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maio 19, 2009

DEMO À BORLA

Amy Crehore small_Deja_Vu_Waltz.jpg
Amy Crehore

“Educação sexual, sim.” “Preservativos gratuitos nas escolas secundárias, não.” Por via deles, o demo atenta contra a virgindade pré-conjugal. Dissimuladamente, é o que afirmam as Igrejas Católica e Muçulmana portuguesas. “A Confederação das Associações de Pais considera um «tremendo disparate» a distribuição”. Argumenta que o acesso aos ditos exige lógica outra – até aos 14 anos o problema é da família; a partir dos 16 anos, os Centros de Saúde que resolvam problemas. Judeus e Testemunhas de Jeová nada opõem à medida.

Foi provado que nas 63 escolas secundárias envolvidas num estudo científico, 42 por cento dos jovens são sexualmente activos. No 12º ano, muitos mais. Fracção significativa das crianças inicia relações sexuais antes dos 15 anos. Vulneráveis, conquanto a Confederação das Associações de Pais diga a família eficiente na prevenção. É frequente a gravidez na adolescência. Infecções, também. Resumo: os preservativos não incentivam a promiscuidade ou a iniciação sexual - existe com ou sem eles -, mas ajudam a evitar consequências desastrosas, quantas vezes traumáticas ou fatais.

Que ensinem aos adolescentes sítios e funções dos órgãos sexuais, cuidados e ética. Mas preservativos à mão de semear entre aulas, no ir e vir para casa ou na noite que, aos fins-de-semana, reúne bandos de gente “sem pensar próprio”? Jamais! E os jovens ateus ou herdeiros da religião familiar que ainda não optaram tomá-la como sua? Pessoas menores que às decisões de alguns crentes devem subserviência? E como lidar com o corpo e a pressão exercida pelos órgãos de comunicação social, a internet sem censura que ocupa os adolescentes na presença e na ausência dos pais?

Quem educa pode muito. Não tudo. A sociedade intervém. O comum espírito de grupo na adolescência nada tem de despiciendo. Por serem diferentes personalidades e corpos, os pais estão obrigados, pelo exemplo e atenção, a constituírem referências que encaminhem quem geraram. Autoritarismo é atitude aquém do exercício da função religiosa ou paternal.

CAFÉ DA MANHÃ
Leonor Barros
João Moreira de Sá

Publicado por Teresa C. às maio 19, 2009 06:25 PM

Comentários

palavras certas, senão santas...!

na substância, bem vindo é o advento, na família, na escola, nos centros de saúde e em toda a parte, da mensagem e da acessibilidade ao preservativo, tal como a outros meios de protecção e profilaxia, mas sobretudo à educação e à sã convivência com valores de dignificação dos relacionamentos que não exclusivamente confinados ao sexo

quanto à propensão para a polémica, será sempre escasso o efeito das resistências católica, muçulmana e de outras confissões menos confessadas

maior o alarido

e a propósito: quando o Papa dos católicos se pronunciou, foi um fartar vilanagem de expor, denunciar e vender minutos de audiência em todo o porta-parangonas que é o prato principal em que hoje por toda a parte se travestiu a comunicação

agora muçulmanos dizem o mesmo, aguardemos pela exploração mediática a nível idêntico

e também pelas vozes de resistência vindas de dentro, de ideólogos, comentadores e aparatchik religioso, tal como sucedeu de pronto e intensamente no caso dos católicos ...

;->>>

Publicado por: António às maio 19, 2009 08:40 AM

Sou a favor da distribuição gratuita de preservativos. Não obstante, considero que esta não deve ser feita sem mais. Denoto cada vez mais uma pressão sobre os jovens para que iniciem a sua vida sexual muito cedo. Denoto também alguma falta de informação sobre várias questões de sexualidade, por parte dos jovens. Por isso gostaria de ver algo mais ser feito para além da distribuição de rpeservativos.

