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março 27, 2009
FACES, “FACE”, “VISITA”

George Betty
Mudar de história, de rumo, de corpo, de palco. Trocar de face e fato. Vestir personagem em alta no mercado do desejo individual e alheio. Ver, por dentro, cair o pano, atrás dele mudar de serviçal para dama, de miserável para senhorio. Fascínio comum que, parcialmente, no Teatro D. Maria II é possível. Para a “Visita” entram espectadores curiosos por conhecerem as entranhas do espaço catedral do teatro português. Guiados pelo Ponto, caminham nos corredores ocultos. São interpelados por actrizes com vestidos rasando as tábuas, um Almeida Garrett espera-os no Salão Nobre, mais à frente recordam a amargura do incêndio de 1964 pela voz da Amélia Rey Colaço e do marido, Robles Monteiro. Quem entrou espectador, termina no palco da Sala Garrett aplaudido pelos actores, os tais das muitas faces, em cada uma ser diferente, sendo o mesmo.
Neste Dia Mundial do Teatro, é apresentado o projecto “FACE”. Até 2019, serão cartografados rostos portugueses com o objectivo de através deles mapear emoções, verdade, dor, alegria, falsidade. Construir registo capaz de desmentir o dito “quem vê caras, não vê corações”. A face expõe a pessoa; basta saber ler o que nela está escrito. Os investigadores responsáveis por este estudo pioneiro acreditam que a doença e o crime estão à vista. Dos sinais contará o compêndio das faces.
Publicado por Teresa C. às março 27, 2009 11:44 AM
Comentários
por um momento, temi (a bem dizer, temer, teme-se sempre...) que o tema voasse ao "facebook" espioneiro ou quejandos... toda a gente a ver toda a gente e por aí diante...
afinal é do Teatro, essa dimensão das máscaras, dos eus e suas, minhas, nossas transfigurações...
esse teatro dimensão que nos diz dos corações o que não nos diz ninguém das caras
esse Teatro refúgio e coragem, que permite questionar e avaliar sem julgar, tratar dos actos sem olhar a quem
e vai mapear emoções nos retratos das caras? hmmm... se não mesmo um jametinhasdito!, ao menos deixa cá desconfiar...
se o crime ou a doença estão na cara, está de caras que o big brother se enraizou também nas máscaras
salve-se os corações!!!
;->>>
PS - já preso a maiúsculas e minúsculas de eleição, afora quotas de maior precisão, e preso também a tiras e saltos dos que fazem a ocasião... a (re)visitar mais adiantemente ;->>>
Publicado por: António às março 30, 2009 02:42 PM
O teatro é amor, necessidade de alma, do corpo que se arrepia quando a beleza/verdade o atormenta. A muitos dias convencionados reservo indiferença. Ao do Teatro salvei a diferença.
Publicado por: Teresa C. às abril 5, 2009 03:05 PM