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abril 30, 2009

MÁSCARA NA MÃO

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Blake Flynn

Veio de longe o vírus. Dele advém a “gripe suína” que, devagar, vai matando onde pode. E já o faz em continentes e países demais. Atemorizados, governos e povos viram-se para dentro. Fazem casulo e desconfiam de andanças aéreas, dos que tossem e têm febre. Mudam planos de férias, não lhes entrem pelo nariz ou pela boca parasitas exóticos.

As companhias de aviação que a “Crise” já fazia espirrar, são o primeiro negócio vitimado pela “gripe suína”. Agora tossem e esperam febres altas na mesma medida dos ganhos descidos. Fogem os clientes. Voos somente por obrigação ou para os valentões. Mesmo os destemidos ponderam ao verem máscaras nos rostos viajantes ou locais. E congeminam negrumes possíveis. Acrescerem o número dos contaminados. Das vítimas, porque não?

Talvez esta gripe vá sem maior alarido que a “das aves”. No Egipto, matam porcos. Obama e Sócrates, ontem (coincidência?), tranquilizaram ansiosos. Entretanto, fosse prudente diria _ mais vale uma máscara na mão do que muitas a voar.

CAFÉ DA MANHÃ
Madalena Palma
Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 01:23 PM | Comentários (3)

abril 29, 2009

FÓSFORO NA LÂMPADA

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Autor que não foi possível identificar

A sequência dos dias é “do caraças”! E fogem do termo/gíria máscaras de papelão, alter egos, personalidades outras de uma mesma pessoa. É da evolução do ser o tratado. Diz hoje o que não diria ontem, ainda que à coerência faça corte sem que dela receba a benesse de agulha magnética apontando o Norte.

Os viciados na transparência perante aqueles que prezam além do dizível descuram o senso comum, algumas vezes bom. Engasgam, dilaceram a consciência e a imagem reversa que devia ser escorreita. Com largas passadas desafiam o horizonte. Talvez abismo. Talvez vida comumente feliz. E se assusta a vida dos simples! Cinza quase sempre. Arco-íris raro. Auroras boreais nunca verdades. Sol da meia-noite quando dele seja a vontade terrestre.

Pessoa arredada do «alegre contentinho» quer sempre mais. Em primeiro lugar, de si próprio, em lugar secundário teres e haveres. Admite erros. E porque não desiste de ir além, exclui mentiras piedosas à lâmpada consciente que, a cada dia, ilumina opções.

CAFÉ DA MANHÃ
Paula Capaz
António Costa Santos

Publicado por Teresa C. às 10:21 AM | Comentários (4)

abril 28, 2009

FRESCAS E CAPITOSAS MADE IN ITALY

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Olivia de Berardinis

O ‘Il Cavaliere’ quer deputadas frescas e capitosas, made in Italy, no Parlamento Europeu. Forma-as em três sessões. Recrutou-as nos estendais de actrizes e modelos com portefólios apelativos capazes de tirar da indiferença ao voto os concidadãos. Pesos pluma fisicamente, aléns sugestivos - a actriz Camilla Ferranti, de 30 anos, a ex-candidata a Miss Itália, Barbara Matera, de 28 anos, a actriz Eleonora Gaggioli, de 29 anos, e a ex-concorrente do Big Brother Angela Sozio, de 31 anos.

Num “vamos ali e voltamos já”, na sede romana do PDL, as seleccionadas recebem treino intensivo sobre a história e o funcionamento das principais instituições da Europa a muitos. Em menos de um suspiro do Sr. Berlusconi, são informadas sobre o Banco Central Europeu, a Organização Mundial do Comércio, a NATO e o FMI.

Formadores: além do Silvio, ele próprio, o ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-comissário europeu para a Justiça e Assuntos Internos e o ministro da Defesa. Triângulo de poder que acha natural promover a deputadas mulheres arredadas da cidadania. Mais: levam a generosidade ao ponto de treinarem as escolhidas sem debitarem horas extraordinárias ao erário público italiano. Por tudo, um exemplo de serviço à coisa pública.

CAFÉ DA MANHÃ
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Ernesto Neves

Em Lisboa, na Av. António Augusto de Aguiar, nº 19 - 4º andar, a PNET Artes remodelou, em parceria com a empresa Conceito, a primeira exposição de Artes Plásticas.

Estão representadas obras de Augusto Cid, Carlos Oliveira, Conceição Ramos, Ernani Oliveira, Ernesto Neves, Manuela Pinheiro, Pinheiro de Sousa e Saúl Roque Gameiro. Telas e esculturas com suportes técnicos variados. Cores e formas que merecem visita e investimento.

Patente ao público das 9h às 13h e das 14h às 18h. Após este horário, é possível a visita com marcação prévia através do telefone 213581000.

Leonor Barros
João Moreira De Sá

Publicado por Teresa C. às 06:18 PM | Comentários (3)

abril 27, 2009

PORQUINHOS-DA-ÍNDIA

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Barndog

(...)E vêm à lembrança recontos dos viciados na procura de vulvas diversas. Começam por arrojos escritos. Em catadupa, entopem a caixa das mensagens. Prometem isto e aquilo e mais aqueloutro estereótipo que, pobres de espírito, julgam novo para a receptora. Não entendem o silêncio como resposta.

Uma vez por outra, mulher cai se, mais do que o escrito, o visto sugere diferença que apetece. Na prova, o desempenho é próprio dos porquinhos-da-índia. Soltam «cuís» esganiçados, estrebucham e, pouco tendo aproveitado da mulher, resolvem a questão sozinhos. Pela estreia infeliz, alegam cansaço, dia terrível, jet lag.