Há escolas básicas que, de há vários anos para cá têm feito um trabalho razoavel em matéria de informação relativamente a doenças sexualmente transmissíveis, reprodução e afins.

Há escolas básicas que nada ou quase nada têm feito para informar os alunos acerca dessas matérias. Particularmente nestas escolas não servirá de muito a distribuição gratuita de preservativos sem mais.

Publicado por: Cátia às maio 19, 2009 10:26 AM

Se a escola falha tanto no que (não) tem de mais básico, a ponto de um manual de instruções para prestação de provas de avaliação ser (tão) polémico, como podemos confiar que esse 'serviço' será (minimamente) bem prestado?

O recente caso da professora de Espinho deixa muitas dúvidas sobre a abordagem da educação sexual na escola.

Será que isto também é recorrente em tempo de eleições?

Publicado por: zeka às maio 19, 2009 11:48 PM

zeka,

O caso da professora de Espinho pode ser a excepção. Sei que em escolas básicas da zona onde resido se fala de sexualidade de modo completamente diferente. Sem que os professores se metam na vida privada dos alunos, sem cometerem erros como os que cosntam daquela gravação e sem fazerem uso da posição profissional para tentar impor as suas ideias.

Na escola onde conclui o ensino básico é usual prepararem-se sessões de esclarecimentos com profissionais de saúde acerca das doenças sexualmente transmissiveis e da reprodução. Mas quanto a isso, é possível que essa escola pertença à excepção. Aquela gravação serviu para se perceber que a educação para a sexualidade nas escolas portuguesas está muito dependente das ideias e motivações dos professores. Não deveria ser assim, deveria haver algo semelhante ao plano nacional de leitura, mas para a saúde, incluindo a sexualidade e os profissionais de saúde deveriam ter um papel relevante nesse âmbito. Na minha opinião.

Publicado por: Cátia às maio 20, 2009 10:21 AM

Cátia,

Não há preservativos (como não há almoços) de graça. Nas feiras há fichas para dar voltas e mais voltas nos carrinhos de choque... mas pagam-se.
É interessante deixar os mais jovens treinar nos carros a sério... mas é loucura dar-lhes as chaves e deixá-los conduzir à sucapa.
Se os mais jovens (eles e elas) estiverem preparados para usar o preservativo, poderão com a maior das facilidades adquiri-los (ou peçam-nos às mamãs e aos papás). Como fazem com os telemóveis e com os iPods?
O acto sexual entre alunos (com ou sem preservativo) não é garantidamente da competência da escola. Creio que o pífaro (ou será flauta?) para as aulas de iniciação musical ainda passa pelas mãos da família.
Será que é (mais) pertinente promover antes uma ampla divulgação do serviço que já existe nos Centros de Saúde e nas delegações do IPJ?

Publicado por: zeka às maio 21, 2009 12:08 AM

volto à liça: a haver comprovado alastramento, nas escolas, de doenças transmissíveis sexualmente, é imperativo que se tomem medidas, para lá das retóricas

é óbvio que as maezinhas e os paizinhos dão mais depressa um tele de última geração ao púbere que uma camisinha de latex, tal como vamos mais depressa a Marte ou à Capadócia para realizar sonhos de 1ª dama que ao catre de um miserável que dorme no Terreiro do paço á porta do Ministério das Finanças

nem, obviamente, é pelos trocos que custa uma embalagem de meia dúzia de preservativos, disponível em tanto e tanto local frequentado fora de horas mas também em todo o escaparate de mini-mercado, farmácia e até já vi em ... mercearias!

há um problema educativo! pretender retirar esse papel à escola é uma pura aberração

a resistência poderá gerar escândalos em cabecinhas puritanas (ai que estão a incentivar o meu menino a ter relações... em vez de: olha, estão a ensinar o menino a proteger-se e a proteger quem com ele se relaciona

