« UM ÓBITO E UM (RE)NASCER | Entrada | ORAÇÃO E PERPLEXIDADE »
maio 23, 2009
“FAZER, SENTIR, TER SEXO”

Autor que não foi possível identificar
Reflexões belíssimas são publicadas neste blog na forma de comentários que agradeço. Alguns originam debates extremamente motivadores e noutros fundamento crónicas.
Hoje, destaco o comentário do António ao texto publicado no PNET Mulher, aqui transcrita parte no dia 11 de Maio:
"…quanto ao sensaborão das expressões (fazer...? ter? sentir?) que resulta sempre em prejuízo do bom gosto se delas tentamos apreender algum significado, certo é que o redondo exigido pelo recorrente da linguagem (sim, comunicar é tornar comum) deixa claro o sentido pretendido tanto quanto o ponto insuficiente e indelicado a que se chegou quando é preciso falar assim
ou seja, no que toca à terminologia, em seu contexto há sempre cabimento a qualquer das expressões, mas dito (escrito? lido?) assim resulta de péssimo efeito, até à incomodidade como os exemplos de futebol que ilustram tanto discurso, de nada servindo à lógica formal mas cuidando-se vulgar o bastante para entendimento universal
ou, como tenho por certo, porque são pronto socorro de quem não sabe
exprimir-se correctamente, não é capaz de se aproximar do interlocutor ou pura e disfarçadamente nada tem a dizer
assim vão em muito discurso e debate os chavões da sexualidade, frequentemente transbordando além do dizível
e haverá palavras bastantes para exprimir a alteração facial ? dos olhos, o agudizar, o semi-cerrar, o fechar, o ranger, o revolver, o revolucionar, o lacrimejar, o rasar de água, o brilhozinho, o exorbitar, o tremelicar, o pestanejar, o piscar...; das narinas, o ruborescer, o endurecer, o alargar, o tremer, o fechar, o arfar...; e assim por diante, a cada órgão, a cada poro, a cada vaso sanguíneo!
mas quem falou em palavras? há outras formas de expressão no sexo, em forma táctil, gestual, cheiro, sabor, suspiro, gemido, suor, saliva, imagens, sugestões, sussurros intraduzíveis em palavras ou sílabas sequer, já para não falar na magnífica asserção de Marguerite Duras: é preciso gritar no amor – enfim, referia-se a sexo, se é que há diferença, em certas acepções se assemelhando desambiguadamente
e agora o conteúdo: das relações de intimidade se diz que não há programa!
ora, das formas mais subtis e mesmo infantis de sensualidade à sexualidade mais explícita e suas fantasiosas ou mesmo forçadas derivações e parafilias, todo o ser vivo (praticamente, o que basta para a demonstração em efeito) está em permanente estado sexual, pessoal e comunitário, tal a instância estratégica com que as prodigiosas armadilhas da sobrevivência, adaptação, selecção e perpetuação das espécies (da vida, afinal, que as espécies cruzam-se e transmutam-se) apetrecham os indivíduos e os colectivos
mesmo os ciclos do cio e pousio compreendem actividade exacerbada e pausas fundamentais à reconstituição do aparato sexual dos indivíduos, incluindo a reordenação e reorganização sexual mas também a disciplina, protecção e preparação das fases seguintes, intra e inter cíclicas, inclusivamente ao nível da segurança das crias (os cuidados dos pinguins com o ovo, os milhares de km percorridos pelos progenitores, enfim…) e até a morte pode constituir a cédula habilitadora ao sexo paradisíaco que o respectivo titular adquire por martírio ou vida santa (sinónimos?) pelo que se pode afirmar que o alerta é instante, constante e permanente, mesmo para além disso se possível
aliás, a premência é tal que há sexo antes da completa formação dos órgãos sexuais (ninguém nasce totalmente dotado de imediato, apenas possui por norma a caderneta com a pré-programação para os cromos integradores do sistema sexual de cada indivíduo
e há que reconhecer como já comprovada a subsistência de sexo (e de amor, então…!) para além da fase activa do aparelho sexual (aqui já aceito a restrição à espécie humana – e que sei eu?) ou mesmo da sua degeneração, disfunção, perda, eliminação, transexuação (ena;-) ou swap, incluindo aqueles tais rentes dolorentos que mais não seja do susto, safa!
então não será à semana, ao dia, ao minuto, ao segundo sequer, mas passa-se eternamente, em directo e online durante cada spin do electrão (o fotão terá spin?) em torno de si próprio ou do átomo – e assim por cada micro-segundo-luz do circuito sanguíneo, muscular e nervoso, quando e onde o romance desponte !
agora cortar, cortar é que não é bom nem conceber… d’ont even think
só de pensar vai doer, ai vai !
Publicado por Teresa C. às maio 23, 2009 10:45 AM
Comentários
Dignissima Teresa
Cada vez mais, considero q o tempo q perde diàriamente na "manutenção" do seu bog, lhe deve proporcionar "um gozo sem fim"...
A sua caracteristica maneira de escrever e de transmitir as sua ideias, assim como o cuidado posto na escolha das imagens. me leva a pensar desta maneira...
Tive o prazer de a conhecer, há já uns anos, através de um "amigo" de longa data, e apesar de saber q não "nutria" por mim grande simpatia...
não posso ficar indiferente a este seu "trabalho"...
Parabens, e continue por favor...
Publicado por: O meu nome às maio 24, 2009 12:17 AM
O Meu Nome - não é gozo, não é trabalho, não nutro antipatias por quem não conheço. Considere apenas o que o SPNI é: possibilidade de divulgar pintura e reflectir, diariamente, por escrito.
Para quê inventar razões para atitudes alheias quando nem as nossas sabemos, vezes demais, explicar?
Obrigada pelo comentário.
Publicado por: Teresa C. às maio 24, 2009 10:43 AM
Quero acreditar que a Digníssima não se atreve a perder o seu precioso tempo a fazer a manutenção diária do seu bog.
Fosse isso, sentir-nos-íamos penalizados por contribuir, ocasionalmente, para essa irreparável perda ;-)
Também há quem acredite que nada se perde e que tudo vale a pena: valha-nos isso ;-)
Acontece que o SPNI evolui com o spin criativo da sua imaginação "eternamente, em directo e online".
Publicado por: zeka às maio 24, 2009 11:55 PM
Zeka - a digníssima, caríssimo, gere o tempo com mestria. Dispender tempo importante somente com o decisivo que as prioridades incluem.
Essa do SPNI e do spin, adorei!
Publicado por: Teresa C. às maio 28, 2009 11:02 AM