Enfiam as peúgas pelo joelho, as griffes interiores e de fora. Esmeram-se no beijo-despedida. Ao volante do BM, teclam sms’s: “Beijo tesão bom”. A mulher responde:
_ Coitado! Sobreviveste?(...)

CAFÉ DA MANHÃ
Teresa C.
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 05:10 PM | Comentários (7)

abril 26, 2009

OURO, INCENSO E MIRRA

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Autor que não foi possível identificar

Ontem, da Liberdade o dia, mirrou, pela recorrência nos discursos pomposos, o Abril de 74. Antes do 25, fora o tempo do certo e errado a preto e branco. Hoje, é o tempo do mais ou menos colorido pelo direito à diferença.

Por na diferença residir ganho, incómodo e subversivo tantas vezes, prefiro o presente. Do antes recolho memórias doces porque nem tudo era tão mau assim - valorização dos afectos genuínos, da família, conquanto nela presidisse o pater famílias. As mulheres secundarizadas eram falsa verdade. Detinham o poder doméstico, ainda que a sabedoria transmitida pelas ancestrais recomendasse discrição. Fora de casa, subordinadas da masculinidade instituída.

O que ganharam as mulheres com o 25 de Abril? Ouro, incenso e mirra. Direitos oficialmente idênticos aos masculinos. Uso e abuso do perfume da fêmea que se revê na liberdade do sim ou não. No musical Jesus Christ Superstar, de Andrew Lloyd Webber, a mirra é supostamente utilizada por Jesus e Maria. Ingrediente de mumificação. Mirra de mirrar. Mulheres definhadas pelo multiplicar dividido entre a família e a profissão.

Por existirem bens que dispensam compra e venda, a liberdade persiste sem preço. Dela constituo estar. Que viva a Liberdade. Que me assista a lucidez de jamais a trocar por submissões.

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho

Publicado por Teresa C. às 02:55 PM | Comentários (3)

abril 25, 2009

ERA, FOI, É ASSIM

Era...

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João Abel Manta

Foi...

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João Abel Manta

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João Abel Manta

Continua assim.

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Roger Bradfield

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às 09:09 PM | Comentários (6)

abril 24, 2009

LEITURA ENGATE

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Kathy Pilgrim

De Dias Mundiais há abastança. Ontem, foi o do Livro escolhido pela UNESCO porque emblemático para a literatura mundial - a 23 de Abril de 1616, morreu Miguel de Cervantes e em 1899, nasceu Vladimir Nabokov. No mesmo dia nasceu e morreu William Shakespeare. Nomes/letras de peso. Beirute anunciada como Capital Mundial do Livro 2009.

Parece que em Portugal as mulheres lêem mais do que os homens, ainda que,, aproximadamente, cinquenta por cento dos portugueses não tenham pegado num livro no último mês. Dado que surpreende incautos. Com a desgraçada vida que há séculos levamos e suportamos onde buscar hábito, teres e tempo para das páginas fruir?

Lamuriamos de tudo muito. Do preço dos livros também. Ora, se não lemos e é facto sermos povo pequeno em número, as tiragens editoriais são pequenas. Logo, caras. Mas não faltam bibliotecas públicas. Espaços bem tratados e inspiradores. Poucos são os que as procuram. Desperdiçados bens comuns que não desculpam nem acomodam más consciências e pior educação/instrução.

Tenho para mim que se horas de ponta encarneiradas no trânsito fossem substituídas pela serenidade desinquieta duma biblioteca pública, sairiam beneficiadas as coronárias, as possibilidades de engates com qualidade superior às dos “ www….org” e o ambiente. Que ler faz bem a tudo é certeza.

CAFÉ DA MANHÃ
Vera Mar
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às 12:41 AM | Comentários (4)

abril 23, 2009

INTERLÚDIOS CABOTINOS

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Alison Blickle

Parece que o Primeiro (conce)deu entrevista a uma televisão. Não vi, não quero saber de politiquices menores. Pois se até as maiores constrangem, melhor ficar arredada do ecrã onde deslizam gordas sem substância. Antes os tablóides honestos pelo que deles é natural esperar.

Dar-me por alheada dos veículos/imagens da informação é esquisitice da qual não abdico. Quero lá saber das provas e contraprovas, do disse-que-disse de porteira que diariamente põe o lixo à porta do prédio sito em Benfica! Prefiro olhar os trolhas que me constroem, desde as oito, a nova morada em frente. Entender o vaivém dos guindastes, do debita-cimento através do comprido gorgomilo metálico. Que se lixem atoardas, coscuvilhices de cordel e intervenções rasteiras dos maiorais do ex e presente condado. Tenho mais que fazer, música para ouvir, investigação à espera, letras para reunir ideias que as teclas põem em preto no branco do monitor.

As vidas pobrezinhas não têm casta. Delas faz quotidiano quem quer. Transversais, confirmam a independência do estatuto social. Estimo a discutível sobranceria que mantém negra a televisão. Que prefere rádio e jornais. Lastimo perder momentos publicitários de eleição. Porém, sendo o custo interlúdios cabotinos, supostos debates e notícias imprescindíveis, fico pelo silêncio branco que a cor interrompe.

CAFÉ DA MANHÃ
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Está online o magnífico PNET Fashion coordenado pela Sofia Afonso Ferreira. Pelo bom gosto e excelente edição os meus parabéns.