é claro que se a família cumprisse esse papel e se um miúdo de 14 ou 15 anos fosse pedir preservativos à mãe ou ao pai não estaríamos a falar da questão da propagação das doenças sexualmente transmissíveis

relembro Adelaide Cabete: introduziu os hábitos de higiene nas escolas, para que as crianças fossem portadoras da mensagem nova ao entrar em casa - e assim se progrediu muito e rapidamente

na realidade, é porque as famílias não estão preparadas que os miúdos entram em círculo vicioso

mas como em muitas outras situações, o progresso verifica-se quando os filhos ensinam aos pais

o que os pais ensinam aos filhos é por si só insusceptível de assegurar o progresso, apenas gera continuidade - se há maus hábitos e preconceitos em casa, o que se transmite aos filhos é isso mesmo

se queremos responsavelmente que a mudança aconteça, é preciso agir, tornar um hábito a protecção, para que mais tarde, quando forem pais, os jovens de hoje não ofereçam a mesma resistência que hoje encontram

dito, mantenho o comentário anterior: trata-se de educar, o que é repto bem mais vasto que a entrega de material plástico, há conhecimento e valores que é fundamental partilhar e fazer assimilar, os do respeito e dignidade, os dos afectos e do Amor

se puder ser ;->>>

Publicado por: António às maio 21, 2009 01:03 AM

António - completamente de acordo. A posição oficial da Igreja Católica merece parangonas. E as semelhantes de outras confissões?

Cátia - entendo o seu ponto de vista, mas faço meu o comentário do Zeka.

António - perfeito! E mais nada há a acrescentar.

Publicado por: Teresa C. às maio 21, 2009 03:45 PM

zeka,

Concordo que não deveria ser a escola a fazer distribuição gratuita de preservativos. Mas não posso esquecer a realidade à minha volta. Ainda são poucos os pais que percebem a importância da educação para a sexualidade e menos ainda os que chegam ao ponto de se disponibilizar para garantir que os filhos têm acesso ao preservativo.

Aindá está muito enraizado na sociedade portuguesa o tabu de que, se se falar em questões relativas sexualidade, os jovens vão "a correr" colocar em prática esses conhecimentos.

Nos centros de saúde é possível adquirir preservativos de forma gratuita, mas as regras são mais adequadas a quem pretende adquirir meios de contracepção que exigem receita médica. Normalmente exige-se consulta de planeamento familiar, no centro da área de residência (nem sempre o mais próximo da residência, porque nem todos têm esse tipo de consultas), geralmente com o médico de família. O que afasta muitos jovens dessa faculdade, compreensivelmente.

Atribuir preservativos é muito diferente de dar as chaves de um carro a um jovem e deixá-lo conduzir. O carro pode ser uma arma letal, o preservativo não, e tem uma função preventiva, incluindo a de prevenir uma doença que pode levar à morte.

Não é por se atribuir preservativos aos jovens que eles vão logo ter relações sexuais. Vários guardam os preservativos até chegar a altura em que precisem deles. Não é fácil a um jovem de 15/16 anos arranjar um preservativo, a não ser que os pais dêem dinheiro que não apenas chegue, também sobre para as despesas escolares. As exigências dos centros de saúde intimidam mais e a maioria dos pais acha que são demasiado novos para praticar actos sexuais, outros preferem ignorar o assunto pensando que assim os filhos o esquecem, etc.

A educação é da competência da família e da escola e a saúde também é, em parte, da sua competência. O que está em causa não são actos sexuais, é a saúde dos jovens. Se o que estivesse em causa fossem apenas actos sexuais, não se estaria a pensar apenas em distribuir preservativos, uma vez que há outros meios de contracepção igualmente capazes de prevenir gravidezes indesejadas. O que não há é outro método contraceptivo que previna as doenças sexualmente transmissíveis. O objectivo da distribuição gratuita de preservativos é que os jovens os tenham à disposição quando decidirem praticar relações sexuais. Daí compreender o objectivo, apenas acho que só por si é insuficiente.

