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março 30, 2009
TIRAS PRESAS AOS SALTOS

Andrew Rendall
(...)Do sorriso que a si dirigia, depois aos outros por mor dele, afinal egoísta quando amável a diziam, fazia ritual pagão e crente. A harmonia com a Terra era sua desde o nascer no granito que a tradição familiar requereu. O nome herdado de avós e daquelas que as precederam no histórico retratado em deslavados pretos e brancos de estúdio. Lábios, se entreabertos numa alegria fátua ou real jamais saberia, salvo o da bisavó, mulher dor que a morte abraçara, passados, havia pouco, os trinta. Olhares postos na objectiva e na luz do magnésio flash. Para sempre cristalizados até o sol esbater o tudo e o nada do negro cândido. As pérolas, que na caixa dos tesouros arrecadados guardava, eram subtil e visível entremeio das rendas ocultas debruando o cetim da combinação, ao tempo camisa. O enxoval da recém-nascidA, bordado à mão por tias e bisas, mais tinha que prendas de fadas do lar e da família: nele estava escrito futuro. Predestinado o crescer da menina, o estar, a profissão, o casamento de estado na terra daqueles que tendo um olho são reis, o útero fértil, a prole consequência como novas raízes da árvore minguada pelos preconceitos que, secando amores, às cerejas proibiam sémen vertidos por galhos novos. E as mulheres envelheciam sem rugas, elegantes, generosas, cáusticas algumas, retratadas pela Irene Lisboa. Obra proscrita dos armários biblioteca que leria já mulher feita mais pelo membro que a desflorara do que pela inocência dos vinte anos.(...)
CAFÉ DA MANHÃ
Teresa C.
Mauro Castro
Publicado por Teresa C. às março 30, 2009 02:29 PM
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