Madalena Palma
Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 11:45 PM | Comentários (1)

abril 22, 2009

O ELOGIO DA INQUIETUDE

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Autor que não foi possível identificar

Enchem o calendário os “Dias de”. Noticiam o acontecido em determinado dia de um ano qualquer. Só em Abril são onze os assinalados. Houve a 1 o Dia dos Enganos, a 2 o do livro infantil, o Dia Mundial da Saúde a 7, o da luta contra o cancro e da astronomia a 8, o da Imprensa a 13. Mais três aguardam celebração: amanhã o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor e o Dia Mundial do Escuteiro, a 29 o da dança. Todos importados salvo o Dia da Liberdade que os cravos enfeitam.

Hoje, em quase todo o mundo, cabem à Terra vinte e quatro horas que a pensam. Mais do que tecer louvores, que todo o ano e em crescendo se inquietem os espíritos. Não bastavam os sete pecados mortais de que sofre o planeta, foi somado o da poluição electrónica. O lixo informático acumulado, traduzido em energia, alimentaria milhões e milhões de casas. E fica novo recado aos atentos ambientais: usar com parcimónia e utilidade as teclas.

CAFÉ DA MANHÃ
Paula Capaz
António Costa Santos

Publicado por Teresa C. às 10:22 AM | Comentários (6)

abril 21, 2009

HOMEM DE MENOS, MULHERES DEMAIS

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Friedemann

Uma, passado, outra, presente e futuro. A primeira gostou da segunda no breve frente-a-frente. Mulher morena, elegante, discreta no estar e saber. O homem, elo comum, arredado do fluido afectuoso. Ela feliz por sabê-lo acompanhado por mulher à altura de amanhãs. Ex e memória. Presente, a outra. Apreço mútuo. A Pintora, amiga comum, estabeleceu a ponte. Ele longe do significado da ligação pura entre a que foi e a que é. Ambas convivendo com o mesmo homem, separadas por curtos anos. O artista plástico, homem de sorte. Fugiu a mulher insubmissa que numa década esbateu a paixão. Veio mulher outra que a fortuna cruzou. A primeira feliz por sabê-lo acompanhado de pessoa que admira.

À distância e em sequência, elas partilham aquele para quem a primeira foi paixão desfeita e para a segunda, amor em construção. Duas mulheres que dentro e fora da cama sabem por que sim e por que não. E o homem tão pequeno na majestade que exibe! Esborratada lembrança duma, amor doutra. A Pintora ponte unindo Centro Norte e Sul.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às 09:54 PM | Comentários (2)

abril 20, 2009

A PRODUTIVIDADE DAS SONECAS

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Boris Valejo

Se tudo correr bem, um dia de nojo por falecimento do bicho de estimação será direito consagrado na forma de lei. Antes, vinte minutos de soneca remunerada. Cobaias: trabalhadores de turnos nas áreas da Saúde e Assistência Social a norte da Dinamarca. Objectivo da experimentação: motivar para que a produtividade aumente. Quase duas mil empresas adoptaram, voluntariamente, o método. Resultados: menos enganos, fadiga, acidentes de trabalho e ao volante, faltas por doença e aumento de rentabilidade.

A flexisegurança dinamarquesa, astuta, muito além da portuguesa. Dá uma sesta e recolhe euros. Se «passar pelas brasas» vinte minutos recupera uma hora de sono nocturno, o lufa-lufa português merece idêntico benefício. Acordamos de madrugada, corremos por obrigação. À noitinha, a televisão antecede a pílula para dormir . Não é terminado o efeito, já o despertador rezinga. Por tudo, andamos, somos?, molengões . Calores dentro e fora de tempo, tanto mar por fronteira, o Mediterrâneo perto, rogam sono. Depois, há a contaminação dos hermanos chegada por terra. Fecham as portas, o pós-pandrial decorre lento, batem uma soneca e regressam à circulação finos como alhos. Nós fadamos, eles dançam sevilhanas.

CAFÉ DA MANHÃ
Teresa C.
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 09:58 PM | Comentários (4)

abril 19, 2009

SAMBA A QUATRO PÉS

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Xue Yanqun

Noite na Grande Alface. Posterior a sábado rezingão pela chuva e abóbada plúmbea na tarde lenta. Rápida para o gosto que dos três dias de trabalhos outros sem horário, por isso demarcados dos oficiais, espera muito. Pela certa, demais. Dormir. Oito horas vezes três sem rabugice despertadora. O leite frio pintado de castanho pelo descafeinado. A vitamina C borbulhando no copo de água do após. O chá verde, também frio, na colorida caneca de meio litro. A Cila proibida de tocar no conjunto de três, não casque as bordas no entra-e-sai da máquina. Despachada, alegre, entremeando samba com engomar e panelas ao lume, requer vigilância pela rapidez. Tudo deixa feito à “doutorinha”. Incluído o chá verde. E na partilha do samba a quatro nádegas e outros tantos pés, ficam ao abandono as cautelas com os refogados e os «bechaméis» e os cremes/sopa com chouchous e courgettes, mais abóbora, cenouras e alhos ditos franceses. A mousse de chocolate preto vigiada comme il faut. O pudim de leite condensado, aromatizado com Porto, na forma até arrefecer. O arroz de pato à transmontana repartido em dois tabuleiros. O bacalhau com natas num só. Receitas escritas que a Cila já não consulta. Protocolos culinários de família ensaiados inúmeras vezes. A «doutorinha» diz e surgem alinhados no frio.