Publicado por: Cátia às maio 24, 2009 11:57 AM

Cátia - reflexão que subscrevo na íntegra. Perfeita! Mais não digo por fugir do ocioso como dizem o diabo (aquela coisa que assusta e não é) fugir da Cruz.

Grata pela magnífica intervenção.

Publicado por: Teresa C. às maio 24, 2009 10:13 PM

Cátia,
Só agora voltei a visitar o post e apraz-me ver que acredita firmemente no dito objectivo.
Desafortunadamente, não acredito em facilitismos nem em operações confiadas a quem não é autoridade na matéria - educação / educação sexual. Se os pais falham, e poderão falhar em muitas outras coisas também muito importantes, então tomemos medidas para melhorar essa situação.
Não entendo que os actos sexuais dos jovens tenham assim um risco tão elevado de contrair a sida. Tenho tido conhecimento repetido da galhofa que fazem à volta do preservativo. Como também ouvi notícias recentes sobre a situação na Inglaterra, onde a distribuição de preservativos na escola começa mais cedo (aos 9 anos?) e onde o nº de jovens grávidas continua a aumentar.

«Países que tentaram estratégias semelhantes tiveram resultados desastrosos e opostos aos esperados. Segundo informações do British Medical Journal , na Inglaterra os casos de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis aumentaram significativamente nos últimos anos entre adolescentes de 16 a 17 anos, período em que se facilitou em grande medida aos jovens o acesso e informação sobre os métodos de contracepção.»

«Apesar do estímulo ao uso de preservativos entre adolescentes e de grandes campanhas para divulgar a pílula abortiva do dia seguinte, cuja utilização cresceu vertiginosamente, no Reino Unido aumentou o número de abortos cirúrgicos e casos de curetagem por aborto nos últimos 3 anos.»

«Parece contraditório, mas as estatísticas indicam que quanto mais preservativos distribuídos, maior o número de gravidez. "Na prática isso só incentiva as relações entre os jovens. Informação sem integração num sistema de valores não é educação. É o tipo de prática escolar que não quero para meus filhos, nem é justo que o imposto que eu pago seja usado dessa forma.", declarou um pai entrevistado sobre o assunto.»

in www.portaldafamilia.org.br/scnews/news028.shtml


Publicado por: zeka às maio 27, 2009 09:54 PM

Em que medida é que informar os jovens sobre sexualidade e DSTs, bem como distribuir preservativos são facilitismos? Quem é que é autoridade na matéria?

Na sua opinião deve-se dificutar o acesso a informação e meios de contracepção? Com que objectivos?

Como é que os jovens poderão prevenir-se quanto a DST se não sabem que as doenças existe e como se transmitem? Como é que os jovens podem iniciar actividade sexual de forma saudável se lhes for dificultado o acesso a meios de contracepção como o preservativo?

Deve a escola retroceder um passo atrás e declarar que as famílias são a autoridade comeptentente em matéria de educação sexual? Deve o estado permitir que muitos jovens fiquem na ignorância quando às DST e à sua prevenção?

Os meus pais falharam redondamente em matéria de educação sexual e não só. Felizmente a escola forneceu-me a informação necessária para que soubesse coisas tão fundamentais como as trsanformações que ocorrem no corpo de uma mulher na adolescência, que existem DST e como preveni-las. É da saúde que se trata, não de uma entrevista de emprego.

É contraditório o seu argumento de que os actos sexuais dos jovens tenham assim um risco tão elevado de contrair a sida combinado com a afirmação de que o nº de jovens grávidas continua a aumentar.

O corpo dos jovens não está mais imunizado contra a sida do que o dos adultos. Há sim, um grande risco de virem a contrair sida em caso de relações sexuais desprotegidas. E nos dias que correm o risco é maior do que foi no passado, porque actualmente os jovens iniciam relacionamento sexual mais cedo e não se limitam a práticas esporádicas.

