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maio 29, 2009

INFELICIDADE CRÓNICA

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Autor que não foi possível identificar

Dizem raros os momentos felizes. Acoitam desgraça própria dos mal-amados. Amam, sem querer, a desgraça continuada. Pôr cobro, não conseguem. Erva um dia cheirosa, mais tarde daninha. Como mau fado de bruxa indigesta ou perverso mapa astrológico do nascer. Em que não creio.

Construir felicidade e a alegria é arte. Não dispensa o cinzel que a esculpe dia-a-dia. A forma surge lenta, exuberante e lasciva. Fruir dela é tentação. Negá-la? Pecado “contra natura”.

Os infelizes crónicos são doentes. Desconfiam da felicidade e da alegria falada pelos outros. Próprias, julgam, de «contentinhos». De confundidos entre bem-estar e estar bem. Adiantam:
_ só o amor romântico merece penas, só isso me dá prazer. O resto? Menoridades que alienam, em tudo distintas de felicidade. Esta apenas possível na inequívoca comunhão do par apaixonado.

Duvido de tanta mágoa e dor causadas por amores. Se um afecto me entristece, me diminui o sorriso, não havendo razões de vida ou morte por detrás, que vá e não volte. Bilhete de ida. Regresso calendarizado para o aniversário de São Nunca.

CAFÉ DA MANHÃ
Vera Mar
Carlos Amaral Dias

Publicado por Teresa C. às maio 29, 2009 02:03 AM

Comentários

é bom dizer, é ...

mas dói a fartar, esse dito par mágoas/afectos ...

pois claro que às vezes transmuta-se em amores/fulgores/dores, nem sempre equilateralizando a equação

pois se a ilusão é real enquanto dura, a verdade é que a sua projecção ao infinito oferece e esconde sucessivos círculos excêntricos, habitados pela exaltação das sensações, pelo êxtase (ou quase) das emoções, por autênticos momentos de revelação, transcedência e fé, instantes que perduram nos corações mesmo se a mente os procura esquecer, substituir ou sublimar

para lá tudo é alheio, vago e improdutivo, como se todo o mundo, todos os seres, toda a vida, fossem um superblog que nunca está verdadeiramente a acontecer

ah... ia esquecendo, mas ainda temos a arte, a abençoada (neuro)ciência e a centelha de novos afectos a despontar, a polinizar e vivificar os sonhos, coisa séria, apta a seduzir hojes e a conquistar amanhãs

e há lá melhor?

bom dia !!!

;->>>

Publicado por: António às maio 29, 2009 08:31 AM

António - amar é decisivo. Mágoas infligidas pelo amor romântico todos tivemos. Porém, existem outros amores que trazem felicidade e sorrisos e dores também.

Amar, em qualquer contexto, jamais é permanente arco-íris. Sentimento sem o qual sobreviveria. O que para mim rejeito _ até um dia, não venha amanhã pregar-me partida maior _ é a dependência sinistra. O egoísmo inerente.

Como amar romanticamente quem me torna infeliz? Me rouba a doçura intranquila? A disponibilidade para outros amores, para o ser humano que está ao lado, para a generosidade no estar?

Amar, em sentido lato, não pode ser ferrão permanente, salvo se a malvadez da vida magoar o amado e, através dele, quem o ama.

Publicado por: Teresa C. às maio 29, 2009 12:43 PM

Teresa: que lição, thanks!

quase temo - e porque não? - que seja assim mesmo !!

agora, magoar é que está fora de questão !!!

;)

Publicado por: António às maio 29, 2009 02:20 PM

António - não há lições nos sentimentos. O texto pecou pela economia. Faltou explicitar o que sinto relativamente a agonias crónicas.

Publicado por: Teresa C. às maio 29, 2009 02:41 PM

Transcedência e fé... fé transcedente?
Transcendência é outra dimensão.
Instantes que perduram nos corações? ... não creio.
Polinizar é... ?

Publicado por: zeka às maio 29, 2009 02:42 PM

Zeka - há instantes dos amores, sejam românticos ou não, em que a elevação sentida nos transmite a ilusão de sermos deuses. Esses perduram. Guardo-os todos e quero mais.

Não sei o que o António quis exactamente dizer. Entendi isto: um amor, por absoluto que seja, tem de conciliar liberdade no estar, até para momentos de solidão. E os dias trazem cores que os enfeitam, sem desvirtuar sentimentos maiores. Quando partilhados, reforçam o elo cúmplice que um amor, para mim, deve ter.

Publicado por: Teresa C. às maio 29, 2009 02:52 PM

Perdoa-nos Fernando Pessoa.

Publicado por: Ana às maio 29, 2009 11:33 PM

Ana - está perdoada(o).

Publicado por: Teresa C. às maio 29, 2009 11:38 PM

Pois... os sentimentos!
Amor-ódio
Amigo-inimigo
Paixão-indiferença
Carinho-violência
Respeito-desprezo
Altruísmo-egoísmo
Felicidade-infelicidade (emoções)
Prazer-dor (sentidos)
Vivência-saudade (memórias)

Confesso que me é difícil navegar nestas ondas sem carta de marear e sem bússola guiadora, só por intuição.
Convém saber nadar, mergulhar, boiar... para voltar a terra firme sem recurso ao salva-vidas.
Naufragar acontece. Afogar, também. Há mar.
E terra. Espaço. Infinitamente...

Publicado por: zeka às maio 30, 2009 12:09 AM

Zeka - Espaço, sempre. Infinitamente.

Publicado por: Teresa C. às maio 30, 2009 12:19 AM

Teresa,

Perdidamente?

perdidamente.blogs.sapo.pt/51108.html
perdidamente.blogs.sapo.pt/34642.html
www.youtube.com/watch?v=BBXV9tHUGz4
www.youtube.com/watch?v=ShUdXlHaW2w&feature=related

Publicado por: zeka às maio 30, 2009 02:59 PM

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