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maio 14, 2009

COISA AQUELA

Milo Manara 1ax.jpg
Milo Manara

«Meia foda», ouviu. Por não ser mulher de ficar sem entender, quis saber o que era coisa aquela.

_ Nem é, nem deixa de ser.
_ Como assim? Ou é, ou pela metade é à mesma. Menor, aceito.
_ Palpar e ver. Ela não quis mais.

Remoeu o porquê. Deles e delas, é ouvido semelhante. Diferente o durante e o balanço. Elas não fornicaram, eles tiveram o assim-asssim. Para a mulher, copular é penetração. Para o homem derrame fluido, haja ou não entrar e sair, vaivém que no mesmo culmine.

Em que ponto da espiral genética, ou em que meandro cerebral se alojará a discordante leitura que do mesmo faz um homem e uma mulher? Construções da civilização? Registos biológicos distintos no feminino e masculino? Para o homem basta o despejo que mulher receba no rosto ou na pele?

Porque a vida é múltipla e o (des)entendimento no discurso entre os géneros não é restrito ao sexual, interpelam os códigos que entopem a harmonia. Alguns dizem-nos prolixas, julgam-nos frágeis aos violinos, porque românticas, quando o fito é estritamente cartesiano – vazarem órgãos. Constatam, desiludidos, as inúmeras fêmeas que, neste particular, ombreiam com eles. E porquê? Por não abdicarem da lança que, desde sempre, os fez caçadores? Por buscarem reforço da estima quando em baixa? E se a mulher usar arma semelhante no sustento interior? Galdéria ou frívola? Nem um pouco! Pessoa que sabe ler os sinais enviados pelos tempos e se adapta. Cresce. Que distingue desejo de amor. Como alguns homens. Como deve ser. Adestrados uns e outros para a contemporaneidade. No melhor e no pior.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às maio 14, 2009 03:55 PM

Comentários

Mas esta crónica é sempre mais do mesmo.
E se...e se a vida sexual de qualquer pessoa poder abrir novas perspectivas no sentido de utilizarem este ímpeto intemporal como um impulso para se projectarem em planos transcendentes e de melhores consciências?

Publicado por: Ana às maio 14, 2009 09:06 PM

Ana - que bom! E mais não digo.

Publicado por: Teresa C. às maio 15, 2009 12:12 AM

Tudo bom... o pior fica (a penas) para o 'se não puder abrir novas perspectivas...'.

Quanto ao 'se projectarem em planos transcendentes...' parece que no caso da meia... só a eles se virão a proporcionar tais anseios, pois as caras metades parecem não ficar de 'melhores consciências'.

Em conclusão, nim, há sempre riscos (mesmo nas meias).

Publicado por: zeka às maio 15, 2009 03:30 AM

Acabo por não perceber se esta crónica acrescenta alguma coisa ao verdadeiro acto sexual que é poder ler e chegar ao final com um orgasmo de quem leu e degustou cada palavra que entendeu, se é apenas mais uma partilha de palavras talvez um bocadinho mais labirinticas daquilo que é o acto sexual...Acho que tanto para os homens como para as mulheres a "meia foda" é apenas uma "meia foda" como quem pede uma meia de leite...Porque?!porque sabe que apesar de estar a beber leite está também a saborear café e não chega ao fim com o sabor de um na boca...mas de ambos!A conjugação de sabores não tem necessariamente de ser um acto em si, não tem necessariamente de ser estudada nem discutida...é o que é!Às vezes as coisas são apenas o que são, e a nós seres humanos, seres pensantes e diletantes, cabe-nos aproveitar e também explora-las mais do que com palavras, com o corpo, com a alma, com silêncios...

Não posso acabar sem dizer que as crónicas de referência política demonstram um interligar inteligente de informação que transparece um fascinante conhecimento e capacidade critica...

Saudaçoes...

