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maio 31, 2009
TAPETE VOADOR

Vasnetsov
Flutuar por cima dos demais. Do alto ver o invisível para quem, no chão, está submetido a horizonte limitado. Pela distância, em altura, sendo impossível a temporal no instante em que a «coisa é», abranger os detalhes conjuntos que a integram. Voar num tapete e ir daqui para além quando o desconforto implora _ “Tirem-me deste lugar!” Quando o respeito devido aos outros desaconselha atitudes dramáticas, apropriadas nos palcos e no cinema. Por vezes, indispensáveis.
Muitos alimentam o mesmo sonho. Está garantido subir na vertical, com pressa e facilidade, sem utilizar «helis» ou aviões. Israel desenvolve um veículo voador. Como um helicóptero, despega-se do chão e voa a 250 Km/h, a cerca de 4 mil metros de altura. Objectivo: auxiliar resgastes e salvar pessoas num prédio em chamas. Na «rede», é possível encomendar um carro voador made in USA _ depositados cerca de cinquenta mil dólares, 5% do carro fica pago. Tem asas retrácteis e apenas exige carta de condução. Uma lambreta dos ares em forma de disco voador tem venda prevista a curto prazo. Galga o trânsito e o clássico “passa por cima!”, comum ao volante, tem, finalmente, significado.
Dos discos e das lambretas e dos carros voadores, está excluída a magia das “Mil e Uma Noites”. Alegra-se o sonho quando na "Physical Review of Letters" é lido: " O processo de flutuação do objecto é criado a partir de um movimento ondulatório que cria uma pressão contra uma superfície horizontal, como o chão, por exemplo. A pressão criada no vácuo entre o objecto e o chão equilibra o peso e o tapete flutua.” Acrescenta: “o objecto vibraria demais e o voo seria desconfortável.” A versão tapete/transporte público para dez pessoas pode, teoricamente, ser produzida com materiais ultra-leves.
Ficando por resolver as vibrações do tapete voador, adio o «tirem-me daqui! sem me mexer» para o mágico, mítico e virtual.
Publicado por Teresa C. às 12:53 PM | Comentários (0)
maio 30, 2009
SUBIR AO DESCER

Autor que não foi possível identificar
Sem pé no acelerador, sem marcha-atrás engrenada, numa subida de 100m o carro sobe para trás. Com maior facilidade do que descer em primeira. Lugar procurado por automobilistas curiosos que vão ao Bom Jesus de Braga. Num pequeno troço de estrada, os veículos sobem sozinhos, sem aceleração do motor. Qual a razão para um fenómeno que intriga as gentes? Ilusão óptica, milagre ou magnetismo?
Explicação: uma simples bússola que não se afasta do Norte prova a ilusão. Magnetismo excepcional e acto milagreiro estão fora de causa. A estrada que aparenta descer, afinal sobe ou está nivelada. A água que ao lado flui prova o mesmo _ parece subir, mas desce como lhe é natural pela obrigação gravítica. Estrada próxima, que desce com maior declive do que a misteriosa, é a responsável pela intriga. Nesta julgamos subir quando, de facto, descemos. A relatividade das percepções no seu melhor. Que a mais seja estendida, dos valores às atitudes.
No Bom Jesus, além da beleza circundante, rara só a excelência do horizonte e a do bacalhau temperado com azeite honesto.
Nota: http://tsf.sapo.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1222118
Publicado por Teresa C. às 09:17 PM | Comentários (3)
maio 29, 2009
INFELICIDADE CRÓNICA

Autor que não foi possível identificar
Dizem raros os momentos felizes. Acoitam desgraça própria dos mal-amados. Amam, sem querer, a desgraça continuada. Pôr cobro, não conseguem. Erva um dia cheirosa, mais tarde daninha. Como mau fado de bruxa indigesta ou perverso mapa astrológico do nascer. Em que não creio.
Construir felicidade e a alegria é arte. Não dispensa o cinzel que a esculpe dia-a-dia. A forma surge lenta, exuberante e lasciva. Fruir dela é tentação. Negá-la? Pecado “contra natura”.
Os infelizes crónicos são doentes. Desconfiam da felicidade e da alegria falada pelos outros. Próprias, julgam, de «contentinhos». De confundidos entre bem-estar e estar bem. Adiantam:
_ só o amor romântico merece penas, só isso me dá prazer. O resto? Menoridades que alienam, em tudo distintas de felicidade. Esta apenas possível na inequívoca comunhão do par apaixonado.
Duvido de tanta mágoa e dor causadas por amores. Se um afecto me entristece, me diminui o sorriso, não havendo razões de vida ou morte por detrás, que vá e não volte. Bilhete de ida. Regresso calendarizado para o aniversário de São Nunca.
Publicado por Teresa C. às 02:03 AM | Comentários (11)
maio 28, 2009
NÃO ME DEMITO… ATÉ VER!

Alex Rossart
Prefiro amores a ódios. Dos últimos, alojo poucos. Enumero-os: odeio pré-conceitos, atoardas, bufos, julgamentos no pelourinho que existe em cada um de nós, vendettas. Cegas, sempre. Ah!... E a estupidez ou a leviandade que assina de cruz os mencionados. Confrange-me a iliteracia dos registos gravados com ácido na pessoa metálica. Ligas pobres e metais como base da matriz pessoal: cobre, zinco ou latão. A tinta (polimento?, urbanidade?) sobreposta preserva o desancar no «ouvi dizer».
Demissões a pedido, rejeito. Serem públicos os cargos não modifica o meu parecer. Os próprios devem, no momento exacto, entender que estando em causa a dignidade pessoal e não dispondo de provas absolutas e contrárias a acusações, renunciar a um cargo é lei moral.
Surpreende-me que somente ontem Dias Loureiro, após as declarações de Oliveira e Costa, João Lobo Antunes e António Capucho, tenha decidido resignar de Conselheiro de Estado. Semelhante com Lopes da Mota no Colégio do Eurojust.
Não bastam protestos de inocência, seja na gestão da coisa pública ou privada. Que os factos sejam provados e alijadas suspeitas. Que o dignitário se coloque à disposição da justiça e da completa averiguação dos factos. Sem macular o ser que é, a função e o país.
Publicado por Teresa C. às 06:29 PM | Comentários (6)
maio 27, 2009
“M&M” & CILA & VIZINHOS