Quanto ao paralelismo distribuição de preservativos versus aumento do n.º de jovens. Penso que, quem comenta o tema dos preservativos tem presente a informação básica acerca do tema, que o facto de recebe-los não implica necessariamento o seu uso e que não são 100% eficazes, havendo o risco ineficácia em caso de utilização incorrecta(daí a necessidade de informação e sensibilização).

As notícias que tenho lido nos últimos anos na imprensa escrita portuguesa contrariam as citações que deixou de uma notícia. Ou seja, alertam para a idade em que os jovens iniciam a actividade sexual e reforçam a importância da informação e sensibilização. Tendo lido inclusivé, em mais do que um meio de comunicação, que os programas dos EUA baseados na abstinência sexual não funcionam. Exemplos:

«Realizado por iniciativa do Congresso, o estudo incidiu sobre um universo de dois mil jovens e concluiu que cerca de metade dos inquiridos mantém uma actividade sexual precoce, cifrando-se a idade média da primeira relação sexual nos 14,9 anos. As conclusões do estudo apontam para a necessidade de serem revistos os programas e incentivos em vigor, que envolveram verbas de mais de 64 milhões de erros entre 1998 e 2006. O estudo indica ainda que é semelhante a percentagem de jovens americanos a ter relações sexuais, quer frequente ou não os programas cuja finalidade é a de evitar a gravidez indesejada e a propagação de doenças sexuais na população jovem. Para os críticos, os programas não passam de lições de moral e apelos à abstinência antes do casamento.» DN, 2007

«Duarte Vilar diz que o inquérito confirma uma série de dados que tinham constatado na intervenção que a APF tem junto das escolas e que há uma melhoria em termos de educação sexual dos jovens com 18 ou menos anos. No entanto, existem temáticas que têm sido descuradas, nomeadamente ao nível de uma abordagem mais ampla das infecções sexualmente transmissíveis. Os estudante revelam grande desconhecimento, embora haja 66% a dizer que já discutiram a prevenção destas doenças. E também se nota desconhecimento no que diz respeito à forma como usam os contraceptivos e como se previne uma gravidez indesejada.» DN, 2008.

«A utilização do preservativo é outro dos aspectos muito valorizados por Margarida Matos. Que explica: o número de adolescentes dos 8.º e 10.º anos que dizem já ter tido relações sexuais mantém-se idêntico (22,7 por cento, contra 23,7 por cento em 2002). Mas, dentro deste universo, a percentagem dos que dizem que na última relação sexual não utilizaram preservativo diminuiu em relação a 2002 - há quatro anos 29,9 por cento fizeram saber que não tinha usado preservativo; agora são 18,9 por cento.

"Algumas pessoas poderão ler nisto o seguinte: "Tanto chatearam os miúdos que agora todos usam preservativo", mas é preciso dizer que não aumentou o número de jovens nestas idades a iniciar a sua vida sexual. Os que iniciaram é que usam mais o preservativo", continua a psicóloga. "A ideia de que é melhor esconder a sexualidade dos jovens, porque se sabem muito do assunto vão a correr experimentar, não é de todo verdade."» Público, 2006

«Um em cada 10 estudantes universitários de Coimbra acredita que a pílula anticoncepcional protege da infecção por VIH/Sida, segundo um inquérito da investigadora Aliete Cunha-Oliveira, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.» Educare, 2008.

«A análise das respostas dadas pelos inquiridos - todos estudantes - permitiu constatar que o facto de conhecerem as vantagens da utilização do preservativo na prevenção de uma gravidez indesejada ou do contágio de doenças sexualmente transmissíveis não basta para que os adolescentes e jovens adultos adoptem um comportamento preventivo. Daí a necessidade de "motivar os adolescentes para que estes evitem comportamentos de risco. A motivação é um dos principais factores que levam à mudança do comportamento", explicou ao EDUCARE.PT Marina Carvalho, docente da Universidade Lusófona e uma das responsáveis pelo estudo.» Educare, 2005.

«Os países do norte da Europa que têm programas nacionais de saúde reprodutiva para todos os jovens são os que apresentam os menores índices de gravidez entre jovens, bem como de DSTs e de abortos do mundo desenvolvido.» Esquerda.net, 2005.

