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fevereiro 17, 2009

EXCLUÍDA A LIBIDO

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Claude Théberge

Dispenso lugares comuns, pré-conceitos e conceitos obedientes aos estereótipos constantes dos mandamentos da “arte do bem viver social”. Tão saborosa é a cumplicidade amiga entre duas mulheres como a nascida com um homem que dá gosto incluir no restrito grupo dos colados pelo espírito. Cúmplices diferentes. Igualmente sedutores. Excluída a libido como universal UHU.

Nos registos que não albergam, ocultos ou explícitos, projectos românticos ou partilha de intimidades outras além da mais íntima de todas – o pensar e querer saber -, os gestos e a fala correm soltos. Oni soit qui mal y pense! Respire bem o cérebro e a alma brote leal, acumulo afectos/tesouros sem respeito pelo género. Lastimo quem não aproveita a riquíssima matéria prima dos pensares distintos das personas. Atributos sexuais estão fora das condições (restrições?) inerentes ao elo que dispensa a volúpia em lençóis comuns.

Por isso amo Pessoas. Por isso entrego e recebo alimento espiritual de quem um sorriso franco atende. Por isso, no trabalho, me maravilho com a D. Ester, a Susana, as Teresas, a Joana, a Celeste, com a frontal e genuína, Odete, com a sábia Baltina, com duas meninas-mulheres lindas – a Ana e a Lúcia –, com a Conceição Ramos. Afectos, também femininos, prezo e não refiro – por aqui, já foram inscritos. Dos Homens, recebo e retribuo a afabilidade do Luís Filipe, do Paulo, do Francisco, do Júlio, do Pedro, do Sapinho, do Manuel, do Domingos e dos queridos parceiros laboratoriais. Ordem aleatória. Jamais com eles e elas foi mantido contacto que ultrapassasse o horário laboral. Porém, sem todos, e alguns que calo para não estender o lençol, os dias úteis ficariam empobrecidos.

Porque amanhã não existe antes do acordar, perfilo-me entre aqueles que não prescindem de dizer agora o que não é garantido afirmar mais tarde.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros

Publicado por Teresa C. às fevereiro 17, 2009 04:46 PM

Comentários

Os Amigos!
Amigos, cento e dez, ou talvez mais,
Eu já contei. Vaidades que eu sentia:
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais!
Amigos, cento e dez! Tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia
Que, já farto de os ver, me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.
Um dia adoeci profundamente. Ceguei.
Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quasi rotos.
Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego não nos pode ver.
- Que cento e nove impávidos marotos!
[Camilo Castelo Branco]

Publicado por: Machado Vaz às fevereiro 17, 2009 01:16 PM

Não custa não dizer
e tb não custa dizer
o que custa realmente é dizer tudo o que sabemos que não devemos, de forma a que os outros pensem que é certo... isso é saber não quando, não onde, mas como dizer tudo o que tem de ser dito!!

Publicado por: humana às fevereiro 17, 2009 05:30 PM

face a tão invencível melindre e perigo, dir-se-á, néscio é quem não quiser saber quão à beira se está, com ou sem alençoados, pois a questão é aquém se bem que de um ápice possa classificar-se de muito muito muito além!

ah pois é!!

e ainda bem!!!

mas, terá que ser assim? ou pode a via ascética alguma vez sublimar? mas quem não desejou jamais o/a/quem não deve desejar?

please, T., é mesmo preciso ser assim cruel a ponto de excluir a líbido?

au secours...

Publicado por: António às fevereiro 18, 2009 09:08 AM

Machado Vaz - a sabedoria está consigo e com o Camilo transcrito. Porém, deixe-me no fofo algodão que me torna leve os dias.

Humana - que merecimento teve o texto para um comentário tão eloquente quanto sabedor? Obrigada, é o que somente me ocorre escrever.

António - a sua leitura crítica suscitou-me nova reflexão. Porque escrevi o que escrevi e, na altura, pensei?
Amanhã volto ao tema. Demasiado interpelador para ficar sem escrito que tentará ser condigno.

Publicado por: Teresa C. às fevereiro 18, 2009 11:08 AM

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