Publicado por: Violeta às maio 15, 2009 09:43 PM

voltemos ao princípio e atiremos-nos à supimpa da meia: para o bom, é algo valorizado, laudatório, um pequeno grande prazer - por exemplo, se um olhar é "meia-...", quer dizer que é prometedor, faz passar além do poderá supor-se, enfim, interpretações...; no mau, é tempo perdido, um não -chega-a-ser desolador, senão infame...

comum, num caso e noutro, mais e menos, é a inconsumação

e chegamos ao ponto: de certa perspectiva, liberta, já que habilita ao divórcio, em rigor, à declaração de nulidade do conjugal sacramento/enlace; de outra, como acertadamente sublinhado acima, prende em demasia a preconceito materialista de que dificilmente se descola, mesmo em crónicas inteligentes e tão políticas como as de política: é que justamente poderá nada faltar, antes elevar a partir de um dom prodigioso de que somos, mulheres e homens, privilegiados titulares, em busca de um sentido de gratificante comunhão, afinal prazer maior que um gesto de conquista que se esgota no plano corporal

e se à tripa forra sabemos que não chega, um dia acordamos para o anseio de querer mais que o desejo

;->>>

Publicado por: António às maio 16, 2009 01:08 AM

Zeka - o "huggest problem" é para quem não gosta de meias. Mal chega a tepidez meteorológica largo-as num ápice. Odeio meias-tintas, meias palavras, meias intenções e acções. O ouvido interpelou-me pelo subentendido «nim» que refere no comentário.

Publicado por: Teresa C. às maio 16, 2009 11:24 AM

Violeta - Entre as meias que não gosto, consta a meia de leite. Mas entendo a justeza da sua reflexão. Porque do labirinto das palavras retiro prazer solitário - uso-o para gozo pessoal e não para quem, quiçá, o poderá ler.

Egoísta neste particular? Má comunicadora? Admito. Mas que seria da fruição do acto de escrever se o jogo que as palavras propõem fosse esquecido? De mim falo.

Por outro lado, não silencio reflexões que a vida constantemente carrega. Mas agradeço, muito, o modo como me fez ponderar quem sou e escreve.

Publicado por: Teresa C. às maio 16, 2009 11:24 AM

António - o que sobressai no texto é a subjectividade do entendimento pessoal de um facto. Polémico? Claro que sim! Pertence a uma mulher que, como digo acima, não gosta de meias. Tudo ou nada nas acções. Compreende quem, como os personagens descritos, têm atitudes outras. Todavia, pensando-as, não se reveria na situação.

Subscrevo, parcialmente, "prazer maior que um gesto de conquista que se esgota no plano corporal". Ambos os momentos podem ser belíssimos. Depende da criatura que os vive.

Publicado por: Teresa C. às maio 16, 2009 11:25 AM

Sem dar conta das páginas a passar e completamente nas tintas para quem as vai ler...
Ficarei atenta ao lançamento, breve, desse seu livro.

Publicado por: Ana às maio 17, 2009 11:23 AM

Ana - Livro? Quem disse? Não eu, é certo.

Publicado por: Teresa C. às maio 17, 2009 02:30 PM

why not?
há incentivos que importa ... digamos, desembiquadrilhar!
pode ser?

ps - fez lembrar (Alberto Manguel? o próprio Borges?) que os livros uma vez nomeados estão já escritos! o mais, agora acrescento meu, é mãos à obra!! coragem!!!

Publicado por: António às maio 17, 2009 11:27 PM

António - tenho uma rascunho a que não me atrevo chamar livro. Talvez dali saia qualquer coisa. Logo se verá.

Sobre os comentários no PNET Homem e Mulher - se o comentador se inscrever os comentários surgem imediatamente e não necessitam da aprovação do cronista. O seu, na crónica que abaixo refere, não me surgiu para aprovação. Algum erro aconteceu. Por favor, vá lá abaixo e responda à questão que ali lhe coloco.

Publicado por: Teresa C. às maio 18, 2009 01:48 PM

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