Jacek Yerka
A Cila chegou constipada. Contraditoriamente, luzia com novidade maior.
_ A «Doutorinha», na sexta-feira, viu o telejornal da TVI?
_ Nunca vejo, sabe. Mas adivinho que vai contar-me.
E contou da escandaleira entre dois truculentos: Marinho Pinto e Manuela Moura Guedes. M&M outro, menos útil que o real. Receitou-me, como remédio para a ignorância, visita ao Youtube. Na véspera, em casa da sobrinha dada às tecnologias, tinha repetido o relato. E lá digitei e vi e restei muda. Escandalizou-a não ter piado. Acrescentei:
_ Destes dois esperava coisa diferente (censurei cacofonia)?
_ Cantou-lhas todas. A boca de xarroco, cara de silicone e de cavalo mereceu. Vai escrever sobre isto, vai?
Está feito. Mais não adianto por falta de merecimento.
O achado na rádio foi o Dia Mundial dos Vizinhos. Quando paredes são fronteira de guetos sob telhado comum, num prédio dos subúrbios a chave pode ficar em casa que outra porta irá abrir.
Mudar de atitude no cúmulo de apartamentos onde a vida continua portas adentro é mudança sem tarecos embalados. Mensagem amigável para aqueles que partilham os mesmos elevadores, implementa a diferença. Esta foi a ouvida:
_ “Pensar positivo é arrancar o papel preto das paredes da vida. Pintá-las de sonho e alegria de viver. E porque paredes lembram casas, e casa, vizinhos, pintemos a vida de cada vizinho com um sorriso no rosto para que em conjunto possamos construir uma aguarela de partilha, inter-ajuda e bem-estar.”
Experimentar não custa. Plágio? Porque não?
Publicado por Teresa C. às 05:59 PM | Comentários (0)
maio 26, 2009
“À GOMES DE SÁ” EXPLOSIVO

Mel Ramos
“O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma. Confrontados com a ausência de tudo, os homens abstêm-se do sonho, desarmando-se do desejo de serem outros. Existe no nada essa ilusão de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as vozes.”
Segundo o Banco Mundial, pobre é quem recebe menos de um dólar por dia. À escala mundial, são milhões os abrangidos. Bomba explosiva. Evidente a violência deste modelo económico – é fábrica de pobres e desempregados.
A população do mundo cresce à razão de duas Franças por dia. A esperança de vida aumenta e as mulheres estão mais presentes no mercado de trabalho. As tecnologias diminuem a oferta de emprego enquanto a procura aumenta desmesuradamente. Numa fábrica, robôs montam um automóvel sem um único trabalhador. Como afirmou Almeida Santos, qualquer dia um cidadão come um saboroso “bacalhau à Gomes de Sá” sem mexer qualquer dedo para o picado ou ficar com cheiro a cebola e alho. Detalhe: feito no momento. Nada de securas calóricas retiradas das “montras-frigo” nos supermercados.
E se as benesses tecnológicas curam, limpam tempo e mãos, convém não liquefazer o entendimento dos custos sociais. Mudança de era tem como consequência instabilidade. Progredindo os conflitos no país e nos países, os instalados satisfeitos rosnarão:
_ Gente douda.
Pouca sorte! Loucos são eles.
Publicado por Teresa C. às 08:06 PM | Comentários (3)
maio 25, 2009
Sex + Texting = Sexting
MatThew Carlton
“Sexting” _ mensagens condimentadas com jargões sexuais, acompanhadas, quantas vezes, de imagens que exibem, nus, os remetentes. No todo, ou nas partes essenciais, supostas lume destinado à fervura da libido do receptor.
Novo ritual, inconsequente, de passagem da criança ao mundo adulto? Sim e não. O risco de cyberbullying é real. As imagens que a emoção transmite num rápido teclar, terminam disponíveis, com frequência, na internet. Exibida a privacidade e o momento e os corpos aos olhos do mundo. O reenvio das poses lúbricas para outrem e deste para mais é vulgar. Quem sabe caídas sob olhar pedófilo. Talvez o do pai ou da mãe, que os cérebros têm meandros negros, ocultos da família e da sociedade.(...)
Publicado por Teresa C. às 12:46 PM | Comentários (0)
maio 24, 2009
ORAÇÃO E PERPLEXIDADE
Sandra Kuck
"Dear God, this year please send clothes for all those poor ladies in Daddy's computer, Amen."
Alberto Vargas
“Ever since we started practicing for the honeymoon, you haven’t mencioned anything more about our getting married!...”
Publicado por Teresa C. às 10:24 AM | Comentários (5)
maio 23, 2009
“FAZER, SENTIR, TER SEXO”

Autor que não foi possível identificar
Reflexões belíssimas são publicadas neste blog na forma de comentários que agradeço. Alguns originam debates extremamente motivadores e noutros fundamento crónicas.
Hoje, destaco o comentário do António ao texto publicado no PNET Mulher, aqui transcrita parte no dia 11 de Maio:
"…quanto ao sensaborão das expressões (fazer...? ter? sentir?) que resulta sempre em prejuízo do bom gosto se delas tentamos apreender algum significado, certo é que o redondo exigido pelo recorrente da linguagem (sim, comunicar é tornar comum) deixa claro o sentido pretendido tanto quanto o ponto insuficiente e indelicado a que se chegou quando é preciso falar assim
ou seja, no que toca à terminologia, em seu contexto há sempre cabimento a qualquer das expressões, mas dito (escrito? lido?) assim resulta de péssimo efeito, até à incomodidade como os exemplos de futebol que ilustram tanto discurso, de nada servindo à lógica formal mas cuidando-se vulgar o bastante para entendimento universal
ou, como tenho por certo, porque são pronto socorro de quem não sabe
exprimir-se correctamente, não é capaz de se aproximar do interlocutor ou pura e disfarçadamente nada tem a dizer
assim vão em muito discurso e debate os chavões da sexualidade, frequentemente transbordando além do dizível
e haverá palavras bastantes para exprimir a alteração facial ? dos olhos, o agudizar, o semi-cerrar, o fechar, o ranger, o revolver, o revolucionar, o lacrimejar, o rasar de água, o brilhozinho, o exorbitar, o tremelicar, o pestanejar, o piscar...; das narinas, o ruborescer, o endurecer, o alargar, o tremer, o fechar, o arfar...; e assim por diante, a cada órgão, a cada poro, a cada vaso sanguíneo!
mas quem falou em palavras? há outras formas de expressão no sexo, em forma táctil, gestual, cheiro, sabor, suspiro, gemido, suor, saliva, imagens, sugestões, sussurros intraduzíveis em palavras ou sílabas sequer, já para não falar na magnífica asserção de Marguerite Duras: é preciso gritar no amor – enfim, referia-se a sexo, se é que há diferença, em certas acepções se assemelhando desambiguadamente
e agora o conteúdo: das relações de intimidade se diz que não há programa!
ora, das formas mais subtis e mesmo infantis de sensualidade à sexualidade mais explícita e suas fantasiosas ou mesmo forçadas derivações e parafilias, todo o ser vivo (praticamente, o que basta para a demonstração em efeito) está em permanente estado sexual, pessoal e comunitário, tal a instância estratégica com que as prodigiosas armadilhas da sobrevivência, adaptação, selecção e perpetuação das espécies (da vida, afinal, que as espécies cruzam-se e transmutam-se) apetrecham os indivíduos e os colectivos
mesmo os ciclos do cio e pousio compreendem actividade exacerbada e pausas fundamentais à reconstituição do aparato sexual dos indivíduos, incluindo a reordenação e reorganização sexual mas também a disciplina, protecção e preparação das fases seguintes, intra e inter cíclicas, inclusivamente ao nível da segurança das crias (os cuidados dos pinguins com o ovo, os milhares de km percorridos pelos progenitores, enfim…) e até a morte pode constituir a cédula habilitadora ao sexo paradisíaco que o respectivo titular adquire por martírio ou vida santa (sinónimos?) pelo que se pode afirmar que o alerta é instante, constante e permanente, mesmo para além disso se possível
aliás, a premência é tal que há sexo antes da completa formação dos órgãos sexuais (ninguém nasce totalmente dotado de imediato, apenas possui por norma a caderneta com a pré-programação para os cromos integradores do sistema sexual de cada indivíduo
e há que reconhecer como já comprovada a subsistência de sexo (e de amor, então…!) para além da fase activa do aparelho sexual (aqui já aceito a restrição à espécie humana – e que sei eu?) ou mesmo da sua degeneração, disfunção, perda, eliminação, transexuação (ena;-) ou swap, incluindo aqueles tais rentes dolorentos que mais não seja do susto, safa!
então não será à semana, ao dia, ao minuto, ao segundo sequer, mas passa-se eternamente, em directo e online durante cada spin do electrão (o fotão terá spin?) em torno de si próprio ou do átomo – e assim por cada micro-segundo-luz do circuito sanguíneo, muscular e nervoso, quando e onde o romance desponte !
agora cortar, cortar é que não é bom nem conceber… d’ont even think
só de pensar vai doer, ai vai !
Publicado por Teresa C. às 10:45 AM | Comentários (4)
maio 22, 2009
UM ÓBITO E UM (RE)NASCER
Por cada má notícia, uma boa. Indispensável: procurar o que de melhor a realidade serve e ver o copo meio cheio.
Morreu João Bénard da Costa, o actor Duarte de Almeida em filmes de Manoel de Oliveira e João César Monteiro. “O Passado e o Presente”, “Vã Glória de Mandar» e «Amor de Perdição» tiveram como realizador o primeiro e «Recordações da Casa Amarela» o segundo. Fica a memória do homem da cultura. Do actor que emprestava sainete aos raros desempenhos. Até ontem, director da Cinemateca.
O ânimo vem de Portugal ser, a nível tecnológico, o país mais competitivo do Sul da Europa. Uma universidade suíça foi autora do ranking. Ultrapassámos Espanha, Itália e Grécia. Na União Europeia, a prestação nacional é equivalente à da Suécia e da Alemanha. Razões: a qualificação dos serviços e dos respectivos trabalhadores, bem como os avanços tecnológicos assinados e/ou implementados em Portugal.
Se ontem voltaram protestos dos polícias à rua, se enchemos a boca com lamúrias e “mais ou menos”, se a débil estima por quem somos nos caracteriza, apetece dizer
_ Ponham os olhos nos espanhóis, senhores! Escondem as misérias privadas e vangloriam virtudes públicas. Hipócritas? Talvez forma outra de preservar a coesão nacional.
"O passado e o presente" (1971) de Manoel de Oliveira, filme onde João Bénard da Costa teve participação mais prolongada.
Publicado por Teresa C. às 09:52 PM | Comentários (5)
maio 21, 2009
BOMBO MARTELADO

