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março 31, 2009

CARTAS ANÓNIMAS, COBARDIA EM LETRAS

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Isabel Samaras

Cartas anónimas. Perversidades sem assinatura. Recortes de queixumes. Cobardias de quem rosto frente a rosto nada diz e nelas se refugia. Outrora seladas no envelope, hoje enviadas por e-mail – fica por detectar a grafia e o discurso articulado pouca ou nenhuma luz faz sobre o remetente. Aliás, cuidados prévios com objectivo mesmo. Vão parar a juízes, ao Ministério público, à porteira cobiça jornalística – vender quando o mundo económico e financeiro se contrai é dinheiro em caixa que os espíritos predadores não desprezam a troco da ética e da moral. Entram lucros, saem notícias. Assim está ordenado o mundo de vizinhos coscuvilheiros que não arredam pé dos arautos apeados em forma de jornais, rádios e «têvês». Mais é notícia a cobardia presente do que verdades e utopias, quais idas novelas de cordel suspensas nas feiras por molas da roupa em cordéis.

Anteontem havia «tios» e «padrinhos», agora também somente englobados no amplo telhado da corrupção. Realidade igual. Diferente a designação enganosa – pelo rótulo é avilte o que persiste aceitável e conhecido e prática comum. Sejam públicas as figuras denunciadas, o caminho ínvio tem garantido êxito e lucros e ficam baças hombridades particulares. O boato dá chorudos ganhos e, nas intestinas lutas pelo poder, tenta arredar competidores. Maquiavelismo que Maquiavel deixaria pasmado pelas consequências. Quando perorou sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser, fundou o pensamento e a ciência política moderna. Má sina do homem que ao pensar o tempo em que foi ignorava futuros perversos que do, dele, nome de baptismo construiriam adjectivo sinónimo de esperteza ou de astúcia. Maldade porque sim.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às março 31, 2009 04:19 PM

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