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março 24, 2009

PORQUE A REALIDADE É MAIS DO QUE FUTEBOL


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Deborah Poynton

O noticiário, passageiro sonoro do automóvel conduzido até ao ganha-pão, é antecedido por novas do futebol. Abre com mais do mesmo. E quem não quer fica a saber que a Universidade Técnica de Lisboa fez de José Mourinho doutor. Talvez remedeio de frustração antiga: ter sido despedido do Benfica quando já se sentia um grande treinador, mesmo antes de o ser. Lucílio Baptista, agora ameaçado de morte, assumiu publicamente o erro traduzido no penalti do jogo que deixou na Luz a Taça da Liga. O Sporting abandonou a Liga de Clubes que, apavorada, reuniu de emergência. O Benfica afirmou que uma cabala se agiganta com o objectivo de condicionar a arbitragem até ao fim do campeonato e resulta de uma malvada aliança entre leões e dragões.

O que interessa das noticias matinais chega ao mesmo tempo que o automóvel ao estacionamento. E o condutor sai ignorando a denúncia feita pelas Misericórdias das crescentes dificuldades dos pais para manterem em dia as mensalidades escolares das crianças. Soube do futebol e desconhece que cada vez maior número de famílias retiram os idosos dos lares, não para que seja mais fofo o cobertor entretecido com ternura, cuidados e afecto, mas para somar ao rendimento familiar as pensões de reforma.

Quando o dia termina e de novo é procurada a companhia informada da rádio, com sorte talvez seja recuperada fracção do não ouvido que importava. Ou não, pelo tamanho dos tentáculos e ventosas do futebol.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às março 24, 2009 09:44 AM

Comentários

livra... !

Publicado por: António às março 24, 2009 03:57 PM

Porquê?

Publicado por: Teresa C. às março 24, 2009 06:03 PM

ah ... era a fugir desse tal cefalópode sem esqueleto e respectivos futeboys igualmente desespinhados !

mas o futebol, mesmo, é harmonia de cores e magia de fervores, coisa séria e predilecta: pé na areia (uns de t-shirt, outros sem) ou no relvado mais à civil mas ... sem árbitro, dirigentes, treinadores, doutores, comentadores, tácticas, foras de jogo, viagens pagas à família do fiscal de linha, malas de dinheiro, meias de leite, juízes, nomeações, relatórios, rádio, TV, regulamentos em inglês para a octopédia tresler, até as regras da UEFA mudam de repente para passar a castigar só em circunspectas e oportunísticas condições de pressão, temperatura e ... prazo (!?)

além de que fruta só mesmo a do refrescante reino vegetal que a natureza oferece ou se pede emprestado a quintal vizinho, como certas flores

sendo que desporto melhor, a seguir a andar (também descalço) na praia e nadar (de preferência totalmente descalço) no mar é ... jogar ao xadrez!!

agora problemas de futebol? o que é demais é demais!!!

;->>>

Publicado por: António às março 25, 2009 04:50 PM

António - Fumemos o cachimbo da harmonia. Fiz meu este excerto: "sendo que desporto melhor, a seguir a andar (também descalço) na praia e nadar (de preferência totalmente descalço) no mar é ... jogar ao xadrez". Andar, descalça ou não, mar, xadrez: amores meus. Dançar, sedução a que não fujo

Publicado por: Teresa C. às março 27, 2009 12:23 PM

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