Nguyen Dinh Dang
Nada pior que um educador que o não sabe ser. Pode ser mãe ou pai, professor, governo, autarca, deputado ou empresário. O exemplo pelo fazer é, de todas, a única lição eficaz. Verticalidade, bom senso, generosidade, tolerância atenta a valores supremos, verdade. Bens em falta nas famílias. Na professora de Espinho. Nos que gerem a pobreza comum. Atávica em Portugal. Herança, dizem. Mau fado de terra pobre em subsolos e do que deles soubemos e sabemos fazer. Pouco se por cá os trabalhamos. Muito pelos mesmos construído a favor de alheios fora do rectângulo extremo ocidental duma Europa tão em crise como outros continentes.
Da mentira, da falência do espírito ponderado que avalia situações e depois age, nada há a esperar salvo erros e inconsequências. A professora de Espinho é exemplo da ruína de alguns seres. Muitos. Demais. Ela vem ao caso pelo paradigma que constitui numa sociedade de umbigos e mau viver. Em quantas famílias prevalece o egoísmo parental? Nos que exercem poderes de Estado ou nas empresas ou nos meios pequenos? E se o mal dos outros não conforta, sublinhar, nesta questão, ausência de especificidade nacional convém. Patinar na correcção atravessa todos os povos.
A professora em causa conjugou abuso de poder, mau senso, infracção à ética profissional, mentira e chantagem. Uma entre tantos indivíduos que nos vários compartimentos profissionais fazem o mesmo. A malvadez de todo o caso está no silêncio que demasiadas atitudes indignas merecem, nomeadamente daquelas que, à sorrelfa, a gravaram nos telemóveis, e no bombo martelado que dela fez a comunicação nacional.
Publicado por Teresa C. às 08:46 PM | Comentários (6)
maio 20, 2009
ESTRUME E SIMILARES

Blake.Flynn
Na parte da ilha de Sua Majestade Isabel II, para o vulgo civilizada, quando se trata de exaurir o erário público os deputados têm descaro que deixa longe subdesenvolvidos de algures. Biliões de libras extorquidos pelos representantes do povo. Na forma de reembolsos da Câmara dos Comuns, foram pagos salários de governantas, despesas com limpeza de fossas próximas das casas de campo, jardinagem, estrume de cavalo, piscinas, alimentação dos pets, troca de lâmpadas, churrasqueiras e cortadores de relva. Conservadores e Trabalhistas empatados na corruptela.
Michael Martin, presidente da Câmara Baixa – o mesmo que a dos Comuns -, sancionou os desmandos. Calou e o povo pagou. Botada boca no trombone, a imprensa fez o esperado: propalou. Os ingleses que suportam, mal, a crise no bem-estar, como nós no remedeio penoso de chegar com bolsos vazos a meio do mês, indignaram-se. O referido Martin desempenha, há nove anos, cargo de relevo: é Presidente do Parlamento. Representa-o junto à família real e na Câmara dos Lordes (Câmara alta do Parlamento). Por decorrência, supervisiona e autoriza as despesas e verbas dos deputados. Está demissionário.
Deputados dos maiores partidos da Grã-Bretanha anunciaram que devolvem reembolsos indevidos. Por cá, é como diz a Dona Rosete na TSF _ Se faltar aos microfones três dias basta alegar dores na barriga para o meu chefe daqui aceitar, pagar e calar? Não! Pois… Mas para os deputados na Assembleia da República, chega!
Deo Gratias! Pela ausência, poupam-nos a subserviências ou quezílias menores. Antes isto que pagarmos aos eleitos o estrume dos jardins. Safa!...
Publicado por Teresa C. às 02:55 AM | Comentários (0)
maio 19, 2009
DEMO À BORLA

