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junho 04, 2009

PERSONA E DESCARTE

Denise Nielsen close-up-0061.jpg
Denise Nielsen

Nesta sociedade do descarte, um terço do comprado vai para o lixo. Adquirimos pela precariedade do gosto subordinado à moda. Obedecendo ao sugerido/imposto como in & out, que o out vá porta fora, que desapareça, que não fira a imagem do estatuto real ou iludido, que não entupa a persona actual. Persona máscara, função psíquica das relações, virada ao exterior pela procura de aceitação social. Oposta à anima que regula o íntimo e o faz valer. Na “Psicologia Analítica”, Jung esclareceu isto e muito mais.

É falado o desperdício. A energia consumida para fabricar um bem, a curto ou médio prazo destituído da função original. Energia morta porque o aterro é final. Irrecuperável.

Sem que saudosismo balofo motive a reflexão, é ido o tempo da poupança, dos bens durarem tempos a fio, serem renovados, adaptados e, durante muito tempo, aproveitados.

Podemos substituir lâmpadas incandescentes por outras de baixo consumo. Preferir a bicicleta e andar a pé. Reciclar embalagens, vidros e papel. Comprar electrodomésticos energeticamente económicos. Porém, ou pensamos a justeza do acto de comprar ou o dispêndio de energia para produzir o bem foi inútil. Gasta. Jamais reposta.

Publicado por Teresa C. às junho 4, 2009 11:52 AM

Comentários

associando a imagem ao texto, parto em busca do que já pensei (senti?) sobre o assunto e lembro:

- como das fotografias de objectos e pormenores de lugares podem tão bem fotografar a alma de alguém melhor que o seu próprio retrato, assim a colecção ou sortido de pequenos adereços, amuletos, aquilo de que nos não conseguimos livrar vai representando tão vem quem afinal somos...

- que os libelos contra a sociedade de consumo e a substituição de objectos, artigos e equipamentos pela data e não pela verdadeira validade, que tanto ouvimos e lemos por décadas a fio vem agora talvez em momento desoportuno, pois que a efectivar-se reduzirá a produção, o emprego, a confiança, os índices, o caneco, adiando a recuperação, a superação da crise, o advento dos tempos, afinal felizes, da chapa ganha chapa gasta...

- já para não falar na nem por isso assim tão hipotética desintrustrialização das principais civilizações da humanidade, em que porventura nos poderíamos oferecer mutuamente conchinhas preciosas encontradas à beirAmar, pedrinhas da sorte, da amizade e do oxalá, pétalas da cor do muito amor, folhinhas significativas das árvores do bem querer, por exemplo para marcar livros que haveremos de manuscrever, saborosos desenhos, rabiscos e recados bilhetadinhos em postais e envelopes de confecção própria, camisolinhas de renda para os nossos mais que tudo/a, frases de crochet/ponto de cruz/bordados mil em preceitos de pendurar em paredes que nos guardam e resguardam, ou dádivas de tempo-tesouro em vez de relógios de ouro...

powered pela energia do espírito, renovável, inesgotável e incrementável !!!

ou coisa assim ;->>>

Publicado por: António às junho 4, 2009 03:20 PM

António - que a selecção dos objectos possuídos nos retrata em partes substantivas, confirmo. Que melhor fora respeitar o "statu quo" quando a real e fantasmagórica crise se agiganta é perspectiva fundamentada no real. Pragmatismo sensato. Porém, sem trazer ao quotidiano ideais, como viver?

Publicado por: Teresa C. às junho 4, 2009 04:10 PM

Publicado por: nrxnsoi às outubro 22, 2009 10:47 AM

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