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março 21, 2009

O AGENTE DA BET E O CHEFE

Jan Bollaert j.jpg
Jan Bollaert

Que à minha natural inquietude seja perdoado o descanso quando o sábado dealba. Tarde, manso, lento. A noite de sexta, que há uma trindade de anos era a noite preferida da semana, foi desalojada pela quinta. Agora, conto três serões eleitos magníficos, diferentes no correr, sem que um tenha como predilecto. Continuam dias úteis, mas a isenção do horário prolongado que me pesa de segunda a quinta-feira faz do trabalho prazer esticado, fruído com deliciosa preguiça. Ao domingo, véspera do toque de clarim mal as seis fazem ângulo de 180º nos ponteiros que apontam madrugada indecente, o dia é rematado cedo demais pela necessidade antiga de oito horas bem dormidas. Uma perna distendida, a outra flectida quando os sentidos se aquietam e, também eles estafados, caem redondos no sono.

Ao sábado exponencio a alegria que me traz viva. Por isso, bastas vezes, remato as croniquetas com anedotário chegados por teclas amigas. A pompa da chegada de Bento XVI a Angola, quase escândalo pela riqueza não distribuída, pelas vidas que o vírus maldito ceifa e seriam prevenidas com preservativos, interpelou-me. Nem de propósito, recebi este registo:

“O Papa, terminada a sua visita a Angola, foi de limusina para o aeroporto. Como nunca tinha conduzido um carro daqueles, perguntou ao motorista se poderia conduzir por uns instantes. O motorista atrapalhado, lá disse:
- Bem... acho que sim! - e foi para o banco traseiro da limusina enquanto o Papa ia para o volante. Na estrada, acelerou até aos 180 km/hora... 220 km/hora... 250 km/hora...

De imediato, as luzes azuis da patrulha brigada de trânsito surgiram no espelho. O Papa lá encostou e o agente foi ao seu encontro. Quando se debruçou sobre
janela e viu de quem se tratava, disse:
- Por favor, aguarde um momento... Preciso ligar para a central.
O agente pegou no rádio e chamou o chefe, dizendo:
- Eu tenho uma pessoa muito importante que conduzia a mais de 250 km/hora na
estrada e preciso de saber o que fazer.
- É o presidente da assembleia ? - Perguntou o chefe.
- Não, é ainda mais importante.
- Não é o primeiro-ministro, é?
- Não, ainda mais importante!
- Quem é? Não é o JES , pois não?
O agente respondeu:
- Não! É ainda mais importante do que esse...
- Bem, mas então quem é esse VIP? - Gritou o chefe já sem paciência.
Responde o agente:
- Não tenho bem a certeza, mas deve ser Jesus Cristo, porque o motorista é o Papa!”

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às março 21, 2009 11:35 AM

Comentários

a tudo se pode e deve submeter a crítica, mesmo a galhofa e até ao irónico ou apenas depreciativo apoucar

o Ratzinger e outros hierarcas da apostólica bem se têm posto a jeito

e a hipocrisia de muitas posições desta Igreja - mesmo se muitos recusam reconhecer outras maiores e mais danosas hipocrisias - é absolutamente indefensável e a todos os títulos censurável

mas ...

e também se pode reconhecer a importância da visita do Papa aos povos do continente africano

a voz que denuncia pressões industriosas, a voz que in loco e perante os (im)próprios visados afirma a urgência de erradicar a corrupção

a voz contra as marés politicamente correctas que teima em alertar para a necessidade de humanização e de educação, plena e incluindo a da fé, a que é a sua, legítima e naturalmente

se muito há para se detestar o Ratzinger ou mesmo o que representa Ratzinger, certo é que desta vez Bento XVI acertou em cheio, queira ou não queira o aparatchik de activismos serôdios que fingem não ver a vencer o triste e perigoso caminho da alienação humana, ali mesmo onde a prodigiosa espécie humana nasceu e partiu à conquista do mundo muito para além dos territórios terrenos, trilhando também o acesso ao misticismo e à fé, ao além, ao sentido afinal que isto tem

e a vida humana poderá ser reduzida à pulsão animal? prisioneira eterna de instruções pre-embaladas? submissa ao artificialismo receitado por sabichões que recusam a inteligência alheia e a liberdade de escolha de cada um?

perguntar não ofende é bordão necessário que importa invocar em ocasiões assim tão contra a corrente e resta confiar...

e para desanuviar (?) um anuviamento ancestral: a Luanda, é preciso chegar de madrugada, p'ra ninguém ver...

;->>>

Publicado por: António às março 21, 2009 12:05 PM

Pois dizem que o Senna quando chegou aos céus, viu que por lá também se podia pilotar as nuvens. E que para cada pessoa podia ter uma nuvem com apetrechos e placa de identificação. Mas,alertado por São Pedro, guardião da ordem celestial, Senna teria que respeitar o limite de 80 quilometros por hora. Passado alguns dias, Senna volta até S.Pedro que questiona:
- Pôxa, você não me disse que TODOS tem que obedecer o limite de 80km?
- Sim, diz S.Pedro.
- Pois tem um cabeludo que esta passando direto o tempo todo a mais de 200km!
- Ah..é uma nuvem azul?
- É sim.
- Placa de Belem - 2512 ?
- É este mesmo!
- Então não se meta, Senna. Este é o filho do chefe!


Beijos.

Publicado por: Justo às março 21, 2009 01:13 PM

António - nunca aportei ou aterrei em Luanda. Gongemino ida. A voz da Igreja respeito quando à conflitualidade ou ao império do irracional tenta pôr cobro. Atingir direitos humanos, a sobrevivência digna entre eles, não admito, não creio e sublevo-me.

Publicado por: Teresa C. às março 23, 2009 08:53 PM

Justo - réplica esplêndida! Adorei!

Publicado por: Teresa C. às março 23, 2009 08:54 PM

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