Amy Crehore
“Educação sexual, sim.” “Preservativos gratuitos nas escolas secundárias, não.” Por via deles, o demo atenta contra a virgindade pré-conjugal. Dissimuladamente, é o que afirmam as Igrejas Católica e Muçulmana portuguesas. “A Confederação das Associações de Pais considera um «tremendo disparate» a distribuição”. Argumenta que o acesso aos ditos exige lógica outra – até aos 14 anos o problema é da família; a partir dos 16 anos, os Centros de Saúde que resolvam problemas. Judeus e Testemunhas de Jeová nada opõem à medida.
Foi provado que nas 63 escolas secundárias envolvidas num estudo científico, 42 por cento dos jovens são sexualmente activos. No 12º ano, muitos mais. Fracção significativa das crianças inicia relações sexuais antes dos 15 anos. Vulneráveis, conquanto a Confederação das Associações de Pais diga a família eficiente na prevenção. É frequente a gravidez na adolescência. Infecções, também. Resumo: os preservativos não incentivam a promiscuidade ou a iniciação sexual - existe com ou sem eles -, mas ajudam a evitar consequências desastrosas, quantas vezes traumáticas ou fatais.
Que ensinem aos adolescentes sítios e funções dos órgãos sexuais, cuidados e ética. Mas preservativos à mão de semear entre aulas, no ir e vir para casa ou na noite que, aos fins-de-semana, reúne bandos de gente “sem pensar próprio”? Jamais! E os jovens ateus ou herdeiros da religião familiar que ainda não optaram tomá-la como sua? Pessoas menores que às decisões de alguns crentes devem subserviência? E como lidar com o corpo e a pressão exercida pelos órgãos de comunicação social, a internet sem censura que ocupa os adolescentes na presença e na ausência dos pais?
Quem educa pode muito. Não tudo. A sociedade intervém. O comum espírito de grupo na adolescência nada tem de despiciendo. Por serem diferentes personalidades e corpos, os pais estão obrigados, pelo exemplo e atenção, a constituírem referências que encaminhem quem geraram. Autoritarismo é atitude aquém do exercício da função religiosa ou paternal.
Publicado por Teresa C. às 06:25 PM | Comentários (12)
maio 18, 2009
A CIDADE DOS MARTINS
A D. Célia lastima a falta do estendal na janela vendida que lhe deixava a roupa seca pela conjugação do vento e sol. Desigual o cheiro dos turcos, cuecas e peúgas enxutos vidros adentro. Os filhos atafulham os quartos com vícios transitados. A sala é espaçosa. Chamam-lhe salão pelos metros quadrados a mais. Debruçados na varanda, olham a distante, cerca, linha de céu recortada pelas torres de Santo António dos Cavaleiros. Horizonte e tanto!
Num regresso do trabalho/sustento, olham o gradeado, surpresa, do vazio em frente. O outrora liso fica buraco imenso. Gruas, guindastes e trolhas afadigam construção. Quando meditaram a compra, pesou a garantia da igreja e do pavilhão gimnodesportivo na esquerda afastada do apartamento. Ocupação arquitectónica em superfície e altura a nível inferior do segundo andar.
_ Óptimo! Os miúdos empatam em desporto algum do tempo que lhes cola dedos às teclas ou dedicam a fumaças. (…)
Nota - aqui tive notícia da estranheza por comentários não surgirem online no PNET Mulher e Homem. Se o comentador se inscrever como membro, eles surgem, de imediato, sem necessitarem de aprovação pelo cronista.
Publicado por Teresa C. às 01:32 PM | Comentários (1)
maio 17, 2009
FALTA CARA E UM BRACINHO
Antes do texto diário, há que divulgar a inauguração da Exposição "De 1958 a 2009" do Pintor Silva Palmeira, pelas 17h, na Câmara Municipal de Alcanena.
Belíssima forma de terminar a tarde de Domingo.

João Cutileiro
«Falta cara e um bracinho» à estátua do Marquês em Vila Real de Santo António. «O cabelo parece uma esfregona». «É uma estatueta feia». Opiniões dos populares que acordaram, surpresos, para a escultura, oito metros de altura e outras tantas toneladas, prantada na Avenida da República. Alguém perguntou:
_ Então só tem caracóis? Onde está a cara?
_ Talvez num dia de vendaval os caracóis lhe destapem o rosto.
Malfeitoria ao Marquês que dizia a cidade tão bem situada que Espanha estava a um tiro de canhão?
Apetece reproduzir diálogo lido não sei onde (péssimo hábito de não registar fontes).
“Dona Luthgarda de Caires (a estátua) já vive à beira do Guadiana desde Setembro de 2005. Não se pode dizer que tenha sido um período feliz para ela, arcando sozinha com a responsabilidade de vigiar a longa via de comunicação da “vila” – a nossa Avenida da República. A sua única companhia fiel são os motoristas de táxis que têm o seu “espaço de atendimento” a poucos metros dela e os muitos turistas que se fazem fotografar, alguns mais atrevidos, apalpando-lhe despudoradamente as suas anafadas mamas de mármore branco.
Luth ficou radiante quando soube que o Marquês de Pombal vinha para junto dela, perpetuado numa escultura marmórea do conceituado escultor João Cutileiro e com a sua colocação inicialmente prevista para Estrada Norte (na zona da Barquinha). Ela nunca simpatizara muito com o Marquês, pelo que se dizia ter feito aos Távora, mas quis sossegar a sua inquietude pensando, que ao fim de tantos anos, talvez ele tivesse acalmado e deixado para traz o seu despótico feitio.
No entanto, depois de retirado o tapume que havia resguardado dos olhos indiscretos as obras de adaptação da fonte central, para receber condignamente o Marquês, ela via chegado o tão desejado momento com alguma apreensão, porquanto o Marquês ainda não se tinha dignado olhar para ela nem uma única vez.
_ Não sei o que ele terá metido na cabeça. Provavelmente julga-se mais do que eu!? É certo que foi o fundador da terra onde nasci e que foi “parido” por um escultor de prestígio, mas eu já aqui estou há muito tempo e além disso sou uma senhora!
Luth não via a hora que os intermináveis discursos acabassem e as individualidades civis, militares e religiosas, e o muito público que se havia concentrado junto da estátua para assistir à sua inauguração, se fossem embora, para poder usufruir de alguma intimidade com tão ilustre vizinho, que iria quebrar a sua longa solidão, repartindo com ela a beira-rio, durante todo o tempo que os “nossos” políticos quisessem.
Tinha tantas perguntas para lhe fazer. Quantas questões relativas à sua/nossa Terra.
“- Então senhor marquês, está satisfeito com o local escolhido para viver em Vila Real?
- Dona Luthgarda, não me trate por marquês, por favor. Trate-me por Batão.
- Nesse caso o Batão vai-me tratar por Luth, está bem?
- Combinado.
- Diga-me lá então: Está satisfeito com este local onde vai viver na “vila”?
- Estou. É uma boa solução, melhor do que olhar para o Esteiro da Carrasqueira, e põe fim a uma fonte, que, segundo me disseram, passava a maioria dos dias sem deitar água. Mas, respondendo à sua questão, preferia ficar virado para o rio.
- Também eu teria preferido. Mas, pelo menos assim, o Batão poderá acompanhar a evolução e o progresso da “vila” que fundou.
- A Luth disse bem: A evolução! A nossa “vila” está a ficar linda! Mas vossemecê já viu no que transformaram os “meus paços do concelho”? É indiscutível que o edifício necessitava urgente intervenção, mas o que resta do estilo que leva o meu nome? O tecto de zinco lembra-me as favelas cariocas, as janelas parecem as vigias de um oceanário, por onde pode aparecer a todo o momento um cardume de lulas das Malvinas, de trombeiros de Madagáscar, ou de xarrocos da Polinésia e as portas de aço inoxidável lembram as do Fed (Federal Reserve Bank of USA). Dizem-me que os seus Criadores se inspiraram no Centro Pompidou de Paris e no Museu Guggenheim de Bilbau.
- Caro Batão, eu também acho a solução horrível! E o relógio… que lhe parece?
- Do relógio nem quero falar. Olhe Lute, quando eu vivia no Terreiro do Paço, recebi uma vez um embaixador de Castela e a propósito de uma decisão que o monarca castelhano havia tomado, com a qual o embaixador não concordava, este usou uma expressão que nunca mais esqueci e que se adapta bem a esta obra: Es una chapuza!
- Oh Batão, há uma coisa que me intriga e como a mim, a muitos cidadãos e talvez vossemecê me saiba responder: A partir de hoje e perante este conceito contemporâneo do “estilo pombalino”, um cidadão poderá ser impedido de remodelar um seu imóvel, até aqui “espartilhado” pelos intransigentes e fundamentalistas defensores do estilo pombalino genuíno?
- Não sei responder-lhe. Haverá que auscultar a SRU. Mas falemos de coisas mais alegres. Vamos beber um copo a qualquer lado?
- Com muito prazer. Vai-me fazer bem, depois de estar tantos anos sem sair daqui.
E com ar coquete, perguntou ao marquês:
- O Batão reparou que estou com traje de soiré?
- Então não repararei. E digo-lhe mais, fá-la muito mais esbelta.
- Que galante, marquês! Perdão! Batão!
E encostando o leque à face num gesto sensual e intrigante, estendeu a mão ao marquês, sussurrando-lhe:
- Vamos Batão?!
Radiante de felicidade e com um suspiro que lhe saiu do fundo do alvo mármore estremocense, o marquês disse:
- Vamos Luth. A noite é nossa”
Publicado por Teresa C. às 01:38 AM | Comentários (5)
maio 16, 2009
QUE AS MOSCAS ABANEM ASAS NOS COSTUMES