Chegados os afectos, depois assentados à mesa, é feliz o momento. Dizê-lo alegre seria de menos. Êxtase palavra sobeja. Felicidade descreve o caldo e o arroz e o doce acompanhado com amor. Tanto! Nunca demais. E a mulher ri e depois conta à Cila do êxito conquistado. Rirá a empregada/amiga e a doutorinha que da presença remunerada constitui festa interior e posterior.

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho

Publicado por Teresa C. às 05:46 PM | Comentários (2)

abril 18, 2009

A MODORRA DO «NIM»

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Gerald King

No novo regime das custas judiciais, as vítimas são mais prejudicadas do que os arguidos. O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público garante escandalosa a diferença. Números como prova: na fase de instrução, a vítima pode pagar até aos 1000 euros e as custas do arguido não ultrapassam 300 euros. Os 700 da diferença são perversos. Quem recorrer a demanda julgada num tribunal pensará duas vezes. Seja razão a defesa da honra ou outra, impõe-se colocar despesas e eventuais/demorados proventos nos pratos da balança. Desistir, quiçá. Menos clientes para os advogados, mais difícil o acesso à justiça.

No quarto aniversário da tragédia de Entre-os-Rios, surpreende a condenação dos familiares das vítimas ao pagamento de 57 000 euros de custas. Mortos: 59. Cadáveres recuperados: 23. Na altura da queda da ponte, foi prometida inspecção a todas as pontes e viadutos. Falada a necessidade de desenvolver as infra-estruturas no interior do país. Sendo ronceiras acções e a justiça, o cidadão abre a boca e arredonda os olhos de espanto para voltar à modorra do «nim».

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às 11:01 AM | Comentários (2)

abril 17, 2009

“DON´T ASK, DON´T TELL”

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Anthony Christian

“Não pedir nada, não dizer nada” é princípio conveniente. O mesmo que silenciar misérias, reivindicações, manietar desvios das praxes sociais instituídas. “Come e Cala” – sentença popular à portuguesa. Em forma de lei nos Estados Unidos.

Ao abrigo da “Don' t ask, Don' t tell”, decretada em 1993, os homossexuais podem bater tacão e fazer continência nas fileiras do exército norte-americano. Condição única: apagarem qualquer sinal exterior da opção. Serem discretos publicamente e nas conversas de caserna. Preservarem tento na língua, não saibam os camaradas que sob a máquina zero e o entroncado dos músculos existe a necessidade de sexo com pares em género.

B.O. - Barack Obama, não confundir com o cachorro presidencial cujos donos e a lusitana costela tem deliciado os media – prometeu findar a discriminação dos homossexuais no exército. Logo se ouviu a voz do secretário da Defesa, recomendando cautelas e panos quentes. E lembrou o decreto da integração em 1948, assinado pelo presidente Truman, mais os cinco anos precisos até findar a segregação racial nas forças armadas.

Os factos são claros: desde a adopção da lei "Don' t ask Don' t tell", treze mil soldados, após denúncia ou invocação da sua homossexualidade, foram liminarmente afastados. Apetece dizer _ “Se é militar não coma gato por lebre!”

CAFÉ DA MANHÃ
Vera Mar
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às 10:35 AM | Comentários (4)

abril 16, 2009

TRICOTAR VIDA, DESPEDIR A MORTE

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Richard Whitney

Quando a fronteira entre morte e vida é ténue, sobreviver também é acto que a vontade comanda. Os meandros arrevesados do cérebro fazem milagres mais milagrosos que os dos Santos. Os deprimidos, por doença ou convicção, desacreditam neles e, por arrasto, nos outros. Malbaratam os tesouros que em si não reconhecem. Tornam farelo mistura de ricos cereais. Mantêm baixo o olhar, descaem as pálpebras, torcem os cantos dos lábios feitos para sorrir. E quando desgraça séria arriba, eles, que de nadas fazem uma, esgotaram o ânimo que o sangue faz pulsar nos vasos condutores.

A italiana quase centenária que na região de Abruzzo sobreviveu a trinta e oito horas de escombros sem água ou qualquer alimento é paradigma de confiança. Interpela. Limitada à cama, nela passou o tempo. Repartiu-o entre sonos e tricô. Deixou à porta as negaças da morte _ Que fosse, que não era ainda a sua hora, que a deixasse em sossego pela certeza de mais ter pela frente do que ardis fúnebres. E, no momento do resgate, da mulher não foram ouvidas dores ou lamúrias. Com a naturalidade de quem confirma aquilo de que no breu estava certa, pediu água e um pente. Não se apresentar descomposta foi espontânea preocupação feminina. O resto? Passado!

CAFÉ DA MANHÃ
Madalena Palma
Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 10:58 AM | Comentários (6)

abril 15, 2009

OS SOPROS DO SR. BRANQUINHO

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Michael Godard

O Sr. Branquinho decidiu comprar alcoolímetros pela suspeita do estado beberrão de um funcionário. Boa alma, fez como S. Tomé _ ver para crer. Não é conhecido o resultado alcoólico do sopro, sendo que todos os empregados se encontram sujeitos a encher o balão. Descontando o espiolho das vidas subalternas e alheias, sempre fica a benemérita, remota, possibilidade de ser objectivo preservar um ambiente de trabalho saudável.

Não labore em erro quem julgar serem manobradas naquele local de trabalho máquinas que a todo o momento façam perigar a integridade física dos funcionários _ fotocopiadoras, faxes e computadores são pacíficos bichos electrónicos. Porém, na qualidade de director das campanhas do PSD, o Sr. Branquinho pretende máxima concentração e produtividade. Pulou da intenção à prática e impôs regra: “se faz campanha, não beba”.