«Em 1998, o então primeiro-ministro Tony Blair lançou um ambicioso plano para reduzir a taxa de gravidez na adolescência para metade até 2010. Mas, a um ano desse prazo, a taxa caiu apenas 10 por cento.

O país tem a mais alta taxa de gravidez na adolescência da Europa Ocidental.

O exagerado pudor britânico, comparado com os seus vizinhos europeus, é parte do problema, disse Jules Hillier, um porta-voz do Brook Advisory Centers, que fornece serviços de saúde reprodutiva a mulheres com idades inferiores a 25 anos.

"As pessoas não se sentem confortáveis em falar sobre sexo, particularmente com os jovens", considera Hillier.

As escolas inglesas em breve terão de ministrar educação sexual, incluindo conversas com as crianças da infantil. Ao abrigo do plano, as escolas deverão dar lições sobre as relações e contracepção, tópicos que não eram exigidos antes.» JN, 2009.

Publicado por: Cátia às junho 4, 2009 09:50 AM

Em que medida é que informar os jovens sobre sexualidade e DSTs, bem como distribuir preservativos são facilitismos? Quem é que é autoridade na matéria?

Na sua opinião deve-se dificutar o acesso a informação e meios de contracepção? Com que objectivos?

Como é que os jovens poderão prevenir-se quanto a DST se não sabem que as doenças existe e como se transmitem? Como é que os jovens podem iniciar actividade sexual de forma saudável se lhes for dificultado o acesso a meios de contracepção como o preservativo?

Deve a escola retroceder um passo atrás e declarar que as famílias são a autoridade comeptentente em matéria de educação sexual? Deve o estado permitir que muitos jovens fiquem na ignorância quando às DST e à sua prevenção?

Os meus pais falharam redondamente em matéria de educação sexual e não só. Felizmente a escola forneceu-me a informação necessária para que soubesse coisas tão fundamentais como as trsanformações que ocorrem no corpo de uma mulher na adolescência, que existem DST e como preveni-las. É da saúde que se trata, não de uma entrevista de emprego.

É contraditório o seu argumento de que os actos sexuais dos jovens tenham assim um risco tão elevado de contrair a sida combinado com a afirmação de que o nº de jovens grávidas continua a aumentar.

O corpo dos jovens não está mais imunizado contra a sida do que o dos adultos. Há sim, um grande risco de virem a contrair sida em caso de relações sexuais desprotegidas. E nos dias que correm o risco é maior do que foi no passado, porque actualmente os jovens iniciam relacionamento sexual mais cedo e não se limitam a práticas esporádicas.

Quanto ao paralelismo distribuição de preservativos versus aumento do n.º de jovens. Penso que, quem comenta o tema dos preservativos tem presente a informação básica acerca do tema, que o facto de recebe-los não implica necessariamento o seu uso e que não são 100% eficazes, havendo o risco ineficácia em caso de utilização incorrecta(daí a necessidade de informação e sensibilização).

As notícias que tenho lido nos últimos anos na imprensa escrita portuguesa contrariam as citações que deixou de uma notícia. Ou seja, alertam para a idade em que os jovens iniciam a actividade sexual e reforçam a importância da informação e sensibilização. Tendo lido inclusivé, em mais do que um meio de comunicação, que os programas dos EUA baseados na abstinência sexual não funcionam. Exemplos:

«Realizado por iniciativa do Congresso, o estudo incidiu sobre um universo de dois mil jovens e concluiu que cerca de metade dos inquiridos mantém uma actividade sexual precoce, cifrando-se a idade média da primeira relação sexual nos 14,9 anos. As conclusões do estudo apontam para a necessidade de serem revistos os programas e incentivos em vigor, que envolveram verbas de mais de 64 milhões de erros entre 1998 e 2006. O estudo indica ainda que é semelhante a percentagem de jovens americanos a ter relações sexuais, quer frequente ou não os programas cuja finalidade é a de evitar a gravidez indesejada e a propagação de doenças sexuais na população jovem. Para os críticos, os programas não passam de lições de moral e apelos à abstinência antes do casamento.» DN, 2007