“Morpheus and Iris” by Pierre-Narcisse Guerin
Segunda, é Dia Internacional dos Museus. Maltratados alguns (muitos?), há anos sofreram cortes orçamentais e desde então (sobre)vivem com dificuldades. Funcionaram com horários reduzidos pela insuficiência de funcionários. Parece que o pior da má era é passado.
Animam-se museus e palácios desde hoje até dia 18. Em muitos, ingressos gratuitos a partir das 18h00 e portas abertas até à meia-noite de sábado. Actividades lúdicas e culturais recebem os visitantes. Tentam seduzir quem não tem por hábito frequentar espaços que muitos têm como intimidatórios ou aborrecidos. Tempo para todos elevarem a estima pelo património comum.
A pequenada e os jovens são brindados com iniciativas pouco usuais. Em Lisboa, a oferta é variada. Festival de máscaras no Museu da Etnologia, às 16:30h. Oficinas de pintura do Museu Nacional do Azulejo, ao longo do dia. Espectáculo pedagógico “Musitrix” no Museu Nacional do Teatro às 10:30h. Observação das estrelas no Museu da Água. Desfile de moda promovido pelo Museu de Arte Antiga em parceria com as Manobras de Maio, junto ao edifício do museu. “Charlie The BluesCats”, concerto de blues no Museu da Música, pelas 22:00h.
O resto do País não fica atrás. Roteiro juvenil sobre o Museu da Guarda, às 15h. Pinturas faciais inspiradas nas figuras do Museu da Cerâmica, nas Caldas da Rainha às 14:30. “Caça ao tesouro” no Museu da Terra de Miranda, em Miranda do Douro, e no Museu Soares dos Reis, no Porto. “Contemporâneos de Mozart”, espectáculo setecentista a cargo do Ensemble do Museu dos Biscaínhos, em Braga às 21:30h. Em Coimbra, reportagem fotográfica no Museu Nacional de Machado de Castro, às 16:00h. “Canto e Drama” e recital do Grupo do Conservatório de Música de Coimbra, no Museu Monográfico de Conimbriga, às 21:30h junto às ruínas de Conimbriga.
Hoje à noite, que as moscas abanem as asas nos sítios do costume. Mais e melhor há para frequentar.
Publicado por Teresa C. às 10:46 AM | Comentários (5)
maio 15, 2009
GOZAR A VIOLAÇÃO

Alain Aslan
_ “Já passámos por dois quilos da crise.”
_ “Estamos no começo da segunda parte da crise.”
_ “O pior ainda está para vir.”
Frases proféticas numa conversa sobre economia que reuniu macro saberes internacionais. Um deles, Nobel. E mulher, que nada perceba de números económicos e financeiros, dá por si contentinha ao ouvir que a inflação é negativa pelo segundo mês consecutivo em Portugal. Diminuídos os preços do peixe, carne e leite. Ligeiramente aumentado o do pão. Bens essenciais que sustentam o povo. Deflação? Vista curta exclamaria:
_ Pela poupança, bem-vinda!
A Playboy arrefece - milhões de euros em prejuízos. E quando ver mulheres em pelota não aquece ânimos para comprarem fonte estética e de prazeres solitários, a coisa dita «crise» é muito feia. Pior do que parece. Despir intimidades não rende, as reformas estão em falência, os preços descem a índice negativo. Às vítimas de sempre, gozar a queda parece solução. Lembra conselho antigo de obstetra bem-humorada:
_ Se fores violada não te mexas - sais ferida e amolgada. Tenta gozar a violação.
Publicado por Teresa C. às 11:13 AM | Comentários (12)
maio 14, 2009
COISA AQUELA

Milo Manara
«Meia foda», ouviu. Por não ser mulher de ficar sem entender, quis saber o que era coisa aquela.
_ Nem é, nem deixa de ser.
_ Como assim? Ou é, ou pela metade é à mesma. Menor, aceito.
_ Palpar e ver. Ela não quis mais.
Remoeu o porquê. Deles e delas, é ouvido semelhante. Diferente o durante e o balanço. Elas não fornicaram, eles tiveram o assim-asssim. Para a mulher, copular é penetração. Para o homem derrame fluido, haja ou não entrar e sair, vaivém que no mesmo culmine.
Em que ponto da espiral genética, ou em que meandro cerebral se alojará a discordante leitura que do mesmo faz um homem e uma mulher? Construções da civilização? Registos biológicos distintos no feminino e masculino? Para o homem basta o despejo que mulher receba no rosto ou na pele?
Porque a vida é múltipla e o (des)entendimento no discurso entre os géneros não é restrito ao sexual, interpelam os códigos que entopem a harmonia. Alguns dizem-nos prolixas, julgam-nos frágeis aos violinos, porque românticas, quando o fito é estritamente cartesiano – vazarem órgãos. Constatam, desiludidos, as inúmeras fêmeas que, neste particular, ombreiam com eles. E porquê? Por não abdicarem da lança que, desde sempre, os fez caçadores? Por buscarem reforço da estima quando em baixa? E se a mulher usar arma semelhante no sustento interior? Galdéria ou frívola? Nem um pouco! Pessoa que sabe ler os sinais enviados pelos tempos e se adapta. Cresce. Que distingue desejo de amor. Como alguns homens. Como deve ser. Adestrados uns e outros para a contemporaneidade. No melhor e no pior.
Publicado por Teresa C. às 03:55 PM | Comentários (12)
maio 13, 2009
ALÉM DO TEMPLO DE SALOMÃO