Segundo li, nem Ferreira Leite, nem o secretário-geral, Marques Guedes, tiveram conhecimento da decisão. Fica provada a excelência da escolha do Sr. Branquinho para o lugar. Não incomodar os patrões com menoridades que num sopro pode resolver é de director competente. Bom começo!

CAFÉ DA MANHÃ
Paula Capaz
António Costa Santos

Publicado por Teresa C. às 09:47 AM | Comentários (4)

abril 14, 2009

“ENTREGA OS LÁBIOS AO POEMA”

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Jennifer Janesko

Ouvi nos ”Sinais”: maquilhadora britânica, ao serviço de Giorgio Armani, afirma crescer o número de mulheres que pintam de vermelho os lábios. Reacção inconsciente à crise social assentada na economia e nas finanças mundiais. Diz que o mesmo aconteceu no após 1929, também chamada Grande Depressão. Depressões, ruína económica ou financeira foram, nalguns países, factores que insuflaram a ascensão de regimes de extrema-direita. O regime nazi, liderado por Adolf Hitler, como exemplo.

Pelos afundamentos anteriores, milhões de pessoas ficaram no desemprego. Finado o salário, perigou o sustento familiar. As habitações, como hoje, maioritariamente pagas através de rendas aos bancos e a particulares. Consequência: milhares de famílias expulsas das paredes/lar, a subnutrição como denominador comum nos países mais atingidos. Milhares de mortos por falta de alimentos.

Lábios acetinados por batom de cor viva indiciam momentos históricos de viragem. A Estée Lauder lembra aumento nas vendas dos batons carmim após o onze de Setembro. Equivalente acontecido após a segunda guerra mundial. Fernando Alves analisou o que ficou dito. Acrescentou: “Nos rubros lábios a aventura dos versos de José Rui Teixeira, poeta que cruza nas palavras filosofia e teologia. Gesto nostálgico cheio de poesia, lábios sobre os quais morrer.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às 10:32 PM | Comentários (5)

abril 13, 2009

"JÁ NÃO SE ESCREVEM CARTAS DE AMOR"

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Chris Achilleos

Dos amores muitos nas pétalas, sabemos. Todas desabrochadas do mesmo receptáculo. O óvulo (coração?) encoberto pelo estilete que o estigma termina e onde penetra o pólen. Afectos outros, pelo poiso nas anteras, extremos dos filetes, fecundam a flor. E ela esquece vergonhas, bordas húmidas e tenras expostas aos olhares cobiçosos que a pretendem colher. Talvez não. Talvez campestre, espreitando entre os muros de uma quelha. Por isso esquecida. Por isso risonha. Confiante no tempo necessário para o fruto amadurecer sem que lhe rapinem o futuro a dias precários. Flor/mãe. Flor/amante. Flor/puta disponível para o pólen que mais cedo chegar. Como preço o _ (pre)enche-me; concretiza o sentido de estar aqui. E as sépalas são branco escrito. As últimas a murcharem.

Porque se amedronta na escrita e na fala o termo amor? Porque não se deleitam os amantes, que ao epíteto façam jus, em rabiscar mútuos recados/preces no alvo do papel ou do monitor? (...)

CAFÉ DA MANHÃ
Do meu querido Amigo, este magnífico presente.


Teresa C.
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 11:55 PM | Comentários (5)

abril 12, 2009

MANTO DE OURO

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Carlos Dugos – O Manto de Ouro

CAFÉ DA MANHÃ

Marta Botelho

Publicado por Teresa C. às 10:03 PM | Comentários (4)

abril 11, 2009

GAROTA/MULHER

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A primeira parte da palavra Hallelu significa "Louvem! Adorem!" ou "Elogio"; a segunda parte da palavra é Yah (Jah), forma abreviada do nome de Deus, Jeová. Yah ou Jah constitui a primeira metade dum tetragrama, o nome do Deus da Bíblia, pronunciado em português como Iavé ou Jeová. Aleluia significa "Louvem Deus Jeová", ou "Adorem Deus Jeová", ou "Elogio Deus Jeová". Wiki dixit.

Aleluia é retorno. Adoração ao íntimo nobre que evita transpiro na vã fala e estar. Ajoelho perante a dor dos muitos mortos enterrados em Itália. Descerramento das imagens em sábado santo. Chocolate negro que amante dedicado trouxe para um rendez-vous. Petiscado entre os dedos nas teclas de quem não o aprecia, seja negro ou com leite ou albino. Desfastio menor. Não o amante, mas o chocolate, que do primeiro fica por saber a realidade ou a ficção. Misturada na cidade palco, a plateia restrita. Ela administradora e fiel depositária do sim ou não. Mais este que aquele por de afectos ter alma e faces cheias, prescindir de contas terceiras que lhe curvem a postura usual. “Rabo para dentro, abdómen contraído, ombros na prateleira”, dizia a Magda Cardoso mestra, a mulher, antes dos trinta, aprendiz. E reteve ensinamentos que previnem dores lombares e do espírito. A garota/mulher, depois muito mulher, fez uso do aprendido. Aleluia repete por cada sagração íntima da Primavera que a renasce.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às 12:09 AM | Comentários (4)

abril 10, 2009

FICAM QUANDO TUDO FOI

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Dali

Tristeza reconhecida pelo calendário católico. Cálice de penas e chicotadas. É sexta, é santa, é registo e símbolo do sofrimento do Humano Redentor. Da generosidade. Do espírito solidário pelos feitos de sangue e carne e do não materializado que é tudo. Nas igrejas, rezam-se ladainhas e responsos. Gentes alinhadas em procissões e nas bordas das ruas presas a rituais talvez fervorosos, talvez turísticos. Da Espanha chegam nativos habituados a capuzes e velas trémulas. Vêm pelos atoalhados e pela diferença pobre do lado oeste da fronteira. Amêndoa doce seria o sol, não tivessem as nuvens grávidas de chuva, queda de neve num talvez previsto, vindo de Norte para Sul. E as almas escurecem quando é de chumbo o céu. Porque alimento dos quotidianos depois dos encontros das famílias, o amor é posto à mesa e recheia o cordeiro de leite. Doçuras são formosuras que entretecem memórias que ficam quando tudo foi.