«Duarte Vilar diz que o inquérito confirma uma série de dados que tinham constatado na intervenção que a APF tem junto das escolas e que há uma melhoria em termos de educação sexual dos jovens com 18 ou menos anos. No entanto, existem temáticas que têm sido descuradas, nomeadamente ao nível de uma abordagem mais ampla das infecções sexualmente transmissíveis. Os estudante revelam grande desconhecimento, embora haja 66% a dizer que já discutiram a prevenção destas doenças. E também se nota desconhecimento no que diz respeito à forma como usam os contraceptivos e como se previne uma gravidez indesejada.» DN, 2008.

«A utilização do preservativo é outro dos aspectos muito valorizados por Margarida Matos. Que explica: o número de adolescentes dos 8.º e 10.º anos que dizem já ter tido relações sexuais mantém-se idêntico (22,7 por cento, contra 23,7 por cento em 2002). Mas, dentro deste universo, a percentagem dos que dizem que na última relação sexual não utilizaram preservativo diminuiu em relação a 2002 - há quatro anos 29,9 por cento fizeram saber que não tinha usado preservativo; agora são 18,9 por cento.

"Algumas pessoas poderão ler nisto o seguinte: "Tanto chatearam os miúdos que agora todos usam preservativo", mas é preciso dizer que não aumentou o número de jovens nestas idades a iniciar a sua vida sexual. Os que iniciaram é que usam mais o preservativo", continua a psicóloga. "A ideia de que é melhor esconder a sexualidade dos jovens, porque se sabem muito do assunto vão a correr experimentar, não é de todo verdade."» Público, 2006

«Um em cada 10 estudantes universitários de Coimbra acredita que a pílula anticoncepcional protege da infecção por VIH/Sida, segundo um inquérito da investigadora Aliete Cunha-Oliveira, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.» Educare, 2008.

«A análise das respostas dadas pelos inquiridos - todos estudantes - permitiu constatar que o facto de conhecerem as vantagens da utilização do preservativo na prevenção de uma gravidez indesejada ou do contágio de doenças sexualmente transmissíveis não basta para que os adolescentes e jovens adultos adoptem um comportamento preventivo. Daí a necessidade de "motivar os adolescentes para que estes evitem comportamentos de risco. A motivação é um dos principais factores que levam à mudança do comportamento", explicou ao EDUCARE.PT Marina Carvalho, docente da Universidade Lusófona e uma das responsáveis pelo estudo.» Educare, 2005.

«Os países do norte da Europa que têm programas nacionais de saúde reprodutiva para todos os jovens são os que apresentam os menores índices de gravidez entre jovens, bem como de DSTs e de abortos do mundo desenvolvido.» Esquerda.net, 2005.

«Em 1998, o então primeiro-ministro Tony Blair lançou um ambicioso plano para reduzir a taxa de gravidez na adolescência para metade até 2010. Mas, a um ano desse prazo, a taxa caiu apenas 10 por cento.

O país tem a mais alta taxa de gravidez na adolescência da Europa Ocidental.

O exagerado pudor britânico, comparado com os seus vizinhos europeus, é parte do problema, disse Jules Hillier, um porta-voz do Brook Advisory Centers, que fornece serviços de saúde reprodutiva a mulheres com idades inferiores a 25 anos.

"As pessoas não se sentem confortáveis em falar sobre sexo, particularmente com os jovens", considera Hillier.

As escolas inglesas em breve terão de ministrar educação sexual, incluindo conversas com as crianças da infantil. Ao abrigo do plano, as escolas deverão dar lições sobre as relações e contracepção, tópicos que não eram exigidos antes.» JN, 2009.

Publicado por: Cátia às junho 4, 2009 09:50 AM

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