Alex Levin
Crimes de guerra e contra a humanidade na Faixa de Gaza. Perpetradores: militantes palestinos e militares israelitas. Deles, os mandantes com culpas associadas. “No lado palestiniano foram mortas 1400 pessoas, das quais 300 eram crianças e cerca de 100 mulheres. Do lado israelita, morreram quatro civis e 180 ficaram feridos.”
A Liga Árabe pediu investigação internacional por uma comissão de peritos. Declararam israelitas suspeitos de genocídio e foi recomendada a investigação dos crimes pelas Nações Unidas. Não há ressurreição para as vítimas, mas importa que a justiça internacional faça valer o direito à vida e à dignidade.
Coincidem as conclusões da comissão de peritos com a visita de Bento XVI a Israel e à Palestina. Na estreia do Papa na Mesquita da Rocha, um dos lugares santos do Islão, o Grande Mufti de Jerusalém solicitou permissão dos palestinos, cristãos e muçulmanos orarem na Esplanada das Mesquitas e no Santo Sepulcro.
Que o recolhimento do Sumo Pontífice no último vestígio do Segundo Templo de Salomão lhe ilumine a necessidade de conciliar activamente diplomacia com direitos humanos.
Publicado por Teresa C. às 10:48 AM | Comentários (6)
maio 12, 2009
A VISTA AZUL DO INFORTÚNIO
Andrew Skilleter
Homenagear um amigo morto. Podia ter sido atitude comum. Não foi. No Bairro da Bela Vista, dentro dele o Bairro Azul, um facto inofensivo gera convulsões. Pelas piores razões semelhante a outros onde a exclusão social é quotidiano. A morte do jovem, sequente à perseguição da GNR após assalto a uma caixa multibanco, ferveu o sangue dos amigos e foi pretexto de rebelião. A polícia, armada até ao cimo dos agentes, interveio. Os desacatos têm diminuído em número e consequências. A PSP garante para breve o regresso da tranquilidade e da paz ao cenário guerrilheiro.
O Bairro da Bela Vista, em Setúbal, tem história comprida de marginalidade e violência - furtos e conflitualidade entre vizinhos, tráfico de droga, de armas, assaltos. Um agente fardado é alvo apetecível para atiradores encobertos pelas cortinas de uma janela. O controlo do lugar pertence a ex-presidiários e a bandos de jovens desocupados que o exercício violento e fácil do poder aliciou.
No início dos oitenta, o bairro alojou famílias com índice superior a quatro pessoas por habitação. Africanos, refugiados das ex-colónias, residentes de barracas, ciganos, foram os primeiros ocupantes dos dez mil fogos. Caldo em constante ebulição. O desemprego e a fome explicam que sejam invadidas instalações de algumas associações locais. Não bastava a miséria social, os habitantes são discriminados quando procuram emprego ou assomam a uma repartição pública. Argumentos para os excluir: a morada e a cor de pele.
A tristeza é corda ao pescoço que impede a respiração livre das gentes do bairro. Nem o milhão de subsídios de inserção apaga a realidade de 30% de desempregados e de metade da população viver no limiar da pobreza. Não há polícia bastante para infortúnio tamanho.
Publicado por Teresa C. às 08:51 AM | Comentários (4)
maio 11, 2009
"FAZER SEXO", "FAZER AMOR"

Terry Rodgers
Fornicar, copular, foder são palavras do nosso léxico. Quem as rejeita dirá que estar em sociedade obriga a decoro no discurso. Prefere as expressões «fazer sexo» ou «fazer amor». A primeira realça uma função biológica e asséptica; a segunda atribui à cópula afecto como agrada aos herdeiros da tradição cristã. Essencialmente, distinções ociosas. Pelo herdado de antanho, preferimos delico-doçuras para exprimir o sabido.
No canto nono dos Lusíadas, é descrito paraíso à época muito semelhante ao recém-descoberto Brasil. Depois de alcançarem Calicute, Vénus premeia navegantes. A deusa industria as ninfas para se ocultarem, revelando-se, como faria qualquer competente patroa de uma casa de putas. (...)
Publicado por Teresa C. às 11:51 AM | Comentários (9)
maio 10, 2009
SEM “MÁQUINA DO MUNDO”

Isabelle Plante
Não tenho a sorte de Vasco da Gama ao ser-lhe concedida a visão da “Máquina do Mundo”. O encontro do mito e do histórico onde deuses e homens contracenaram é poema épico. Deslumbre. Porém, compreender o Universo é ainda, no presente, aproximação.
Há curtos meses, por aqui deixei pegada de sofrimento. Menina-mulher com vinte e um anos desde aí vegetou em coma profundo. Acidente de viação, causa. Estúpido como todos que diariamente arrebatam vítimas. A quarenta à hora, faltou apertar o cinto de segurança. Mal tinha começado a viagem de regresso num início de manhã pós-Carnaval. Rezei, tive no coração a dor da mãe Amiga. A Mariana vai hoje a enterrar.
Talvez o Conhecimento, saber o como e porquê da “Máquina do Mundo” tornasse inteligível a precariedade. E medito e transcrevo:
Vês aqui a grande Máquina do Mundo,
etérea e elemental, que fabricada
assim foi do Saber, alto e profundo,
que é sem princípio e meta limitada.
Quem cerca em derredor este rotundo
globo e sua superfície tão limada,
é Deus: mas o que é Deus ninguém o entende,
que a tanto o engenho humano não se estende.
Canto X, estância 80, Lusíadas
Drummond de Andrade tinha a máquina por reservada, parca em som e brilho. Ele um espectador cansado de procurar o transcendente. Pupilas desesperançadas perante a tranquilidade revelada. Só na dor, na aridez que a vida tem.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto dos mistérios, nos abismos.
(Ibidem, p. 300), Carlos Drummond de Andrade
Publicado por Teresa C. às 11:11 AM | Comentários (7)
maio 09, 2009
O FALO DE AÇO

Autor que não foi possível identificar
Tudo começou por uma lenda. Séculos atrás, na cidade japonesa de Kawasaki demónio houve que se escondeu na vagina de uma donzela. Perverso e com dentes afilados castrou dois homens na noite de núpcias. A virgem devia ser apetecível por mais se candidatarem ao lugar de vítimas. Justiceiro ou cobiçoso, o ferreiro puxou da bigorna e construiu um falo em aço. Na investida, quebrou os dentes ao demónio. Não é contado se o demo saiu da gruta guinchando de dor ou se definhou por falta de alimento.
Desde há 150 anos que os monges do templo local perpetuam a história do seu deus que garante fertilidade e harmonia aos casais. Seja pelo bom desempenho divino, ou pela oportunidade, já conta quarenta anos o Festival do Falo de Aço. Os órgãos sexuais feminino e masculino, símbolos do templo, dão forma e cor a doces, lembranças, postais, esculturas. Dois pénis XXL vagueiam pelas ruas em andores, habitantes e turistas atrás, rezando os primeiros, divertidos os segundos. É ensinado a esculpir ícones das partes pudendas a partir de anónimos tubérculos como nabos e cenouras. Quem não sabe aprende. Depois, regressa a casa disposto a acrescer fertilidade aos pitéus e saladas.
Publicado por Teresa C. às 09:38 AM | Comentários (0)
maio 08, 2009
QUEM TEM HORTAS…