CAFÉ DA MANHÃ
Vera Mar
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às 09:02 PM | Comentários (0)

abril 09, 2009

FANDANGO DE COMPADRES

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Matthew Carlton

Continua o fandango entre a Associação Nacional de Farmácias, a Ministra da Saúde e a Ordem dos Médicos. Levantas tu o pé, cruzo no peito as mãos enquanto aquele sapateia. Verde e encarnado. Inveja e ira.

Pela real crise, aumenta nas farmácias o receituário não levantado pelos doentes. Astutamente, a ANF decidiu lesta: instruir os associados no sentido de sugerirem o genérico mais barato do que o medicamento de marca receitado pelo médico. A medida nada tem de inocente ainda que contextualizada pela falta que a receita aviada na totalidade faz ao paciente. A verdade é que os aliciantes da indústria farmacêutica eram, outrora, exclusivos dos médicos. Com a possibilidade de substituição do medicamento no acto da compra, são, actualmente, partilhados com as farmácias. Mais Merck, mais benefícios. E quem diz este, refere outro qualquer. Os laboratórios sempre atentos à propaganda e dispostos a contrapartidas agradáveis que os lucros façam sorrir.

Em uníssono, gemem alguns médicos pela falta de cumprimento do receituário. Se muitos atentam na combinação custo do medicamento e eficácia, outros prescrevem pela facilidade do conhecido e pela generosidade dos delegados de propaganda. Quando ralham compadres, sabem-se verdades. No Infarmed, ficou por dar o parecer sobre a exposição da Associação Nacional de Farmácias. O poder político pecou por omissão. Médicos e farmacêuticos, agindo corporativamente, não lustram as respectivas classes. Num país de falências, a da confiança nos profissionais de saúde é ráfia puída que ata o ramalhete.

CAFÉ DA MANHÃ
Madalena Palma
Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 09:18 PM | Comentários (0)

abril 08, 2009

CAMPISMO POR TRAGÉDIA

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Gustavo Fernandes

Duzentos e cinquenta mortos, milhar e meio de feridos, dezassete mil desalojados. A Itália sofre com a dor de Aquila e toda a região de Abruzzo. Os desabrigados procuraram refúgio em tendas. Somente alguns tiveram lugar. Aqueles que a fortuna excluiu dormem, há três dias, nos automóveis.

Mais que o património legado pelos ancestrais agora reduzido a pó e escombros, comove a tragédia humana. Um sismo violento inspira terror e desinquieta sonos de todos, particularmente dos habitantes em zonas dadas às convulsões das placas tectónicas. É o caso de muitas regiões portuguesas. Contudo, não foi ainda concluído o Estudo do Risco Sísmico e de Tsunamis para o Algarve. Por duas vezes adiado o prazo final. Os dados obtidos no trabalho campo esperam os resultados que o simulador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil irá fornecer. Somente depois, o avanço para planos de emergência. Permanece indefeso o povo.

Entretanto, Berlusconi, com a delicadeza de alma e fala que o caracteriza, desdramatizou a situação. Disse: “Os desalojados estão protegidos, alimentados e quentes. Viver em tendas dá a ilusão de umas férias de campismo.”

CAFÉ DA MANHÃ
Paula Capaz
António Costa Santos

Publicado por Teresa C. às 10:38 AM | Comentários (2)

abril 07, 2009

É CHIQUE, É LIFESTYLE

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Autor que não foi possível identificar

É chique, obedece aos padrões do lifestyle vigente, acresce emergência à banalidade quotidiana. Pets estimados: mais do que gatos e cães caíram no goto altura social tarântulas, iguanas, cobras, escorpiões e tartarugas. Destas, há um ano, eram importadas trinta mil. Hoje, atingem, em milhares, quatrocentas. Azar: crescem. O bichinho exótico passa de centímetros escassos a múltiplos imponentes na dimensão. Logo indesejados. As iguanas adultas, confinadas aos terrários, retomam a agressividade selvagem. As tartarugas incómodas pela graça perdida. Como excedentes domésticos não recicláveis, devolvidas ao Instituto Nacional da Conservação da Natureza que não sabe o que fazer de tanto exotismo bicho à conta.

Ovos de papagaios e de arara, destes cada um valendo quinze mil euros, entram pela porta oeste da Europa, feita plataforma de transacções de bicharada ilegal. A moda seguindo o curso do novo que o tempo faz velho e torna prescindível. Triste precariedade! Como outras. Como tantas que a volubilidade do (des)gosto remete para o lixo da página tal, um dia aberta, depois amarfanhada na correnteza dos dias.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às 08:13 AM | Comentários (2)

abril 06, 2009

SOLITÁRIOS DO ASFALTO

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Graham McKean e Passeio Livre

Solitária do asfalto me confesso. Não mais que durante quinze minutos à ida para o ganha-pão-paixão, outros tantos à vinda. Percursos curtos e, normalmente, desentupidos. O spot publicitário do destaque acima, um de quatro que a agência BBDO produziu para a Galp, todos servidos por locução maviosa, obriga a repensar individualismos contraditórios. Muitos os queixosos do custo dos combustíveis, das latas pachorrentas por obrigação alinhadas em procissões compactas de descrentes no transporte público. Rotos os bolsos e as carteiras que esvaem salários poucochinhos nas despesas múltiplas. No trajecto sofrido que a rádio entretém, bem prega Frei Tomás, poucos atentando no que diz. E há a fila que não anda nem desanda, o rodar implacável dos ponteiros, os pneus que não os acompanham, a ansiedade tumultuando o início da manhã (in)útil.

