 20, 2009
“ESOTERISMO EM PESSOA E MAÇONARIA”

Jennifer Janesko
A Grande Alface anoitecida. Vívida para alguns que da luz natural finda esperam o melhor (cinquenta, não mais). Vinte anos de polícia científico – um "CSI, Crime Scene Investigation" do melhor. “Esoterismo em Pessoa e Maçonaria”, o mote. José Manuel Anes locutor e interlocutor. Prestes a acrescentar doutoramento em “Antropologia das Religiões.” Nos primórdios do currículo, licenciado em Química. Como, e sinto-me elevada pela coincidência, esta rabiscadora menor. Caminhos distintos. Notáveis, os dele. Apaixonados os de ambos. Anónimos os meus.
Antes, houvera repasto como cumpre em tertúlia digna do nome. Uma sopa abensonhada por sílabas, couve e feijão. Depois, a escolha entre prato de substância e filetes de ocasião. Da sobremesa não soube nem quis saber – o relento acolheu vício satisfeito entre a Estados Unidos e a Avenida de Roma. No entremeio, foram falados cães Serra da Estrela que dois hectares e meio acolhem em Palmela. A provocação foi minha: “Se não vieram do canil que sei, desconfio da pureza dos genes. Às tantas, tem psicopatas canídeos pelo múltiplo cruzamento dos genes como soe a quem ignora amor aos bichos e persegue lucro.” Que não, que eram fiáveis, conquanto não tivessem B.I.. Calei e entrei.
“Para negar Deus é preciso percorrer o caminho de Satã” ou, do Pessoa, o “Caminho da Serpente.” Jorge de Sena dele faria escrito: colecção de evocações esotéricas. Hino à liberdade e à lucidez. Na irregularidade do caminho pessoano, a afinidade à Maçonaria, viria no fim. Talvez iniciado nos ritos por Crowley, genial e louco, sito para além da moral e do dogma. Adicto ao êxtase, de toda a vida e morte. A magia sexual condimentada por químicos. A “Mulher Escarlate” que havia de escandalizar Lisboa e a Grande Ilha. O suicídio encenado com o José Ferreira Gomes. Isto e muito mais me embeveceu, ouvi e registei.
Do percurso da Maçonaria portuguesa, sobrelevo a Quinta da Regaleira dos meus amores. Propriedade, ao tempo de Fernando Pessoa, do Pedro dos Tostões. O mesmo que «namorado» durante um ano para financiar a «causa», foi pelo Pessoa descrito a Crowley: “O capitalista faliu!”
Os ritos e os falsos segredos da Maçonaria em Portugal são menoridades – miles away, o secretismo não existe. Importa saber que o Obama é maçon, como foram todos os presidentes dos Estados Unidos, excluindo Reagan, Bush I e Bush II. Que não fora o sentimento de pertença de Clinton à «causa», o processo da independência de Timor teria sido outro.
Podia transcrever do contador de histórias Mia Couto um pedaço do “Abensonhado”. Fico-me por miles away musicadas enquanto o «avental» não chega.
Publicado por Teresa C. às fevereiro 20, 2009 02:41 AM
Comentários
ai Timor...
se Clinton ... e José Ramos Horta, em boa hora, levaram a água ao moinho, o mesmo não é que fazer farinha!
ai cigarrinho... tb faz renascer!!
meditemos e ... ao caminho!!!
Publicado por: ora et labora às fevereiro 20, 2009 03:22 PM
já agora que também sou pessoa e até António como o Pessoa, vai dica: acabadinho de lançar, sob os auspícios da bem aventurada Inês Pedrosa, em boa hora actual guarda-mor da casa onde habitou o Fernando a quem o post se refere, aí está mais uma fotobiografia do Poeta dos nossos heterónimos preferidos, com texto de investigação de Richard Zenith, o estadunidense mais lusitano a leste do Cabo da Roca, seguindo desafio de Joaquim Vieira para integrar portentosa colecção de fotobiografias de portugueses do Século XX
mais do que síntese, e belíssima, esta recomendável (excepto preço, claro está... 30€ na ocasião, depois não sei como será) obra consegue aditar algo ao conhecimento do Autor de Bernardo Soares, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e seu irmão ... e mais não direi
direi, sim, que também fiquei a saber que a "minha" primeira fotobiografia de Fernando Pessoa, salvo erro dos idos de 1980, salvo erro também do Círculo de Leitores, foi afinal a primeira fotobiografia... iniciando o género!
e por fim, temendo embora adiantar-me sem saber ler nem escrever onde não sou chamado, li em tempos algures que Fernando Pessoa terá afirmado algo como "sejam Templários e não Maçons", o que me foi explicado como crítica à Maçonaria mas por raciocínio algo me diz que tal deveria dirigir-se precisamente - e só - a Maçons, asserção que decerto exigiria conhecimento de causa
independentemente da eventual validade, questionabilidade ou sequer qualqer interesse na antedita hipótese interpretativa, certo é que a dita fotobiografia (ai, afinal direi...) sempre se refere e reproduz o célebre artigo pessoano de defesa das associações secretas - e da liberdade de associação em geral - publicado no Diário de Lisboa em 1935, ano em que o ortónimo viria a falecer, a 30 de Novembro, e talvez também por isso discretamente, sob o olhar venerando de umas 50 outras pessoas - com direito a foto inédita!!!
e Joaquim Vieira explicou que o dito artigo foi depois transcrito em diversos órgão de imprensa de então, o que motivou a intervenção dos serviços de ... censura - sim, Fernando Pessoa foi censurado, he he... e simultaneamente foi mãoslargasmente premiado com "menção honrosa", pois é de rir ?
psiu...
obrigado pela partilha, T.
;->>>
Publicado por: António às fevereiro 22, 2009 02:47 AM