Mati Klarwein
Quem tem hortas chama-lhes suas. Complementam, por via dos frutos da terra, a míngua do salário, a véspera do desemprego ou o desemprego chegado. No Norte e Centro, ainda existem. Ao Sul, o sequeiro toma conta das herdades. Quem quiser batatas e couves a preceito que rume para cima. Planta ou semeia grão-de-bico, favas e feijão, alfaces e tomateiros. Colhe o feijão verde e faz belíssimas sopas com mistura da abóbora que em Agosto irá medrar. O feijão maduro, «bagudo» nas Beiras, sai das vagens para lá do meio do estio. Por esse tempo, no Alentejo, a sopa de vagens de feijão preto delicia-me. A Mariana é exímia. Quantas saudades desta e da outra de beldroegas e queijo digerida em Évora ou em Vale de Lobo quando era de praia a época!...
Quem vive nas urbes litorais, aguenta, como pode, os porta-moedas vazados. Não planta, não semeia, não colhe. Arrebanhando nesgas de terra cujos donos são incógnitos, a agricultura de subsistência engana faltas. Mas se o BPP falir, se os ócios compulsivos progredirem pelas falências sucessivas, que resta às famílias desenganadas do cumprimento mensal do ordenado? Roer côdeas? Encolherem os ombros curvados pela subjugação costumada?
Hortas e hortos, que não o das oliveiras, só para alguns que no interior não esqueceram práticas ancestrais. A miséria, batendo, escolhe portas costumadas.
Publicado por Teresa C. às 10:57 PM | Comentários (7)
maio 07, 2009
RECEBIDOS E ACHADOS

Autor que não foi possível identificar
Recebi e subscrevo. Solidariedade é precisa. Liberdade é fundamental.
“(…) Não sou pessoa de militâncias, como sabem. Mas está em causa um direito fundamental: o de permitir a igualdade no acesso ao casamento civil a pessoas do mesmo sexo. Gostaria, por isso, que lessem o breve texto em anexo. E, se estiverem de acordo, que o subscrevam. Como diz a notícia do Público abaixo, trata-se de criar “uma frente alargada de personalidades da sociedade civil”.
PÚBLICO, hoje: «Várias associações de defesa dos direitos dos homossexuais reuniram-se num movimento pela igualdade no acesso ao casamento civil e apresentam até ao Verão um documento em que apelam aos portugueses a que ponham fim à discriminação. Aberto para subscrição pública, o texto defende o acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo em iguais condições que os de sexo diferente. O movimento pretende criar “uma frente alargada de personalidades da sociedade civil” favorável à consagração deste direito e aumentar a consciencialização da opinião pública.»”
Nota - http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1378687&idCanal=12

Rafal Olbinski
Mais uma nódoa na honra portuguesa da qual soube por e-mail que transcrevo.
“O Governo Português anunciou que irá encerrar o Consulado Geral de Portugal em Sevilha. Esse encerramento implica a perda de um Edifício Histórico Português, que foi construído para albergar o Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Sevilha de 1929 e cuja propriedade será devolvida ao Ayuntamiento de Sevilha.
Este Edifício Histórico está localizado no centro da cidade de Sevilha, ao lado do Hotel Alfonso XIII, um dos melhores de Espanha e é cobiçado por grandes interesses espanhóis e internacionais. Nós que o temos na mão, por direito, decidimos abandoná-lo.
Será que o Governo entende que temos demasiadas referências culturais portuguesas em Espanha?
Será que, decididamente, preferimos acabar com todos os símbolos nacionais? Como este que a Espanha nos cedeu gratuitamente há quase um século, no centro de uma das suas mais importantes e bonitas cidades?
Um Consulado não se mede só pelos serviços que presta. Conta por ser uma presença de um País numa cidade amiga. Uma cidade onde trabalham Portugueses, onde estudam Portugueses, onde se ensina o Português a centenas de estudantes espanhóis. Uma cidade Amiga. Por isso e por estar num Edifício Histórico Português, pode ser também uma Referência da Cultura Portuguesa, a melhor Marca de Portugal. Em Espanha.
Todo o Português que vai a Sevilha se orgulha de ver o seu País, a sua Imagem, o seu Símbolo no centro da Cidade-Monumento.
O Governo Português vai acabar com ele. E sem ganhar nada com isso. Provavelmente veremos em breve no seu interior uma delegação do "Gungenheim" ou do "Rainha Sofia". É que os Espanhóis tratam bem o que têm.
Denuncie esta situação aos seus amigos. E se conhecer o Presidente da República, ou o Primeiro-Ministro envie-lhes também. Para que não digam que o Povo não os avisou. Não envie é para Amigos Espanhóis. Por vergonha.
Grupo Promotor do Círculo de Portugal em Sevilha”
Nota – imagens aqui: http://csdnetworkpt.ning.com/forum/topics/um-simbolo-de-portugal-em
Publicado por Teresa C. às 09:08 PM | Comentários (1)
maio 06, 2009
AO DIACHO COM ELES!

Steve Rosendale
Perorar sobre as cuspidelas no Vital Moreira é fácil. Sobre a Gripe A, antes mexicana, antes suína, também. Igualmente sobre o bate-boca do conselheiro de estado Dias Loureiro com os deputados na comissão parlamentar que digere o escândalo BPN. Por me lembrar do senhor licenciado, em calções, pintando os ferros da varanda paterna em Coimbra, enquanto virava o olho para o futebol transmitido na televisão que não tinha, abstenho-me de comentar.
Difícil mesmo é entender a razão de dois terços das mulheres portuguesas trazerem, nas ruas, um saco na mão. Mala a tiracolo, o bendito saco tem escrito “Joaninha” ou “Camisaria Simão” ou “Rosette Boutique” ou parangona semelhante. E atravessam as passadeiras desequilibradas com os pertences que penduram no lado direito. Que levarão nos sacos, valha-as Deus? Carrego que a mala não comporta, é certo. Porque insistimos todas em transportar possibilidades várias a que é suposto _ assim o pensamos _ assistirmos? E se não tivermos a lima para compor a unha lascada? E se faltarem os comprimidos para a enxaqueca séria? E se a um dos telemóveis faltar a bateria ou quinar sem aviso? E a precisão do guarda-chuva estando incerto o tempo? E, e, e, e…
Por tudo as mulheres portuguesas entortam a coluna e os sacos (in)úteis que balançam ao caminharem. Benza-as Deus! Que o senso nos ilumine! Que o diacho carregue o que levamos no lado direito!
Publicado por Teresa C. às 07:50 PM | Comentários (7)
maio 05, 2009
POBREZA VERSUS PELINTRICE