O programa “Mobilidade Sustentável” da Galp* e da Carris** surge no contexto de fragilidade das economias e necessidade de protecção ambiental. Realidades que obrigam a novas soluções e novos modos de estar. Por inerência, urge acordar consciências e agudizar o sentido cívico dos cidadãos, criando instrumentos eficazes a curto e a longo prazo.(…)Também um grupo de peões, fartos do atropelo ao direito de circulação nos passeios e passadeiras, decidiu rebelar-se. Criou sítio elucidativo da triste realidade em todos os centros urbanos portugueses. Carros estacionados onde não é suposto pela lei e pelo respeito para com os outros, correm novo risco: autocolante pespegado nos respectivos vidros. O amarelo canário e o texto envergonham o automobilista que do egoísmo faz prática. (…) É que se os portugueses são teimosos como jericos quanto aos hábitos instalados, também os caracteriza o medo da opinião vizinha e pública.

CAFÉ DA MANHÃ
Teresa C.
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às 01:55 PM | Comentários (0)

abril 05, 2009

MURROS DE MENTIRAS

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Autor que não foi possível identificar

Foi passado o primeiro de Abril, dito das mentiras legitimadas pela data tradição. Porque muitas, quelhas de notícias encimadas por bolores crescidos de uma hora para outra, inocentes são aqueles que desejam saber do recheio da tosta mista feita de mentira embrulhada em verdade plástica. A destrinça como gesto inútil – não adianta nem atrasa. É notícia? Fábrica de vender muito? Genuína vontade de informar o cidadão? Avença que engorde proventos dos comentadores especialistas nos tudo de nadas? E surgem capítulos novos de novelas importadas da parte latina das Américas. Raiva, ciúme, sangue, traições, o implacável duelo entre as classes separadas por quilómetros de bem-estar e poder. Nos folhetins traduzidos em (des)amores e perfídias antigas como o histórico dos homens.

Os desempregados e as famílias que não sustentam em rebelião contra a sociedade do parecer infundamentada pelas estatísticas que aos palmos medem realidades e desdenham da propaganda noticiada. A contracção mundial causa e consequência dos contos do vigário banqueiros e empresariais. Enquanto a Quimonda foi, comprador quiçá interessado no saber fazer, a Cáritas portuguesa diz: “Vamos abrir as portas à igualdade! Vamos ser fiéis à “ética do olhar” que não discrimina, mas que a todos escuta, acolhe e auxilia com inteligência. Vamos lutar contra as portas que parecem fechar-se silenciosamente que, ao proclamarem a supremacia da ciência, da técnica, da gestão e do tecnicismo correm o risco grave de deixar na rua, no desespero, longe dos apoios legítimos, ao frio e à fome, muitos cidadãos portugueses e estrangeiros que não têm outra saída se não recorrer à flexibilidade da caridade praticada por tantas organizações da sociedade civil, entre as quais se contam estruturas de inspiração cristã, animadas por voluntários e assalariados que com consciência cívica e de baptizados desenvolvem a sua acção social com profundo sentido de serviço aos outros.”

CAFÉ DA MANHÃ
Marta Botelho
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às 02:15 PM | Comentários (0)

abril 04, 2009

MOMENTOS VERDADES

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Antoni Lasheras

Dizer não ao rodopio nocturno da cidade. Prescindir de ritos-festas (ir)reais nas sés pagãs em que o copo substitui o terço das beatas falsamente contritas. Momentos mentira. Ilusões de elevação feliz. Uma vez por outra, se intervaladas com critério nos dias, gesta com lugar cativo na contabilidade das horas de ouro escritas no caderno das memórias que resiste ao futuro. Se o houver. Luzes, néon centradas nas pistas onde os corpos soltam música na dança, a verdade da alegria expectante do sexo ou do amor talvez. Lábios encontrados, carícias discretas ou nem por isso, a cama, o tapete nos sofás e nas banquetas. Olhares com fundura e rijeza que antecipam outras. Aniversários cantados nas pernas vestidas de jeans, as mais das vezes de seda fina que vão além das mini em saia ou vestidos. Noites urbanas. Tão diferentes dos recatos prazenteiros entre paredes/casa, «tês» numerados pelas assoalhadas. Lugares de festa dos corpos, do corpo dormido no após das doze horas de sono ininterrupto. Acordar, em remanso, músculos e espírito. A alegria dos simples que pela exigência vão além das felicidadezinhas comuns. Bovinas quantas vezes. E quando a ternura amanhece, desperta dia cheio do que importa e é núcleo da pessoa esteta. Inteira pela coerência entre estar e ser.

