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maio 11, 2009

"FAZER SEXO", "FAZER AMOR"

Terry Rodgers immaculatereflection.jpg
Terry Rodgers

Dei cor à normalmente negra televisão. Rodrigo Guedes de Carvalho conduzia, mal, um debate. Sexo como tema. Aguentei duma hora, soube depois, um quarto. Amiga atenta a debates e telejornais tem, entre outros, o mérito de me informar da fracção útil que deles retira. Findo o repasto televisivo, veio a crítica globalmente severa. Além da fatuidade, sublinhou «peito» por mamas e «fazer sexo» por «estar em sexo». Parecendo-me equivalente a estar em trabalho ou em viagem, questionei-me e a quem o pensar da nossa língua vicia.

Fornicar, copular, foder são palavras do nosso léxico. Quem as rejeita dirá que estar em sociedade obriga a decoro no discurso. Prefere as expressões «fazer sexo» ou «fazer amor». A primeira realça uma função biológica e asséptica; a segunda atribui à cópula afecto como agrada aos herdeiros da tradição cristã. Essencialmente, distinções ociosas. Pelo herdado de antanho, preferimos delico-doçuras para exprimir o sabido.

No canto nono dos Lusíadas, é descrito paraíso à época muito semelhante ao recém-descoberto Brasil. Depois de alcançarem Calicute, Vénus premeia navegantes. A deusa industria as ninfas para se ocultarem, revelando-se, como faria qualquer competente patroa de uma casa de putas. (...)

CAFÉ DA MANHÃ
Teresa C.
Mauro Castro

Publicado por Teresa C. às maio 11, 2009 11:51 AM

Comentários

ainda não fui ler ao PNET, mas já doeu... ugh!
;->>>

Publicado por: António às maio 11, 2009 03:00 PM

Publicado por: zeka às maio 11, 2009 05:45 PM

António - leia e diga de sua justiça, please. Talvez o contexto não doa tanto asssim. ;)

Zeka - não consigo aceder à sua sugestão. Endereço errado?

Publicado por: Teresa C. às maio 12, 2009 11:32 AM

Servidor lento... acaba por abrir.

E é a propósito duma vida de "esbórnia" que terá ajudado Henry Allingham (nascido em Londres em 1896) a chegar aos 112!

Publicado por: zeka às maio 12, 2009 06:37 PM

Zeka - "Uma vez na Esbórnia, sempre na Esbórnia." E não é que existe?!...

Publicado por: Teresa C. às maio 13, 2009 10:14 AM

assim fiz, em comentário no PNET, onde está versão mais completa da crónica

aqui o repito por não ter sido ali editado

uma pequena e certeira história da sexualidade, eis o poder de mais esta
bela crónica

quanto ao sensaborão das expressões (fazer...? ter? sentir?) que resulta
sempre em prejuízo do bom gosto se delas tentamos apreender algum significado, certo
é que o redondo exigido pelo recorrente da linguagem (sim, comunicar é
tornar comum) deixa claro o sentido pretendido tanto quanto o ponto
insuficiente e indelicado a que se chegou quando é preciso falar assim

ou seja, no que toca à terminologia, em seu contexto há sempre cabimento a qualquer das expressões, mas dito (escrito? lido?) assim resulta de péssimo efeito, até à incomodidade

como os exemplos de futebol que ilustram tanto discurso, de nada servindo à
lógica formal mas cuidando-se vulgar o bastante para entendimento universal
ou, como tenho por certo, porque são pronto socorro de quem não sabe
exprimir-se correctamente, não é capaz de se aproximar do interlocutor ou
pura e disfarçadamente nada tem a dizer

assim vão em muito discurso e debate os chavões da sexualidade,
frequentemente transbordando além do dizível

e haverá palavras bastantes para exprimir a alteração facial ? dos olhos, o agudizar, o semi-cerrar, o fechar, o ranger, o revolver, o revolucionar, o lacrimejar, o rasar de água, o brilhozinho, o exorbitar, o tremelicar, o pestanejar, o piscar...; das narinas, o ruborescer, o endurecer, o alargar, o tremer, o fechar, o arfar...; e assim por diante, a cada órgão, a cada poro, a cada vaso sanguíneo!

mas quem falou em palavras? há outras formas de expressão no sexo, em forma táctil, gestual, cheiro, sabor, suspiro, gemido, suor, saliva, imagens, sugestões, sussurros intraduzíveis em palavras ou sílabas sequer, já para não falar na magnífica asserção de Marguerite Duras: é preciso gritar no amor – enfim, referia-se a sexo, se é que há diferença, em certas acepções se assemelhando desambiguadamente

e agora o conteúdo: das relações de intimidade se diz que não há programa!

ora, das formas mais subtis e mesmo infantis de sensualidade à sexualidade mais explícita e suas fantasiosas ou mesmo forçadas derivações e parafilias, todo o ser vivo (praticamente, o que basta para a demonstração em efeito) está em permanente estado sexual, pessoal e comunitário, tal a instância estratégica com que as prodigiosas armadilhas da sobrevivência, adaptação, selecção e perpetuação das espécies (da vida, afinal, que as espécies cruzam-se e trasmutam-se) apetrecham os indivíduos e os colectivos

mesmo os ciclos do cio e pousio compreendem actividade exacerbada e pausas fundamentais à reconstituição do aparato sexual dos indivíduos, incluindo a reordenação e reorganização sexual mas também a disciplina, protecção e preparação das fases seguintes, intra e inter cíclicas, inclusivamente ao nível da segurança das crias (os cuidados dos pinguins com o ovo, os milhares de km percorridos pelos progenitores, enfim…) e até a morte pode constituir a cédula habilitadora ao sexo paradisíaco que o respectivo titular adquire por martírio ou vida santa (sinónimos?) pelo que se pode afirmar que o alerta é instante, constante e permanente, mesmo para além disso se possível

aliás, a premência é tal que há sexo antes da completa formação dos órgãos sexuais (ninguém nasce totalmente dotado de imediato, apenas possui por norma a caderneta com a pré-programação para os cromos integradores do sistema sexual de cada indivíduo

e há que reconhecer como já comprovada a subsistência de sexo (e de amor, então…!) para além da fase activa do aparelho sexual (aqui já aceito a restrição à espécie humana – e que sei eu?) ou mesmo da sua degeneração, disfunção, perda, eliminação, transexuação (ena;-) ou swap, incluindo aqueles tais rentes dolorentos que mais não seja do susto, safa!

então não será à semana, ao dia, ao minuto, ao segundo sequer, mas passa-se eternamente, em directo e on line durante cada spin do electrão (o fotão terá spin?) em torno de si próprio ou do átomo – e assim por cada micro-segundo-luz do circuito sanguíneo, muscular e nervoso, quando e onde o romance desponte !!

agora cortar, cortar é que não é bom nem conceber… d’ont even think ;->>>

só de pensar vai doer, ai vai !!!

Publicado por: António às maio 17, 2009 11:34 PM

António - tenciono fazer post deste seu comentário. Tem alguma coisa contra? Please, me diga, vai...

Publicado por: Teresa C. às maio 18, 2009 01:49 PM

ok!

Publicado por: António às maio 19, 2009 08:44 AM

Se pudera, cobrir-te-ia de meita, safada!

Publicado por: Gulliver às junho 1, 2009 04:41 PM

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