Autor que não foi possível identificar
Os pobres deste mundo lutam pelo dia-a-dia. Conformam-se. Sonham como cumpre à pessoa, conscientes de que somente «bambúrrio» os retiraria da má sorte. Herança, quantas vezes!, dos ancestrais. Até aos setentas portugueses, quase sempre assim. Filho de operário era operário, filho de artesão perpetuava a arte, filho de «doutor» ia para a Universidade. Para os pobres com horizontes maiores existiam seminários para os rapazes, para as mulheres o casar bem. Histórias diferentes há para contar sem desmentirem a regra _ a recorrente excepção confirma normas e pré-conceitos.
Pelintrice é diferente de pobreza. Os pelintras vão além do poder ter asisado. Sonham e iludem-se. Simulam «estares» copiando o possível dos falsos ícones que enfeitam revistas. Têm-se por injustiçados do fatum. Nascidos do caos. Vítimas de oráculos que odeiam. O oposto de Ricardo Reis, epicurista heróico, lúcido e tranquilo quanto à precariedade do ser e haver. Escreveu:
“Como acima dos deuses o Destino
É calmo e inexorável,
Acima de nós-mesmos construamos
Um fado voluntário.”
Julgo-me pelintra. Também sonho e me iludo e vou além do sensato na gestão do desejar. Fosse cartesiana e do haver quisesse mais, exclamaria _ Vade retro Satana! Resistiria estoicamente a tentações de viagens, livros, a espectáculos e prazeres do palato além do tino ensinado _ obter, sim, com poupança farta assegurada. Mas como resistir às ostras e ao champanhe do brunch dominical em lugar virado ao rio? Aos verdes ancestrais pousados em troncos múltiplos à mão que não semeia mas colhe bem-estar? Satisfações ocasionais que acrescem alegria à mulher.
Publicado por Teresa C. às 06:10 PM | Comentários (0)
maio 04, 2009
BARACK LIMPA PORTUGAL

Jim Warren
O povo precisa de heróis. De Messias já não descendentes do Rei David, mas que também consolidem nações, restaurem ideais e tragam paz. Tarefa além da força de Hércules. Ainda assim, congregando idêntica soma de mitologia e iconografia. Isto entendeu quem conduziu a campanha profética do homem/mundo novo.
Neste ano de eleições triplas, os partidos repensam e copiam estratégias que orientem procissões até ao altar do voto. Fora de moda os circos/comícios. Para debates televisivos entre candidatos e comentadores encartados não há paciência. Quem liga ainda a sacos de plástico, bonés e esferográficas com o logotipo partidário estampado? Salvo a garotada que tudo apanha na rede das borlas, os cidadãos exigem mais.(...)
Nota: A propósito, recomendo a visita a http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1219447&seccao=Pau. Um amável comentador sugeriu. Aprovei e aplaudi.
Publicado por Teresa C. às 10:45 AM | Comentários (0)
maio 03, 2009
A ALMA DA TELA, A ALMA DO BAIRRO

Elvgreen
“A Tela da Alma, a Alma da Tela”, foi tema para o segundo encontro da tertúlia baptizada Sabarbian. A 20 de Junho, que o apetite diga onde, a segunda sessão - a inaugural somente conta para os anais da história de um percurso por fazer. A primeira da hierarquia, trouxe pensares e rostos novos. Ao todo, três homens e quatro mulheres. Quota feminina acima da média dos poderes constituídos. Em Junho, véspera do solstício de Verão, mais um homem acrescentará a curva aberta.
A “Alma da Tela” pode ser alma de um bairro. Também cores e pegadas e rostos pincelados fazendo obra que mais e mais retoques espera. Da tela acabada distinta pela renovação e acrescentos contínuos. E é arte o nascer do espírito de bairro. De lhe saber os dias da semana sem recorrer ao calendário. Pela novidade sem tréguas da obra em construção, ficar surpreso o olhar.
Nos dias oficiosos do lazer, o bairro está na rua. Faz desporto nos parques onde respira a manta urbana. Etnias e estatutos sociais aprazivelmente misturados. Nos relvados, encarapinham-se os pés em possibilidade de golo. Deslizam bicicletas e patins. Sombras reservam assento para leitura, escrita, cavaqueiras e incentivos aos golos que quase foram. Negros e brancos, ciganos e elites convencionais assemelhados pela fruição do que a todos pertence. E é mais bonito o estar. Num recanto, há o «você», noutro o «tu» com ou sem sotaque. Integrar. Ostracizar, não. A cinco minutos do Campo Grande, em vez de guetos, gentes. A alma do bairro é alma de tela.
Publicado por Teresa C. às 09:27 PM | Comentários (0)
maio 02, 2009
DAS TABERNAS E PELAS TABERNAS

David R. Darrow
Queima a “Queima” em Coimbra. Pastas com fitas e “grelos” sobem no ar. Com branco, tinto e espuma loira são cheios copos de ilusões. Taberna acima, taberna abaixo, ou não fosse irregular a topografia da cidade, embriagam-se com alegria volátil os (en)cobertos por capas negras. Outros, tão de sempre como eles, não prescindem dos pipis, das moelas, febras e sopa. Petiscos caseiros onde pontificam jaquinzinhos, sardinhas de escabeche, orelha e dobrada. A fome ou a gula satisfeita por magra quantia. Tertúlias, rituais de encontros predominantemente masculinos, sobem da rua Direita. Putas desencantadas emolduram, ali, a entrada das tabernas ou das tascas, diferentes na origem e tradição. Umas e outras. Copos, comida e sexo prontos a servir no “Casbá” coimbrão.
Para cima de 200 mil pessoas rumam à cidade para babar e folgar com os que lhes são queridos. Irão reter instantes, depois emoldurados com orgulho. Para muitos, a concretização de sonho familiar: pendurar na árvore genealógica um «doutor». Na “Queima”, não é pensado amanhã desempregado, o insucesso profissional, a míngua de proventos. Mas porque a festa e a gentiaga e as deslocações deixam pegada de carbono, por estes dias, a queima de energia fóssil produz toneladas de CO2. Propósito benfeitor dos estudantes: compensar o ambiente com plantio de milhares de árvores. Nem tudo se esvai na espuma, no branco ou tinto.
Publicado por Teresa C. às 04:22 PM | Comentários (0)
maio 01, 2009
DANÇAR O TANGO

Mark Keller
Na mítica Argentina, para mim que a sonho, um homem com oitenta e seis anos dança o tango diariamente. Dança tudo, da valsa ao foxtrot, respeitando o rigor. Pega na mão dos turistas ou nativos que pelas ruas de Buenos Aires, na rua do El Caminito, no bairro de La Boca, peregrinam. E nos requebros do corpo não tem idade por serem jovens as utopias e ilusões.
Em Portugal, homem de oitenta e cinco anos, gorda fatia deles passados na construção civil, concluiu, anteontem, o 12º ano. Vida dura que o vergastou durante ciclos e ciclos da Terra. No “Novas Oportunidades”, encontrou meio de voltar à escola e satisfazer gosto antigo: estudar. Pesca, gosta de barcos, é poeta popular, com as mãos pinta e obtém esculturas artesanais.
Homens e mulheres há que não desistem de vidas inteiras e mantêm viço no olhar. No dia que o início de Maio dedica ao trabalhador, por estes e outros exemplos, é de manter aceso o sonho. Porque o trabalho escasseia e o desemprego vitima milhões pelos aléns do mundo incluindo o aqui, que nunca seja tarde para lutar por começos e fins maiores.
Publicado por Teresa C. às 03:34 PM | Comentários (3)