CAFÉ DA MANHÃ
Célia Bernardo
António Eça de Queiroz

Publicado por Teresa C. às 12:18 PM | Comentários (0)

abril 03, 2009

PROFETA DE ALÉNS LÓGICOS

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Ricardo Casal

Que história escreves quando escolhes letras? Que vontade é essa a que te submetes e ordena as letras em forma de desejo? Porque escolhes a palavra «tesão» em vez de desejo? Pelo sentimento julgado implícito e que arredas da vontade de fornicar sem peias nem grades? Porque insistes nas sms quando do outro lado sabes mulher sem apetência para comunicações via fibras ópticas, antenas ou satélites que passem do «blogar», do trabalho e das notícias dos afectos? Que sabes tu da fêmea para ti imaginária e, na verdade, comezinha porque tão igual àquelas com as quais cruzas mensagens, corpo e passos? Porventura sabes a que pulsão/lei obedeces ao escrever sexo em letras com urgência? Ou nem é vontade e somente vício por ferver, assim o deves pensar, cérebro que de corpo novo te abra portas?

Tão pobre o meio e a estratégia! Como fica aquém da pessoa que és! Por acaso, homem. Não houvera o registo solidário quando tristeza ou angústia arribam e delas queres saber, tomar-te-ia por obcecado, doente porque não? Nos momentos da verdade séria, és ouvinte. Sensato. Profeta de aléns lógicos. E ficam apagadas memórias de impulsos desordenados. E fica o desejo intemporal, sem diabolizar irracionalidades que do sangue viajante arrebentam, de um beijo fresco na face. Porque na pureza, até na loucura que envias, te reconheço.

CAFÉ DA MANHÃ
Vera Mar
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às 12:45 AM | Comentários (4)

abril 02, 2009

APAGÃO TROCO DE ANOS DE VIDA

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Andrew Valko

Sendo mulher de utopias, pessoa antes de mais, anotei o simbólico apagão do sábado último a que aderiram urbes modestas e capitais. Às vinte e quarenta cinco, um quarto de hora depois do começo da rebelião contra o canibalismo energético, decorria o Portugal-Suécia, dito jogo importante para o apuramento para o Mundial de Futebol em 2010 – tão longe e perto nas preocupações nacionais que desaloja, por dias, o desemprego crescente e as poucas-vergonhas corporativas. Li, nem sei onde para meu pesar, coisas fantásticas. Uma: “ver o jogo na televisão mais pequenina da casa, luminosidade no mínimo e som baixinho. Nada de saltar ou gritar se for golo. Poupem energia! Pelo menos durante uma hora.” Segunda: “se todos desligarmos as luzes de casa ao mesmo tempo durante uma hora, o Planeta agradece o esforço e compensa-nos com mais uns anos de vida. Tem a ver com os combustíveis fósseis e o aquecimento global.” Faltou o “Sei lá!”

E a mulher que ao planeta está atenta, rejeita delapidar bens comuns, empalidece de pasmo e vergonha. Lembra os dias das cidades sem automóveis, cumpridos escrupulosamente pelo gosto de caminhar sem escapes debitando dióxido de carbono. Os seguintes entupidos nas ruas por alumínios em fila, mete primeira, trava, arranca. Mais do mesmo sem utopia que resista a uma hora ou a um dia.

CAFÉ DA MANHÃ
Madalena Palma
Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 12:32 AM | Comentários (2)

abril 01, 2009

MOMENTOS ANACORETAS

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Walter Girotto

Dizem o pensar e o escrever actos solitários. Lavro discordância: não se trata de momentos anacoretas; antes rios onde desaguam afluentes nascidos do viver individual, porém sempre em sociedade. Decorre a influência colectiva no estar e transmitir.

Honra um texto leitura afinada e reflexiva. A propósito do “Lentos por Falta de Estrogénio”, publicado no dia 29 de Março, ponderação satírica e frívola de um dos muitos faits divers ocorridos na Assembleia da República, foi escrito o comentário que transcrevo. Novamente provado ser um blogue acto colectivo e imprevisível que torna esta coisa de «blogar» desafio vício de aprender.

“Leitura crítica 1: os problemas de infância de um sistema informático e a sua preferencial evolução para maior acessibilidade (ia escrever user friendly...) em nada autoriza contagem de espingardas em contexto legislativo, diria mesmo (oh cum caneco!) que o que mais falta pelo hemiciclo é testosterona, na deputação geral deles e delas!

Leitura crítica 2: sobre as virtualidades das competências e apetências do sexo feminino muito havemos a conversar, magno o tema e o exemplo do trânsito nem é o melhor, respeitosamente, que já iniciei eles e elas aos mistérios da condução e não vejo por onde distinguir, sendo a estatística armadilha fácil de experiências diversas e outras contextualidades de génio, valorização do risco e pirraças machas mais, muito mais, que habilidades e muito menos inatas!!

Leitura crítica 3: quotas sim, nos sectores públicos pagos pelo erário, por imperativo social pois é a comunidade que fica a perder a desequilibrada representação eleitoral das mulheres - como aliás nos altos cargos em geral, empresas incluídas e a péssima gestão de que vemos exemplos demais por esse mundo fora é bem a prova de que algo vai mal e a identificação do mal passa também por uma desastrada sub-representação da diversidade social nos órgãos de administração, directivos e de controlo em muitas empresas e instituições mesmo que dotadas de magníficos e esplendoresos cadernos de encargos baptizados de, ih ih, "corporate governace rules" ou aportuguesamentos da coisa - e se nas empresas, é bom de ver, manda o capital e cada um desperdiça o seu dinheiro como quer, já no que respeita à governação pública é exigível que a lei tome a dianteira porque o eleitorado e a inércia (Zézita dixit) das próprias assim o anda a pedir!!!”

António

CAFÉ DA MANHÃ
Paula Capaz
António Costa Santos

Publicado por Teresa C. às 11:16 AM | Comentários (0)